SOBRE “TRÓIA” E OUTRAS DELIBERAÇÕES
18/06/2004
SOBRE “TRÓIA” E OUTRAS DELIBERAÇÕES
Como sempre, deixei para depois. Fui ver "Tróia" somente hoje e gostei muito. O filme é muito bom. Muito além do que esperava, e infinitamente melhor do que as críticas em geral.
A história toda é contada por Ulisses. Isso não fica assim tããããão claro no filme, mas pode-se notar pela construção dos mitos. Pessoas de carne-e-osso são transformadas em lendas, e talvez uma das idéias do argumento tenha sido exatamente a desmitificação dos nomes.
Tudo aquilo que de visceralmente humano Mel Gibson colocou em seu Jesus para justificar sua santidade, Tróia coloca nos seus heróis exatamente para ratificar sua humanidade (o que, pra mim, soa muito mais lógico).
Notei que alguns mitos foram incluídos na história supostamente 'real' (Tróia nem mesmo existiu, é tudo criação mitológica) para simplesmente glorificar os homens que dela participaram.
Ulisses, nosso narrador, teve a idéia do Cavalo de Tróia ao ver um soldado esculpir um cavalinho para seu filho. O mito que ficou, porém, diz que ele conversou com a própria Minerva (não o detergente, mas sim a deusa da sabedoria).
Aquiles, cujo mito diz respeito ao calcanhar (ou tendão, pra quem gosta de ser exato), na verdade foi pro brejo depois de trocentas flechadas. Mas como ele as foi arrancando uma a uma, sobrou apenas aquela do tendão e... tcharã! os soldados assim o encontraram. Fica a lenda de que o grande herói tinha um 'ponto fraco' capaz de levá-lo a morte, sendo que o resto de seu corpo seria invulnerável.
E, por fim, Heitor. Era gente boa, tinha mulher e filho, amava seu país e agia com responsabilidade. Levou um cacete de dar dó, sem ter a mínima culpa no cartório, por conta de uma guerra provocada por seu irmão. Apanhou pra caceta e NÃO VIROU O INCRÍVEL HULK.
Falando sério, o filme é bom. As batalhas são bem feitas, os diálogos estão longe da pieguice imbecil dos filmes épicos; veja-se o patriotismo de Heitor contraposto à visão bem particular de seu irmão caçula, bem como a crença do rei de tróia contraposta ao pragmatismo de Heitor.
E tem Aquiles, que luta declaradamente em busca da cravar seu nome na história. A imortalidade que promete a seus homens é a posteridade. Quem lhe prometeu isso foi Ulisses, nosso suposto narrador, que afinal de contas honrou a palavra.
Não que isso seja exatamente um elogio, mas é bem melhor que Gladiador.
Bônus Track: O Cinema
Em vez de ir ao Aeroclube ou Iguatemi, shoppings com salas super modernas, digitais e com aqueles sacos de pipoca com capacidade de 300 quilos, fui ao cinema do Shopping Barra.
Cacetada!
Vamos começar daqueles assentos de couro, que ficam num patamar intermediário entre poltrona e cadeira. Muito dureza.
Tinha um velho que estava DEITADO, com direito a colocar os dois pés num assento, e a bunda no do lado. Inacreditável. O velho comentava algumas passagens do filme falano sozinho (mas tão alto que praticamente falava com todos nós), e também tava o famoso tossirro (aquela coisa típica de algumas pessoas, que mistura tosse com espirro e faz um puta barulho).
Quanto à parte técnica, bem... A tela é um pouco maior que uma TV 29". O som deixou um pouco a desejar. Fora que, no meio do filme, ouvíamos o telefone da sala de projeçào. Na primeira vez que tocou ficou um clima estranho, pois achei que Heitor fosse atender.
O preço, porém, é bem atraente. Com carteira de estudante, sai quatro mangos e um saquinho de pipoca de brinde.
Acreditem, o Shopping Barra é o chique, tipo um Iguatemi (paulistano). Porque aqui também tem um Iguatemi, que não é chique como o de Sampa, mas tem um cinema que mata a pau; a mesma rede UCI cujas salas estão, também, no Aeroclube.
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transubstanciado por gravata às 18.06.04 | Alguém?
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