SOBRE QUADROPHENIA (O FILME), JAZZFUNK E PORMENORES BEM MENORES MESMO

10/11/2004

SOBRE QUADROPHENIA (O FILME), JAZZFUNK E PORMENORES BEM MENORES MESMO

Lembro que faz tempo. Faz muito tempo. Era bem tarde, fui ver o que passava no Corujão, na Globo. Peguei o filme ‘começado’, era sobre um moleque meio rebelde. Pelo menos assim parecia nas primeiras cenas.


A história foi se mostrando cada vez melhor. Era um filme inglês, o que se percebia pelas paisagens urbanas (não há sotaque britânico nas dublagens do Herbert Richers).


Em geral, pelo que captei daquilo e principalmente pelo que me lembro, aquele filme maluco tratava da história de um moleque, então inserido num contexto de ‘turma’, que depois de uma verdadeira saga encontra o bam-bam-bam, o fodão, trabalhando burocraticamente (acho que era num hotel ou restaurante).


A obra trata da decepção da molecada quando começa a crescer; aquela coisa de ‘porra, então todo o movimento era pura balela comercial’ (mais ou menos como o segundo baque, aquele dos que acreditam em ideologias políticas).


Tudo gira em torno de um personagem central (alguém conhece uma frase mais clichê do que essa pra tratar de uma obra?) que faz parte de uma turma de MODs. A geração MOD (mais a respeito, adiante). Passa o tempo, e a galera se dilui. O carinha fica com a maior cara-de-cu do planeta.


A última cena, quando esse mesmo moleque decepcionado furta a lambreta do ex-fodão, na boa, é seguramente o melhor final de filme que já vi em minha vida. Remete à cena final de Butch Cassidy & Sundance Kid, mas, curiosamente, supera este em lirismo e bem mais em crueza.


Fui saber, depois, que o filme era baseado numa espécie de ópera-rock do grupo The Who. Meu grande chapa JazzFunk é que deu um toque a esse respeito, justamente quando falávamos a respeito do tal “Movimento MOD”, que é algo praticamente desconhecido aqui no Brasil.


Acho que os “MODs”, esteticamente, são bem parecidos com esses meninos ricos que tentam parecer feios e mal vestidos. Ele e os MODs são igualmente imbecis.


No caso dos ingleses da década de sessenta, a idéia era, mesmo diante da pobreza e outros que tais, usar sempre roupinhas bonitas e abotoadas, sem vexames, sem carinha de proletário.


Os de hoje fazem o mesmo. Colocam roupas esculachadas, bagunçam a maquiagem, fodem o cabelo, aproveitam que normalmente têm rostinho de alien e terminam de foder a bagaça.


A grande diferença, a meu ver, é que esse pessoal do MOD deixou um legado chamado The Who, e os mendigos-chiques, até agora, não deixaram nada. Pode ser que seja cedo, a ver.


Bom, tudo isso é bobagem. O negócio é que lançaram o DVD de Quadrophenia; e recomendo a todos que vejam. Os que já viram vão concordar que se trata de um filme maravilhoso. Indispensável, chego a dizer.


E também gostaria de registrar em ata que JazzFunk anda meio sumido, o que é péssimo. Vê se aparece, caraca.


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transubstanciado por gravata às 10.11.04 | Alguém?



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