REGRA UNIVERSAL: É TUDO CASCATA DA BRABA
28/12/2004
REGRA UNIVERSAL: É TUDO CASCATA DA BRABA
Não é que a verdade dói, mas ela também é feia, fede, incomoda o ouvido, causa dor de barriga, semeia a discórdia e não traz nada de útil para as pessoas.
Todos nós somos uns mentirosos sem vergonha.
Principalmente quando, naquela coisa de querer mostrar honestidade, dizemos por aí que ‘somos até sinceros demais’. Que piada! Somos é mentirosos em dobro.
Ou não?
Aquele amigo que está gordo, bom, dizemos a ele que não é bem assim. Ah! Claro que é assim! É exatamente assim, mas não, pra que deixá-lo chateado, mais chateado do que já está, afinal de contas ele sabe que precisa melhorar. Não, não tá tão gordo. Só um pouco de dieta e uma caminhada diária.
Um pouco? Tá. Um regime somali. E por dez anos. Já a caminhada, pra fazer efeito no tal paquiderme, só se for uma volta ao mundo por dia.
E a amiga feia? Tem coisa pior que amiga feia? Ela insiste em dizer ‘eu sou feia’ à espera do famigerado ‘pára com isso, você é linda!’. O triste disso tudo é que ela própria começa a se achar linda. E aí fodeu de vez. Criamos um monstro. Literalmente.
Esse negócio de sair por aí dando feliz natal e bom ano novo para quem odiamos também é dureza. Clássica dureza. Recebi tantos scraps falsos no Orkut (atenção, não falo de email coletivo, mas de scrap!)... A pessoa tem a paciência de entrar no perfil, deixar uma mensagem (alguns ‘personalizam’ mudando o nome do destinatário), tudo para fazer média justo comigo? Realmente, não são meus amigos. Se fossem, pelo menos me conheceriam.
Vejam o caso do Papai Noel. Tudo bem, criamos a ilusão bonitinha. Tá. Aí o pimpolho descobre. O que fazemos? Damos os parabéns pela perspicácia? Não, nada disso... A PRIMEIRA RESPOSTA É SEMPRE A REFUTAÇÃO! Insistimos na mentira! Como se fosse bonitinho PARA NÓS, e não para eles, sustentar esse tipo de lorota.
Queremos das crianças os cacoetes que os nossos adultos de nós quiseram. Da mesma forma que quem fala com elas imitando voz e dicção supostamente infantis, como se todo petiz fosse um debilóide que não pronuncia plurais nem consoantes.
Melhor não falar das religiões (praticamente todas) e aparente necessidade de se refutar a realidade; a cada dogma, a cada postulado. Homens voam, ressuscitam, fazem milagres, são três ao mesmo tempo (mesmo um tratando o outro pelo seu correto pronome). Um samba do crioulo esquizofrênico.
O que acontece quando tentamos argumentar com a vovó que tem algo de errado nessa história toda? Deus castiga, manda raio, é pecado etc etc etc. Melhor não mexer que o cara é ranheta.
Os espíritos, por sua vez, aparecem de noite. Apagam luzes, batem portas, fazem um fuá danado, só pra ficarmos com um medo da porra. Nenhum aparece de dia e fala numa boa, de preferência num tom de voz bacana, em vez de empregar timbres típicos dos monstrengos do Scooby Doo.
Escolham um campo da atividade humana, e apresentarei a vocês um exército de mentirosos. Mitômanos, mesmo.
Fato é que gostamos de uma mentirinha. Não nos damos bem com ‘a vida como ela é’. Nada disso. Queremos que a vida seja uma missão, que a vida tenha continuação, que a vida seja uma coisa grandiosa.
Somos uns metidinhos do caceta, né?
E aí falamos dos políticos, porque eles se elegem prometendo e terminam o mandato justificando. Não que não sejam em sua maioria safados, mas nós somos o quê? Pergunta pra maioria dos ‘eleitores’ em quem votaram, e não saberão. Ah, saberão? Então pergunte a eles o que anda fazendo tal administrador e/ou parlamentar. Aí a porca dá um nó de marinheiro no rabo.
Do alto (alto? Rárárárárárá) desse contexto filosófico sobre a predominância da mentira nas relações humanas, sobre a mentira como característica preponderante do ser humano, entendo que quando a moça da Telefônica diz pra mim que “setenta e duas horas são na verdade cinco dias úteis” ela está apenas seguindo a natureza.
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transubstanciado por gravata às 28.12.04 | Alguém?
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