A INTÉRPRETE ou NEM NICOLE KIDMAN E SEAN PENN SALVAM
26/04/2005
A INTÉRPRETE ou NEM NICOLE KIDMAN E SEAN PENN SALVAM
Antes de tudo, se você pretende ver o filme citado no título, e por acaso não gosta que estraguem o final, ou parte da história, é bom não ler este texto. Aos demais, vamonessa!
O filme tem uma historinha bem manjada, que é a da moça em apuros, perseguida, defendida por um representante do governo dos EUA. Alguns detalhes, porém, são pouco comuns.
Trata-se de uma intérprete da ONU, onde se passa boa parte da história. E o defensor, em vez do típico oficial do FBI ou do militar fodão, é um agente do serviço secreto do Governo (não é exatamente da CIA, ok?).
Tudo começa numa GRAAAAAAAAAAAAAAAAANDE coincidência. Mas filmes, claro, retratam histórias incríveis (com exceção de alguns filmes “cult”, cujo objetivo é nos matar de enfado). Perdoada a película pela coincidência inicial, vamos à trama.
Tudo se desenrola de forma “quase” surpreendente; lá pelas tantas, quem consegue matutar um pouquinho já descobriu o que acontece por trás dos panos; o suspense fica por conta do “quando é que a turma do filme vai perceber que é arapuca”.
Os roteiristas colaboram para que tudo aconteça de acordo com a conveniência. A super-ultra vigiada ONU tem uma pane no detector de metais. Só percebem “por acaso”, quando uma mulher passa com seu celular. Ridículo.
Uma grande escada de incêndio, ao contrário do resto do prédio, não tem filmadora alguma. Deve ser para o Cof-Cof Annan pegar alguém de jeito.
Mesmo com ameaça contra a vida de um Chefe de Estado, não há segurança alguma em boa parte dos setores, tão-somente havendo uns dois ou três agentezinhos no plenário.
O gran-finale é dos piores: aquele Chefe de Estado ameaçado é tirado do púlpito, após o som de um disparo. Vários agentes o tiram de lá e.... tcharã!!!! o deixam SOZINHO em uma tal “sala de segurança”.
Com esses elementos pouco verossímeis, a história pôde seguir o rumo desejado pelos autores. Assim, obviamente, nem a mega-ultra-super-hiper coincidência natural pode ser perdoada.
Quanto aos atores, Nicole Kidman, assim como em “Mulheres Perfeitas”, mostra dignidade mesmo em um filme ruim. Sean Penn, que é um ator brilhante, corre o risco de sofrer processo de “robertdenirização” ou “alpacinização”, que é aquilo de fazer sempre o mesmo papel, as mesmas caras, o mesmo jeito etc (está igualzinho em “21 gramas”, “Sobre Meninos e Lobos” e “A Intérprete”; aquele cara perturbado, sorumbático etc).
Por fim, a grande nota positiva é o retrato (tendencioso, que seja) do processo político em um país africano (ainda que imaginário). A saga do guerrilheiro popular que se torna ditador, e dos adversários (o socialista e o capitalista). E também a pequena idéia dos procedimentos de debate, audiências e traduções da ONU.
Sobre os Traillers
Eu achei que fosse uma moda passageira, mas pelo visto isso veio para ficar... QUEM É O FILHADAPUTA QUE CRIA ESSES TRAILLERS DE MEIA HORA? Em vez de dar uma idéia do filme que entrará em cartaz, eles praticamente exibem um média metragem contando TODA A HISTÓRIA. Ridículo. Mais ridículo ainda é o fato de que esse sistema de divulgação esteja dado certo.
E continua valendo a regra: PELO TRAILLER, TODO FILME É BOM.
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transubstanciado por gravata às 26.04.05 | Alguém?
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