DA SÉRIE “CRÍTICO MUSICAL COM MUITO MAU HUMOR”: BANDAS E FASES DA VIDA
02/08/2005
DA SÉRIE “CRÍTICO MUSICAL COM MUITO MAU HUMOR”: BANDAS E FASES DA VIDA
Todas as pessoas normais (e é claro que existem pessoas normais e anormais, não venhamos com aquela relativização idiota) passam por "fases musicais".
Claro que alguns idiotas ouvem "Balão Mágico" para o resto da vida, mas isso não faz com que deixe de ser música infantil. E assim por diante. As bandinhas de meninos bonitos são feitas para agradar adolescentes, mesmo que algumas adultas (no sentido etário, tão-somente) ainda as apreciem.
Essa mesma lógica se aplica às bandas de rock e congêneres. Cada uma acompanha uma fase da vida. Quando alguém "estaciona" no fanatismo para com alguma delas, é porque parou no tempo.
Claro, claro, alguns vão dizer que as coisas boas são atemporais etc etc etc. Concordo, exatamente por isso a grande maioria das bandas aqui citadas não entram nisso, afinal, são bandas chatas e feitas sob medida para certos comportamentos.
Além disso, é bom esclarecer, não falo aqui das pessoas que apenas "gostam" desta ou daquela banda, mas sim daqueles que VIVEM EM FUNÇÃO do fanatismo. Sabe? Usam camisetinha, deixam o cabelo igual, usam gírias, repetem gestos e expressões.
Aquela coisa toda típica de quem tem de treze a quinze anos, mas feita por gente de quase trinta - ou mais de quarenta. Vamoquevamo.
Bob Marley
Camaradinha começa a queimar um, e passa então a curtir Bob Marley. A ordem é exatamente essa. Ninguém ouve Bob Marley e depois vem a gostar de maconha. Isso porque, sóbrio, ninguém gosta do cara. Já com um do forte na cabeça, a coisa muda. TODAS AS MÚSICAS SÃO PRATICAMENTE IDÊNTICAS. Pode-se dizer que Bob Marley foi um precursor dos grupos de axé da atualidade, naquela coisa de ter no máximo três melodias, mas uma porção de letras. Todas superficiais. O comportamento dos fãs de Marley segue um ritual praticamente idêntico: queima um, grava os grandes clássicos (na minha época, era o CD "Legend", manjadíssimo), compra pôsteres, camisetas, incensos, gravação de músicas raras, procura por outros nomes do reggae etc...
Doors
O fã de Doors é uma espécie de "malucão sofisticado". Ele não se acha tão torpe e superficial quanto àquele outro, mais novo, que canta "eu atirei no xerife" como se isso fosse alta filosofia. Ao contrário, considera-se quase um gênio e, nos momentos de êxtase, dialoga com o espírito de Jim Morrison. Jimbo era chamado "O Rei Lagarto". De fato, sua poesia era no mesmo nível de inteligência e lirismo de um calango. Em vez de maconha, os fãs de Doors tendem a gostar de ácido, peyote ou apenas viraram muito Dip 'n Lick de uma vez só e ficaram meio zuretas para o resto da vida. Morrison cantava mal, não entendia nada de música, compunha versos que para serem chamados de idiotas é preciso muita bondade, mas fez muito sucesso porque era bonito. Morreu infeliz, pois havia muito tempo já tinha caído na real, ou seja, entendeu que todos gostavam dele apenas pela beleza física.
Pink Floyd
Um show de Pink Floyd é praticamente o espetáculo "Hollyday On Ice". Muita luz, muito visual, aquela coisa toda. Música, mesmo, quase nada. Convenhamos, eles são bons nesse truque. Os fãs de Pink Floyd acham que aquilo é o auge do talento, algo que permite "viajar". De fato, é preciso um alto grau de meditação transcendental para encontrar algum sentido especial naquela musiquinha mequetrefe. A mensagem por trás daquela bobagem de "The Wall" é tão manjada e simplória que chega a dar dó. Tudo bem um molecote se achar rebelde porque viu o filme ou ouviu o disco, mas alguém que já tenha saído do colegial não pode seguir essa mesma conduta sem ser considerado babaquara. Os fãs de Pink Floyd, todos com aquele mesmo comportamentinho manjado, são exatamente como os alunos que saem da escola-indústria do filme da banda. Como aqueles panacas que usavam a camiseta "Fuck the Fashion" (irônica e ridiculamente, usada por mais gente do que qualquer outra).
Iron Maiden
Enquanto as menininhas se excitam com bandas de garotos bonitinhos, os menininhos adoram bandas com vestimentas demoníacas, cabelos rebeldes, imagens malvadas e afins. Depois dos doze anos, porém, isso se torna complicado. Depois dos quinze, imperdoável. Dos vinte em diante, é caso de procurar um especialista. Vamos e venhamos, isso de ser "anticristo" ou de culturar o "diabo" é coisa que deve se restringir às seitinhas supostamente cristãs, que mais falam no capeta do que em seu próprio Deus. Quanto às calças de couro, cabelo comprido e maquiagem, nem é bom ficar comentando. Aquela dancinha de agitar o cabelo compridão (e super liso e tratado) parece mais comercial de condicionador do que qualquer coisa. Por fim, não sei se todos sabem, Iron Maiden é uma banda cuja maioria dos fãs residem no Brasil e na Argentina.
Los Hermanos
Certa vez, há muito tempo, li num jornal que a banda estava em retiro rural, compondo e gravando (ou sei lá o quê), mas que tinha dado uma zoada na Abril (sua gravadora na época). Adorei a idéia, passei a respeitar. Logo, saiu o disco "Bloco do Eu Sozinho". Comprei. Em princípio, gostei. Depois, claro, vi que era truque. Bem mais truque do que fazer "Ana Júlia" é fazer musiquinha para agradar alternatos. Respeitei mais ainda, porque é preciso talento para empreender alguns embustes. Musicalmente, porém, mantive a banda na mesma altitude de uma pulga agachada. A grande maioria dos fãs são novos o suficiente para (tcharam!) terem seus 10, 12 aninhos na época de Ana Julia; eles, mais do que a banda, tentam fazer de conta que esse hit nunca existiu. Logo mais, passará tempo suficiente para que a lembrança se torne cult-brega e passe batida. A meu ver, a última música honesta da banda foi exatamente Ana Júlia. Daí pra frente, é tudo milimetricamente elaborado para dar um olé naquela galerinha que se acha diferente. Aqueles que 'olham o mundo de longe'. Sabem como é? Bom, eles fazem todo sentido para quem tem de 15 a 25 anos. Depois disso, é hora de repensar.
Axé
Existe "música" e "fundo musical". A axé-music, obviamente, faz parte do segundo grupo. Nesse sentido, maravilha. Ninguém vai a uma micareta para ouvir música clássica e declamar poesia. Tem mesmo que rolar um som animado para que a galerinha se acabe naquela estratosférica transmissão de sapinho. Mas, acreditem, há aqueles que REALMENTE GOSTAM DE AXÉ MUSIC. Colocam no carro, logo de manhã, ou então comentam sobre alguma letra e/ou refrão. Aí complica. Como 'música de fundo', é musiquinha para quem tem de 10 a 30 anos. Passou disso, pode até ir para a micareta, mas só para dar o golpe no mulherio (nada de falar que gosta do som, porque é cascata - e, se não for cascata, é bom procurar ajuda também). Agora, apreciar como música, só até os 8 (oito mesmo) anos de idade.
Medalhões da Música Popular
É possível passar a vida toda gostando dos medalhões, DESDE QUE NÃO SE PARE NO TEMPO E FIQUE GOSTANDO APENAS DE UM DELES. Aí o caso é grave. Uma pessoa normal tem "fase chico" e/ou "fase caetano" e/ou "fase beatles" e/ou "fase oasis" e/ou "fase rolling stones" etc. Durante um tempo, gosta-se daquilo, mas depois outra coisa passa a seduzir, e assim por diante. O grande erro é quando a pessoa se comporta como se fosse presidente de fã-clube, ouvindo sempre a mesma coisa, dizendo - mesmo sem conhecer - que o resto é tudo porcaria. O fanatismo musical é algo aceitável e normalíssimo. Até os quinze anos. Daí pra frente, claro, é papagaiada. Portanto, mesmo quando se trata de algo bom, é lamentável quando alguém SOMENTE considere boa a música de um único artista ou banda.
Vivendo o Passado, Mas o Passado Mesmo
Dos noventa anos em diante, é aceitável o excesso de nostalgia. Ninguém com essa idade precisa seguir regra alguma mesmo, então o negócio é mandar todo mundo tomar no cu e curtir a musiquinha de sua época. Maravilha. Mas é constrangedor quando gente jovem começa com aquela lengalenga de "na década de quarante é que a coisa era boa" ou "não há música boa feita da bossa nova em diante". Palermas! Tudo bem que a bossa nova é uma porcaria, mas essa gente cultua um mundo em 'branco e preto', ultrapassado e obviamente desconhecido. Talvez porque sejam rejeitados no presente. Freud explica. Tenho amigos assim, é péssimo. Vocês - se não forem os próprios - também devem conhecer gente dessa laia. É um tal de "resgata isso", "busca aquilo" e "recupera e relembra aquilo outro", que chega a dar dó. Parar no tempo é uma coisa, mas é risível parar num tempo nunca vivido, cultuando um passado cheio de mitos e fábulas que, na real, nunca existiram. Esses são tão dignos de caricatura quanto aqueles fãs de Bob Marley ou The Doors.
E no mais?
ps. - emails de fãs não serão considerados. Este é um site de humor, logo, não há grandes compromissos com coisa alguma. Ah, mas quanto aos artistas e bandas, REALMENTE é tudo mais ou menos verdade. :D
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transubstanciado por gravata às 02.08.05 | Alguém?
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