SERIADOS SERELEPES
17/06/2005
SERIADOS SERELEPES
Os leitores mais antigos (2002, 2003 etc) devem saber que sempre fui contrário à febre de séries americanas. Lembro de ver, pela HBO, a aclamadinha "O Sexo e a Cidade". Achava alguns episódios quase legais, mas no geral era tudo muito bobo.
Aqueles arquétipos exageradamente estereotipados do fracasso feminino deviam (e devem) servir muito mais como consolo às telespectadoras tanto ou mais fracassadas, do que a quem deseja ver uma história minimamente criativa.
A única série que eu tentava acompanhar, mas acabava sempre pulando algum capítulo, era "Oz". Passava na HBO (depois passou também no SBT). Embora trouxesse ao público uma penitenciária limpíssima e super organizada, também mostrava uma série de fatos bem casca-grossa.
Foi muito legal descobrir que a dramaturgia televisiva dos americanos trazia tramas sem heróis ou bandidos, oferecendo ao público roteiros de alto nível, bem ao contrário do que faziam e fazem nossas telenovelas, ainda presas a um maniqueísmo idiota e caricato.
Bem recentemente, graças à coleção de temporadas completas de minha cunhada, conheci direitinho o seriado Friends. Até então, via apenas trechos de episódios, porque considerava bobagem ver canais como Sony ou Warner, se poderia ver algum filme na HBO.
Quando "descobri" Friends, notei que boa parte daqueles diálogos constavam do meu dia-a-dia. Tenho poucos amigos, e um dos motivos é porque TODA HORA dou respostas atravessadas. Assim, ou o camarada se acostuma, ou acaba me mandando à merda. Adivinhem o que acontece com mais freqüência?
Desse modo, falarei um pouco das séries que atualmente acompanho ou tento acompanhar. Vamoquevamo:
Lost
Já falei sobre Lost por aqui. Em princípio, pode parecer o óbvio do óbvio: um grupo de pessoas numa ilha deserta. Mas não é exatamente esse o arguemnto: o avião caiu, mas ninguém sabe ao certo o motivo da pane; aliás, ninguém sabe exatamente o que está acontecendo. Os episódios avançam, mas a cada passo adiante que se dá no sentido do esclarecimento, também se dá outro para trás, por conta de algum evento contraditório. O pior de tudo é que é legal, muito legal. Sem falar na mocinha das sardas, que é a atriz mais bonita de todos os tempos.
Law & Order - SVU
Na onda do sucesso de "Law & Order", os produtores mandaram brasa nesse seriado que trata apenas de crimes sexuais: Law & Order - Special Victims Unit (para mim, é bem melhor que o outro). O grande destaque não são as atuações, pois algumas são excelentes, como as de Cristopher Meloni (que era um homossexual em Oz) e Richard Belzer (parece o Professor Astromar, mas é firmeza), mas outras são de lascar, como a de Ice-T (muitas vezes nem é culpa dele, pois os roteiristas encaixam suas falas de modo que ele chega na cena do diálogo já respondendo alguma indagação que em algumas ocasiões é feita em voz baixa... super audição?). O que faz da série muito especial são as tramas. Começa de um jeito, acaba de outro, geralmente mostrando as cabeçadas que a polícia (americana, claro, pois a nossa é super batuta) dá durante uma investigação.
The West Wing
Essa é golpe baixo, né? Está indiscutivelmente alguns patamares acima dos demais seriados "sérios". The West Wing, além das tramas excelentes e dos diálogos perfeitos, ainda por cima se dá ao luxo de não contar com nenhum ator meia-boca. Todo mundo é bom, Martin Sheen é ótimo, e ainda há a sorte de contar com Alan Alda desde 2004. Enquanto em muitos seriados há uns dois ou três espertuchos que soltam respostinhas sarcásticas, em "West Wing" todo mundo tem esse poder.
Desperate Housewives
Não é tudo isso que falam, mas ainda assim é muito legalzinha a série Desperate Housewives. Nesse afã de mostrar uma espécie de "submundo do subúrbio classe média alta", eles acabam exagerando. Mas com Gabrielle (Eva Longoria) tudo fica ótimo. Assistam, e vocês vão entender.
House
Deixei para o final essa grata surpresa. Séries em hospitais são mais manjadas que telenovelas de época do Walcyr Carrasco. Mas House é diferente (sei, sei, todos dão a mesma desculpa, mas é diferente mesmo). As coisas acontecem mais ou menos como em ER ou alguma outra meleca do gênero, até que o genial Dr. House entre na dança. O cara é uma espécie de Chandler elevado à milésima potência e quase sempre muito mal humorado.
Agora, o espaço reservado às decepções: "The O.C." é uma bela porcaria; história boba, diálogos chatinhos, muita gente bonitinha em cenários bonitinhos e tramas sem graça. "Joey" é outra bobagem. Já que é para não desgrudar do personagem, que pelo menos ficasse em NY e mantivesse algumas coisas do seriado antigo. Outra aberraçãozinha é "Smallville", aquela coisa de atores bonitos em historinhas bobas. Tem mais, mas deixa quieto.
ps - texto redigido direto no quadrinho do b2, então perdoem erros de digitação e também outros erros.
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transubstanciado por gravata às 17.06.05 | Alguém?
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