SOBRE GENTE QUE FALA ALTO TUDO QUE FAZ
11/08/2005
SOBRE GENTE QUE FALA ALTO TUDO QUE FAZ
Para mim, o melhor narrador de futebol é Silvio Luiz. E não se trata de uma disputa apertada. Ele é muito superior aos demais. Uma superioridade assustadora.
Isso porque, ao contrário dos primeiros narradores esportivos da televisão, Silvio sempre soube diferenciar tal veículo do rádio. Mesmo os mais novos, supostamente já acostumados à televisão, não desenvolvem técnica alguma; tão-somente copiam os demais narradores.
Isso não tem nada a ver com o que pretendo dizer neste texto, mas quis fazer uma homenagem ao Silvio Luiz. Ele merece.
Pretendo tratar agora das pessoas que têm "Complexo de Narrador Esportivo" ou "Síndrome de Monólogo Amador". Num caso, como no outro, o camarada é obrigado a falar tudo que faz e acontece.
Todos já viram ou fizeram isso. E não dá pra negar que é algo engraçado e meio louco.
Em vez de narrar um épico ou relatar uma peleja futebolística, o falatório é para explicar coisas como "agora, vou tomar banho" ou "deixa eu ligar pro fulano".
Depois de anos e anos de observação - e muitas piadas a respeito, é verdade - cheguei a algumas hipóteses. Por que agem assim? São simplesmente birutas e fim-de-papo? Não, não. Vejamos os motivos mais prováveis:
Amigos Imaginários Cegos
Dizem que as crianças possuem amigos imaginários. Uns mais xaropetas, alegam que são duendes ou gnomos. Não podemos nunca deixar de lado os casos de pedofilia, que não envolvem gente amiga e muito menos imaginária. Algumas pessoas que falam sozinhas, e pelos cotovelos, na verdade estão batendo papo com amigos imaginários que são cegos, por isso é preciso explicar tudo que se está fazendo.
Estação de Rádio Imaginária
Algumas pessoas transmitem seus afazeres a supostos ouvintes, imaginando uma platéia ávida por saber que vão, por exemplo, se aliviar de uma feijoada completa. A narração, como vocês sabem, é contínua. Em alguns casos, segundo relatos de internos de um hospital psiquiátrico, chegam ao ponto de descrever o resultado do alívio da feijoada, comentando todos os detalhes da "obra".
Síndrome da Extrema Superioridade
Os metidinhos mequetrefes costumam falar de si próprios usando a terceira pessoa; já os completamente malucos (que se acreditam reis, deuses ou algo mais) bradam aos quatro ventos cada etapa de sua rotina. E não somente cochicham, mas sim GRITAM MESMO. É impressionante.
Efeito Reality Show
Não são poucas as pessoas que, com a proliferação dos reality shows, se tornaram paranóicas. Daí, passaram a fazer pose, evitar gafes mesmo na intimidade, e obviamente começaram a narrar aos "telespectadores" as mais variadas baboseiras. No começo, diziam que nossa vida era um filme que se passava rapidamente quando morríamos (isso só se imaginou com a invenção do cinema; bem antigamente, talvez pensassem que a vida fosse um hieróglifo, sei lá).
Pensando Alto
É a explicação trivial. Não creio que seja mentira, pois quem fala sozinho, de fato, deve ter na cabeça pensamentos complexos e bem engendrados, como "acho que vou preparar uma limonada" ou "vou escrever para a fulana". Ou alguém já se pegou, falando sozinho, em plena explanação de uma variante para a Teoria da Relatividade Especial? Então...
ps - pior que falar sozinho é ler (em suposto silêncio) movendo os lábios...
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transubstanciado por gravata às 11.08.05 | Alguém?
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