TEATRINHO

11/07/2005

TEATRINHO

- Qual sua relação com o senhor Amintas Gabiroba?


- Só o conheço de vista.


- É mesmo?


- Sim, senhor.


- E como explica que foi ao aniversário dele?


- Entrei de bico. Depois que serviram o bolo, saí de fininho.


- Vocês eram vistos sempre almoçando juntos.


- Bobagem, todo mundo almoça no mesmo restaurante. Moramos em uma cidade pequena.


- Mas na mesma mesa?


- Os restaurantes também são pequenos.


- Por que há uma média de cento e trinta e sete ligações mensais do telefone dele para o seu?


- Meu número é quase igual ao do disque-sexo.


- E por que há outras setenta ligações mensais do seu para o dele?


- Eu ligava de volta, para avisar que era engano.


- Mas, olha aqui, ele ligou, por exemplo, no dia oito de outubro. Sua próxima ligação a ele foi somente no dia doze. Levou quatro dias para avisar que era engano?


- Antes tarde do que nunca, Excelência.


- Mas você é padrinho do filho dele.


- Pois é. Entrei na Igreja, dei um alô para o padre, fiz aquela coisa toda, mas saí sem trocar uma palavra. Só acenei de longe pra não ficar chato.



* * *




- E aí, o que achou do depoimento?


- Gostei muito. Ele foi firme nas respostas.


Imoral da História: No País das telenovelas, qualquer zé mané consegue ser um ator convincente e qualquer desculpinha vira um sólido argumento.


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