SEÇÃO CINEMATOGRÁFICA

02/12/2004

SEÇÃO CINEMATOGRÁFICA

Fui ao cinema quatro vezes nesta semana. Então, obviamente, chegou a hora e a vez de falar dos filminhos. Vamoquevamo:


Celular – Um Grito de Socorro
Esse filme foi detonado pela crítica. Exagero. Não é o melhor filme do mundo, mas está longe de merecer tanto xingamento. É bonzinho, e ao que se propõe é competente. Kim Bassinger está muito bem em seu papel, bem como o galãzinho Chris Evans (é aquele de “Não É Mais Um Besteirol Americano”, o que coloca chantilly no corpo – também fará papel de Tocha Humana em Quarteto Fantástico, a ser lançado em 2005). Aliás, o loirinho de “Não É Mais Um ...” faz uma ponta ridícula em “Celular”.


No filme, uma mulher é seqüestrada e levada a um cativeiro. Lá, um dos raptores destrói um aparelho telefônico para que a moça fique incomunicável. Mas deu azar, pois se trata de Miss McGyver, e ela consegue discar usando apenas a fiação do aparelho (e faz com tanta perfeição que não faz barulhinho em nenhum dos outros aparelhos da casa).


A ligação cai justo no telefone de um playboy espertalhão, que de bunda-mole se converte em Stallone Cobra em questão de minutos, cometendo toda sorte de crimes só porque ouviu sons ameaçadores do outro lado da linha.


Assim, é fácil pensar que o filme é uma merda. Mas não é. Até que fazem um suspensinho bem feito. Como de costume, William H. Macy (aquele boiola de Magnólia) segura o rojão direitinho, bem como o GENIAL Jason Statham (quem viu Penalidade Máxima, na boa, não esquece do glorioso MONK – se bem que por aqui ele é mais famoso pelo papel em “Snatch”).


Em que pese o roteiro às vezes forçado, a trama é bem elaborada, sobretudo porque fala de um assunto que muitas vezes acreditamos ser restrito aos países de terceiro mundo. Qual assunto? Ah, vejam o filme.


Os Esquecidos

Esse é outro que a crítica desceu o pau, e de novo foi uma grande injustiça. Isso porque tudo leva a crer que se trata de uma coisa, mas lá pelas tantas a história se desmembra para outro lado.


O tema adotado pode até parecer batido, mas a primeira premissa, até então evidente, também é manjadérrima. Foi engenhosa a tática de dar um aplique no telespectador.


É difícil falar a respeito da história sem entregar o ouro. O negócio é assistir, mesmo. Julianne Moore vai bem, obrigada, e é a única que faz uma atuação excelente. O resto varia do ‘até que não pisou tanto na jaca’ ao ‘esse sapateou no tomate’.


O que posso garantir é: i) você vai se surpreender com a reviravolta (ok, pode se decepcionar, mas é um prato cheio para quem gosta de filmes que não são previsíveis); ii) você vai levar uns bons sustos; e iii) você vai ver que a Julianne Moore possui 345000056 pintinhas e não 345000054, como alardeou a última contagem oficial.


As Branquelas
Esse sim foi de amargar. Como sou um cara podre, consegui dar muita risada. Mas, porra, que filme merda. Merda em todos os sentidos, porque partiu para a escatologia pura e simples (e foram esses seus melhores momentos).


Cocô daqui, pum dali, e pronto. O resto são diálogos infantis e um roteiro mais esburacado do que a Nove de Julho.


Dois negões se fantasiam de loirinhas. Até aí, tudo bem (tudo bem???); o problema é que as tais loirinhas REALMENTE EXISTEM (no filme, claro). Suas amigas estranham um pouco, mas nem se alarmam – o foda é que ATÉ AS INIMIGAS ACHAM NORMAL.


Deveriam pegar umas loirinhas mais LOIRONAS, pra pelo menos não fazer tanta diferença. Mas não, nem isso. Pegaram loirinhas loirinhas, mesmo, patricinhas americanas.


Ok, no filme do Superman ele voa e ninguém reclama. Então vamos adiante.


Num certo momento, um dos espertalhões está com uma garota, fazendo jantar romântico na casa alheia. Certo. Aí o outro, vestido de mulher, avisa que estão voltando, e ele precisa desocupar a casa.


Tcharam!!!! A cena já pula para uma boate, todos dançando. Isso mesmo! Não tem conclusão alguma, todos estão inexplicavelmente na boate – e por óbvio já é outro dia, o que se calcula pelo adiantado da hora na noite do jantar, sem contar detalhes como roupas e fantasias etc etc.


Mas quem vai ver “As Branquelas” não está atrás de roteiro, lógica etc.


Outro detalhe é que os dois humoristas negros aproveitam para fazer MUITA troça com os latinos. A primeira cena traz a dupla de humoristas negros travestidos de cubanos (parece mais mexicanos, mas vá lá, vá lá), cantando “guantalamelra’ (que já foi um dia Guantanamera). Lembram Cheech & Chong, faltando o detalhe do humor. De lá pro fim, é ladeira abaixo.


Sob o Domínio do Mal

Esse é uma porcaria do começo ao fim. Não sei por que a imprensa não caiu matando, porque é um cocô, daqueles moles, mais fedidos que a média, os famosos cocôs de neném.


Sabem aquele filme do Jim Carrey, que tem uma ‘máquina de apagar pessoas da mente’? Parece que ele fez mais sucesso do que o imaginado. Talvez porque seja um FILME BOM PRA CARALHO.


Explico.


Em “Os Esquecidos”, há algo parecido. Neste filme, Denzel Washington passa por alguma traquitana congênere, bem como seus coleguinhas que participaram da Guerra do Golfo (na época, ele era Capitão, os demais sargento e soldados).


A história começa bem, mas aos poucos vai adotando caminhos mais e mais ridículos. Ao contrário de “Esquecidos”, que se envereda por uma trilha talvez batida, mas pelo menos surpreendente, esse daí vai pelo caminho ao mesmo tempo imbecil e óbvio, ao ponto de usar recursos pra lá de idiotas.


Bom, nos próprios diálogos do filme tudo é retratado como idiotice, para se ter uma boa noção da baboseira.


O mais inacreditável é que se trata de uma refilmagem. A princípio, a história retratava o autoritarismo soviético; agora, segundo os próprios produtores atuais, a idéia era criticar o governo americano.


Uh, que meda! Sem efeito, né?


Merryl Streep já não é mais aquela (o resto da música vocês completam por aí), e o elenco é bem idiota.


Vão aos cinemas, verifiquem. Mas esperem pelo pior.


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Antes que seja tarde: Eu sei que sessão de cinema se escreve com ‘ss’. O ‘ç’ do título é porque, neste caso, não me refiro à exibição de um filme (sessão), mas sim à divisão (secção), separação temática, como ocorre em revistas, por exemplo.


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