NOTAS FUTEBOLÍSTICAS

06/07/2005

NOTAS FUTEBOLÍSTICAS

Robinho
Sempre falei que Robinho era metido. Sempre, sempre, sempre. Não que seja defeito ou qualidade; neste mundo de tanta falsa humildade, um pouco de arrogância chega a ser algo positivo e sincero. O problema é que todos viam nele aquela figura humilde do "menino que deu certo". Ok, ok. Hoje, enquanto seu contrato com o Santos está em plena vigência, o dito cujinho simplesmente NÃO VAI TREINAR porque NÃO QUER MAIS JOGAR NO SANTOS. Mas enquanto o Real Madrid, seu provável comprador, não pagar a multa contratual, ele DEVE treinar e jogar como qualquer outro.


Digam, portanto, qual atributo da personalidade humana faz com que alguém fique em casa jogando videogame enquanto o resto da equipe treina para os próximos jogos? Humildade? Rárárá!


Por fim, aproveito para NÃO FAZER PARTE da turma que defende a permanência de jogadores em uma única equipe, ou em seu País de origem. Nem pensar. Tem mais é que ganhar dinheiro, ficar rico, faturar etc. Falo sério. Mas também considero ESSENCIAL cumprir PELO MENOS com o contrato.


Profissionalização

O futebol é tratado no Brasil como se fosse algo sagrado. Outro dia, vejam vocês, reclamaram porque um jogador foi preso "depois do jogo". É uma devoção que chega à loucura! Não basta considerar IMPENSÁVEL parar uma partida, consideram UM ABUSO que seja uma prisão no vestiário. Mesmo após o jogo, o ar sagrado continua. Essa coisa de tratar o futebol como algo "fora do plano mortal" faz com que outras práticas sejam mantidas e pouco contestadas pelo povo.


Quando um jogador procura a Justiça do Trabalho, muitos consideram inadequado. Por quê? Ele não é um trabalhador? O clube não é um empregador que ganha com essa força-de-trabalho? Qual o problema? Ah, claro, o problema é que ele entra, ganha e fode com as finanças do time. Mas uma categoria empresarial que ganha milhões e milhões vendendo craques, na boa, precisa ter pelo menos a decência de não fazer biquinho na hora de pagar direitos trabalhistas a dois ou três raros reclamantes.


Desse modo, as federações e clubes se aproveitam da sacralização do futebol e mantêm a ridícula estrutura do esporte no Brasil. Os torcedores "toleram" e praticamente não contestam o sistema vigente. Mesmo perdendo craques para outros países, justamente porque os compradores são clubes profissionais.


É fácil para os fanáticos brasileiros baixarem a cabeça ao ver que seu craque adorado vai para a Inglaterra ou Espanha, porque no fim das contas são Países de primeiro mundo. Mas será que não percebem nada de errado quando quem compra é um clube de algum País que está no 134º lugar da fila para fazer parte do G8?


Timemania
O Vasco é a única grande equipe do Rio de Janeiro que não embarcou nesse negócio de Timemania, a loteria que pretende "salvar" as finanças de alguns clubes. Ocorre que essa "loteria" não inclui qualquer contrapartida social, e além disso não fala nada sobre a profissionalização dos clubes. Os feudos permanecem, e a jogatina serviria para seduzir o cidadão, aproveitando sua paixão futebolística, rendendo muita grana para o governo e para os clubes. Pois bem, está de parabéns o Vasco, qualquer que seja o motivo, por NÃO ENTRAR nessa sacanagem lotérica.


Espero que a decisão não seja de Eurico Miranda, porque odiaria lhe dar parabéns. Mas, se foi idéia dele, então merece.


Velhice

Percebo que minha juventude já foi pras picas quando vejo, como técnicos, algumas figuras que eu conhecia como jogadores. E não somente o Gallo, do Santos, que jogou faz pouco tempo - ou então Júnior, que também deixou os gramados como jogador e em questão de meses já se tornava técnico. Meus contemporâneos, amantes do futebol, devem se lembrar de BONAMIGO, aquele craque do Grêmio, inclusive figurinha carimbada da Copa União, hoje técnico do Parmera.


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transubstanciado por gravata às 06.07.05 | Alguém?



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