O POBRE NA CHURRASCARIA

08/06/2004

O POBRE NA CHURRASCARIA

Já falei mais de uma vez sobre as churrascarias. Falo delas novamente agora, e acredito que falarei mais algumas vezes; afinal de contas, não há outro tipo de recinto, atualmente, que reúne uma fauna tão variada.


Os sushis são uma praga, é verdade, mas os tipinhos dali são limitados: os mesmos idiotas de sempre, como outrora apregoava o “expediente” da MAD.


McDonalds, pizzarias, lanchonetes metidas a gringas (Friday’s, Outback, Hooters...), enfim, nada disso ainda é capaz de congregar uma turminha tão diversificada quanto a das churrascarias.


E agora chegou a vez dos pobres. Sim, eles têm vez na churrascaria, e agora terão também neste espaço.


Vejamos como se comportamos pobres nos ‘quatro atos’ de uma refeição em churrascaria.


Bebidas
Assim como nas sobremesas, é preciso diferenciar como se comportam quando estão pagando e quando estão por conta de outrem.


Ele pagando:

O pobre, quando paga, evita ao máximo consumir muita bebida. Quando o faz, é para tomar UM chope ou UM refrigerante. Como o negócio é fracionado, a alternativa é deixar para os finalmentes.


Outro pagando:
Quando é outro quem paga (em geral, a empresa em que trabalha, promovendo alguma confraternização babaca), o pobre faz tudo que não pode. Mas, como é pobre, sua saciedade está mais ligada ao fato de poder consumir coisas caras, do que coisas gostosas. Um exemplo disso é o SUCO DE LARANJA. Pobre acha chique tomar suco em churrascaria, porque o suquinho custa sempre mais do que o refri. E dá-lhe jarrinhas sobre a mesa.


Buffet

Pobre só come maionese porque somente conhece maionese. Isso é fato. Olha atravessado para o champignon, passa batido pela alcachofra, nem toma conhecimento do tomate seco, recusa a endívia, mas cai de cara na maionese. Faz aquele pratão e volta gargalhando pra mesa.


Carnes
Pobre só come picanha. Acha que com isso está sendo espertalhão, então dá risada dos que aceitam as primeiras carnes. ‘É para enganar!’, diz o pobre, acreditando que descobriu a América ao mostrar seu conhecimento acerca das táticas dos rodízios. Quando passa o cara da picanha, ele logo manda descer vários cortes. Pobre é pobre, então jamais vai conhecer o sabor de cortes como a fraldinha. Nada disso. Picanha, picanha, picanha. Outra máxima dos pobres, que sabem tanto de carne quanto o Stephen Hawking de sapateado: “para sentir o sabor da picanha tem que comer com a gordurinha”.




Sobremesa
Mais uma vez, seu comportamento varia de forma diametralmente oposta.


Ele pagando:

Nada de sobremesa. Por mais que sua pitchula namore a torta de morango, ele resiste bravamente alegando que o melhor é sair dali e tomar um sorvete em algum outro lugar. Claro, claro... Meninas que já namoraram algum durango kid devem ter passado por isso.


Outro pagando:
A coisa muda de figura. Pede torta holandesa ou pavê. Pobre não sabe comer outra coisa. De uns tempos para cá, entraram naquela onda do creme de papaia com licor de cassis. Um pobre que não peça torta holandesa nem pavê é o mesmo que um porteiro em São Paulo que não se chame Severino ou Raimundo (até deve existir, mas ninguém nunca viu).



Mas e aí, cambada? Algo a acrescentar?


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transubstanciado por gravata às 08.06.04 | Alguém?



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