PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA PRECOCE - COMO GANHAR UMA BOA GRANA SEM PRECISAR ESTUDAR OU TRABALHAR - O PRAGMATISMO DAS ESCOLAS E FACULDADES PRIVADAS PODE SERVIR PARA ACABAR COM ELAS PRÓPRIAS - E ESTE TÍTULO ESTÁ MUITO GRANDE PRO MEU GOSTO - É LEGAL SEPARAR ITENS COM HÍFEN - OK, PAREI
12/09/2005
PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA PRECOCE - COMO GANHAR UMA BOA GRANA SEM PRECISAR ESTUDAR OU TRABALHAR - O PRAGMATISMO DAS ESCOLAS E FACULDADES PRIVADAS PODE SERVIR PARA ACABAR COM ELAS PRÓPRIAS - E ESTE TÍTULO ESTÁ MUITO GRANDE PRO MEU GOSTO - É LEGAL SEPARAR ITENS COM HÍFEN - OK, PAREI
As crianças não precisam mais estudar nas escolas e faculdades privadas. Basta juntar o dinheiro e depois viver com o rendimento. É financeiramente mais garantido, aborrece menos, e talvez sirva para que aprendam mais.
E nem direi que a idéia é minha, pois me parece óbvia o suficiente para já ter sido dita por muita gente. Confesso que nunca li ou ouvi, então digo aqui sem influência de qualquer pessoa.
Ilustremos, rapidamente, com os exemplos de José e João.
José estudou a vida toda em escolas privadas, fez uma faculdade privada, está agora formado e ganha um salário inicial de R$ 3 mil. É considerado um sucesso.
João nunca estudou, nem nunca vai trabalhar. Gastou a mesma coisa que José, mas não deu o dinheiro para escola alguma, somente o depositou em bancos. A família de João tem o mesmo poder aquisitivo que a de José. Ele, aos 25 anos, ganha R$ 5 mil sem trabalhar.
Vambora explicar como isso funciona.
Análise Preliminar: A Falência do Ensino Privado e o Falso Pragmatismo
Vejamos, antes de tudo, a falência das escolas. Não é uma falência financeira, mas sim institucional. As escolas, como instituições de ensino, foram para o brejo, e não sei se há exceções. Parece que não.
A idéia da "escola que forma e não somente informa" foi para o espaço, e isso não é de todo ruim. Parece inegavelmente um avanço o fim das palmatórias e das lições morais.
É lamentável, porém, que essa substituição não significou uma evolução acadêmica, mas sim um pragmatismo idiota, por meio do qual os colégios - mesmo os mais tradicionais tal e coisa - medem sua qualidade diante dos índices de aprovação no vestibular.
Os colégios se tornaram "cursinhos de pré-vestibular". E ponto final.
Já havia críticas e mais críticas ao sistema de ensino: grade curricular defasada, aulas de história fora da realidade, professores meia-boca etc etc etc. Agora, como se já não bastassem as mancadas anteriores, todo o sistema privado de ensino se tornou praticamente um grande "sistema de aprovação no vestibular".
E por que o vestibular? Ora, para colocar o aluno numa boa faculdade, de preferência uma faculdade pública. Ou uma "boa faculdade privada". Enfim, jogar nossos meninotes - então já pós-adolescentes - na rede do terceiro grau.
E como vão das pernas as faculdades brasileiras? Pois é... A idéia é preparar o aluno para o mercado de trabalho. Isso significa que ele será instruído para: ganhar dinheiro, passar em bons concursos, passar em eventuais exames de ordem e ponto final.
Assim, é totalmente lícito dizer que desde o primeiro minuto de aula, lá no jardim da infância, até a colação de grau na universidade, há uma meta traçada para que os pimpolhinhos se tornem pessoas bem sucedidas. Ou seja, ganhem dinheiro.
É pragmatismo puro, não é mesmo? Então vamos falar de pragmatismo de verdade, sem tapar o sol com a peneira. A "Previdência Privada Precoce Sem Escolas" é pragmatismo na veia. Pragmatismo puro e simples.
Dos Recolhimentos
Não existe almoço grátis, tanto menos planos mirabolantes que não exijam algum sacrifício financeiro. Desse modo, claro, a "PPPSE" (vamos chamá-la assim de agora em diante) precisa de recolhimentos, como toda previdência privada.
Esses recolhimentos são calculados de acordo com os valores gastos nas escolas e faculdades (incluindo materiais, transportes etc). Apenas não entram no cálculo itens como "tempo dos pais gasto em reuniões" porque não são tão facilmente mensuráveis.
Qual a mensalidade de um bom colégio? Comecemos do jardim da infância; são três anos - do jardim 1 ao "prezinho". Calculemos as mensalidades em uns R$ 400,00. Mais materiais e uma série de bobagens que agregariam, numa estimativa pra lá de conservadora, uns R$ 50,00 mensais, e mais cinqüentinha por conta de transporte e outros (lanches, festinhas etc). São, portanto, R$ 500,00 por mês.
Da primeira à quarta série, calculemos uma mensalidade de R$ 700,00. Entre transporte, materiais diversos etc, é lícito colocar uns R$ 70,00 por mês. Chutando sempre baixo. O total seria de R$ 770,00.
Da quinta à oitava, calculemos mensalidades de R$ 900,00. Além dela, gastos diversos que são aqueles já mencionados, majorando nossa conta em uns R$ 100,00 mensais. São R$ 1.000,00 por mês.
Nos três anos do segundo grau (ou qualquer outro nome que tenham dado ao bom e velho colegial), uma mensalidade de R$ 1.200,00, mais acréscimo de uns R$ 100,00 mensais. São, pois, R$ 1.300,00.
Daí vem a Faculdade. Calculemos um curso de cinco anos, com mensalidades de R$ 1.300,00 - acréscimo mensal de R$ 250,00 - os materiais são mais caros, o transporte geralmente se torna pior ainda (a maioria estuda em colégio perto de casa, mas nem todos podem fazer faculdade assim tão pertinho), entre outros que tais. São R$ 1.550,00 mensais.
Claro que não dá para colocar todos os extras, mas acrescentemos os gastos de formatura (eu mesmo não entrei nessa fria, mas a maioria entra, então deve ir para o cálculo). R$ 2.000,00 para o segundo grau, mais uns R$ 4.000,00 para a faculdade (incluindo aí a compra dos álbuns, entre outros apliques).
Não incluí as famosas "taxas de matrícula", porque elas servem para remunerar os meses de férias. Então as mensalidades são multiplicadas todos os anos por 12 mesmo.
Há um erro em meus cálculos, mas como eles são bonzinhos, pode-se desconsiderá-lo. É o seguinte: não há gastos de transportes em meses de férias, nem gastos com materiais e afins. Então fica pela supressão dos uniformes, já que esqueci desse item.
Assim, do jardim da infância até o término da Faculdade, num cálculo pra lá de conservador, uma família de classe média (com boas posses, é verdade) investe cerca de R$ 242.760,00.
Mas claro que sobre cada mensalidade incide juros e eu não estou com a mínima paciência para calcular o valor exato, mas podem apostar que o montante final é bem maior do que esse.
Apenas para não dizer que não falei das flores dos juros, vamos aumentar tudo isso para uns 250 mil. Sim, sim, seria bem mais. Mas fiquemos com esse número baixo para fazer a próxima conta.
Dos Pagamentos
Não tem muito mistério. O camaradinha recebe dois por cento ao mês de tudo que está investido. No cálculo deu R$ 250 mil, então ele leva R$ 5.000,00 mensais PARA O RESTO DA VIDA.
Claro que os bancos aceitarão pagar mais do que dois por cento, mediante o compromisso de que haveria depósitos mensais durante MAIS DE VINTE ANOS, sem mexer na bufunfa. Podem apostar que facilmente se consegue uns 2.5% de rendimentos mensais; ou aumento do montante total bem acima das aplicações convencionais.
A vantagem? Esse pagamento começa AOS VINTE E CINCO ANOS DE IDADE. Claro que não é nenhuma fortuna, mas está muito acima do que ganha a maioria dos "profissionais" que passaram a vida estudando em colégios e faculdade privados.
Outra Parte Boa
Não que os pagamentos não sejam uma parte boa, mas a parte MAIS DO QUE BOA é que o camarada pode fazer uma MAIS UMA previdência privada, pagando uns R$ 500,00 a partir dos seus olímpicos vinte e cinco aninhos, e quando chegar aos sessenta, além dos cinco mil da Previdência Precoce, ele recebe mais uma graninha boa de outra previdência.
Duplamente aposentado, sem nunca trabalhar.
Ou então receberia apenas os cinco mil da previdência que fez aos 25, e SACARIA TODO O VALOR DA CONTA, pois o valor depositado na "PPPSE" pode ser retirado a todo momento.
Quem Estudaria?
Aquela lengalenga de "jardim-primário-ginásio-colegial-faculdade", na rede privada, obviamente ninguém mais. Mutos estudariam na rede pública, porque seria a única sobrevivente (a menos que o Governo desse uma de sabichão e tirasse a obrigação de educar da Constituição Federal, mas isso é tecnicamente impossível).
Há uma possibilidade de "burla", mas que na verdade não é exatamente uma burla. Alguns pais podem, simultaneamente, depositar a PPPSE e mandar o filho para a rede pública. Mas isso eles podem fazer até mesmo nos dias de hoje, ou seja, "economizam" o gasto com mensalidades escolares, colocando os filhos em escolas públicas.
Com a queda do número de escolas e faculdades privadas, e uma certa "desobrigação" com a necessidade de se passar no vestibular, os professores seriam muito mais qualificados, bem como o ensino de todo o País seria reformado por uma questão de pura e simples necessidade.
E as Escolas Privadas?
Já viram a quantidade de escola privada que se diz "filantrópica"? Ora, elas não são feitas para dar "lucro" (faz-me rir), então ninguém poderia reclamar. Aquela meia dúzia de beneficiados pela "filantropia" poderia ser ajudada pelo Governo, mesmo, e fim de papo. Sem contar que, por conta da "filantropia", elas não recolhem tantos impostos assim.
Seu fim não representaria uma grande queda de arrecadação pela Fazenda Pública, até porque a quantidade absurda de depósitos abasteceria o sistema bancário e, também, nosso bom e velho Governo.
Prós
Os prós são esses daí, mesmo, muito mais dinheiro do que a maioria dos recém-formados, com possibilidade de facilmente dobrar esse capital simplesmente economizando os saques mensais ou então fazendo uma nova previdência para manter os vencimentos e sacar tudo.
Analisando os "Contras"
O povo, sem estudar, seria burro
Não é verdade. Nosso ensino privado está totalmente falido. A diferença é que ele prepara melhor para o vestibular, fora isso é no geral uma grande porcaria. Ninguém lê coisa alguma, ninguém se informa, os próprios professores não são lá muito chegados numa atualização - a não ser quanto às novas questões dos vestibulares.
Aumentaria o Ócio
Outra cascata. Não há nada mais ocioso do que ficar em uma carteira "aprendendo" uma série de decorebas que serão inúteis para o resto da vida. Qualquer episódio do Chapolim é mais produtivo para uma criança do que uma aula de história da quinta série, principalmente aquela que sustenta a mentira do "descobrimento do Brasil", entre outras conversas moles.
Diminuiria a Qualificação do Mercado
Vamos por partes. Alguém aí sabe como é o tal do "mercado"? Pois bem... Quem ganha bem são os filhos ou amigos dos chefes. Isso serve não somente para pequenas empresas familiares, mas também para bancos multinacionais. É sempre assim.
De quando em vez, colocam algum "executivo de renome" para presidir alguns Grupos, mas esse cabra não pode mandar embora uns e outros de umas e outras diretorias porque são parentes ou amigos dos acionistas. Ou são os próprios acionistas.
Podem apostar que o mercado continuaria com o mesmo percentual de "profissionais qualificados", até porque nele estariam os que se formaram pelas escolas públicas, e também aqueles que fizeram um ou outro curso específico.
O Povo Ficaria Burro, parte II
Ah, claro, o povo é mesmo super inteligente... Mas, supondo que fosse assim, a mudança de sistema não abalaria em nada a intelectualidade da turma.
Alguém aprende outro idioma tão-somente com as aulinhas de inglês do colégio? Ou aqueles que tiram as boas notas são os que não o aprendem na escola, mas sim em cursos ou intercâmbios?
E os livros que a escola manda ler? Eles fazem com que o estudante pegue o gosto pela leitura, ou o afastam ainda mais da literatura, pois são chatos pra caralho e criam traumas permanentes?
Já fui citado pessoalmente como um exemplo para outros jovens, pois tenho o hábito de ler muito, às vezes uns três livros de uma vez. Pois bem, agradeço a referência, e acrescento: OS ÚNICOS LIVROS OBRIGATÓRIOS QUE EU LI FORAM OS DA SÉRIE-VAGALUME.
Todos os demais eu li porque quis, e a escola não teve nada a ver com isso (até porque seria impossível um colégio católico me mandar ler Carl Sagan, David Yallop, Noam Chomsky, Saramago, Millôr, entre outros autores de minha adolescência). E meus colegas, salvo raras exceções, nunca lêem porra nenhuma. Inclusive os da Faculdade.
Não que "outro idioma" e "hábito de leitura" sejam sinais de inteligência, mas não podemos negar que são componentes importantes para a intelectualidade (principalmente para os que defenderiam a estrutura escolar).
Pode-se dizer, é verdade, que as escolas não somente despertam como também ajudam a treinar o raciocínio matemático. Isso é mesmo inegável. Como não se faz um bom omelete sem quebrar alguns ovos, o número de matemáticos e físicos seria talvez reduzido. É o preço a pagar, e confesso que consigo conviver com isso.
Diminuição de Empreendimentos
A idéia de se investir em bancos diminuiria o consumo em geral gerado pela vida escolar, fazendo com que algumas empresas simplesmente desaparessessem.
Então vejamos.
Se acabássemos com "empresas de formatura", "cantinas de colégio", "papelarias de colégio", "xerox de colégio", entre outras, será que faríamos um mal para o mundo dos negócios, ou o traríamos de volta à realidade? Sim, pois alguém já viu os preços praticados por essa turma?
Pelo menos na minha época, uma xerox de colégio era tão cara que dava até raiva. As papelarias da vizinhança também gostavam de enfiar o facão (sem contar que elas estão quase falidas, pois grandes 'megastores', como Kalunga, vendem tudo direto aos consumidores a preço de banana).
Os tios e tias da cantina também eram gente fina, mas poxa... Não faziam preços compatíveis com o mercado, vez que só se podia comprar ali mesmo. Era um tal de "empanada" a preço de "paella valenciana" que vou contar uma coisa...
Continuidade
Esse coçador de saco afortunado, lá pelos seus trinta e cinco, quarenta anos, pode se dar ao luxo de ter um filhinho, também efetuando tais pagamentos, permitindo ao pimpolho que possa viver numa situação agradável igual à do papai. E assim por diante.
Conclusão
Claro que há muitas arestas para se aparar, mas é inegável que financeiramente compensa e muito. Pelo menos observando a grande maioria dos estudantes que passam a vida vitimados pelo pragmatismo do vestibular (depois encontrando na Faculdade o pragmatismo do mercado), e depois da última formatura dão graças a Deus quando arrumam um emprego para ganhar metade do que ganhariam pelos 2% de rendimento do total pago em "educação".
As aspas estão aí porque não é certo chamar de "educação" isso que as escolas fazem. Elas não educam ninguém. Nem as Faculdades. A maioria, maioria avassaladora, faz aquele pragmatismo já explicitado. Isso não é educar, isso é "treinar". E olhe lá. Nem podemos dizer que "ensinam", porque treino não é ensino, é somente um preparo temporário ou específico.
Conclusão II, a missão
Não, eu não penso que isso seria algo bacana. Apenas serve para que todos entendamos o quanto é falido um sistema baseado num falso "pragmatismo". Afinal, depositando a grana é possível ganhar bem mais do que a média, sem nem mesmo precisar trabalhar.
Conclusão III, o Retorno de Jedi
Por que isso é matematicamente possível? As escolas são caras, os gastos em materiais e afins são altíssimos, e os bancos possibilitam - aos que têm dinheiro neles depositado - uma vida mansa sem qualquer produção. A junção dessas duas teratologias permite que um suposto disparate, como pode parecer a Previdência Precoce, seja bem possível. E a falência do sistema escolar faz com que não se possa refutar de plano essa idéia.
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transubstanciado por gravata às 12.09.05 | 11 comentários
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Comentários:
(Gravz: Dá vontade, né?)
(Gravz: eu escrevo rápido. Ah, e tenho certeza sim de que sou advogado. Porque eles escrevem rápido. E eu escrevo rápido. )
(Gravz: pedi demissão do Bradesco em outubro do ano passado. tarde demais pra ganhar comissão...)
(Gravz: ela te faz de escravo e você nem se ligou)
(Gravz: e você tem por acaso quantos anos? se já passou dos dezoito, e isso parece provável, desista...)
(Gravz: muito... uma coisa!)
Ué, mas... eu pensei que vc fosse jornalista!
(Gravz: Boa sorte com o pimpolho... - e eu tenho cara de advogado
e onde cargas d'água vc mora que uma mensalidade de ensino médio custa R$900???
(Gravz: moro em São Paulo, SP. E você? E quanto custa o ensino médio por aí? Os "cursos profissionalizantes" são mais pragmáticos ainda; e a falência está também nas faculdades que "preparam para ganhar dinheiro", quando na verdade servem mesmo para pegar dinheiro do incauto que sairá de lá desempregado)
(Gravz: nova mesmo... eu falo muito palavrão! você não tem idade para ler minhas besteiras!!!
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