ALGUÉM TEM QUE CEDER

20/05/2004

ALGUÉM TEM QUE CEDER

Sou um cinéfilo irregular. Minha irregularidade não se dá pela variação dos filmes. Nesse ponto, é claro, sou regularíssimo: sempre vejo filmes legais. Nada de punhetas ‘cult’. Vejo filmes que, acredito, são bons.


Obviamente, quebro a cara em muitas ocasiões.


Sou irregular porque vejo pré-estréias e também filmes que já estão saindo de cartaz. Esse aí, ‘Alguém tem que Ceder’, acabei vendo porque não seria mais possível ver ‘Tróia’ num horário decente. Tudo lotado (e era terça-feira!).


Valeu a pena.


Ver Jack Nicholson em mais uma comédia romântica foi muito bom. Serviu para tirar o trauma de sua atuação em “Tratamento de Choque” (na boa, ele estava bem ruinzinho ali) e deixar claro que se trata do melhor ator do mundo. Não é uma hipérbole de jornalzinho de bairro. O cara é mesmo o grande fodão.


Por outro lado, há o fato de que todos os atores praticamente fizeram papéis de si mesmos. Nicholson, Diane Keaton e Keanu Reeves não precisaram de laboratório algum para ‘compor a personagem’. No caso de KR, deve ter sido moleza ‘parecer insosso e inexperiente’. Seria algo como pedir para o Samuel L. Jackson ‘fazer cara de negão bravo’.


Aí é que está o talento. Quando o cara faz sempre um papel, é normal que encarne aquilo ali e tire de letra. Como se fosse um seriado desses famosos, mas gravados em forma de filme. Não é o caso de Jack Nicholson. Ele é sempre o sabichão, mas cada sabichão tem um jeito diferente. Com exceção daquela risada, capaz de ser exagerada até para o Coringa.


Mas o filme tem um roteiro muito bom. Claro que com lances de ficção (o romance da Diane Keaton com Keanu Reeves é tão crível quanto o vôo deste último em Matrix).


Os diálogos são excelentes, sem contar as situações formidáveis e engraçadíssimas. Finalmente, eu diria, uma comédia romântica que é tão comédia quanto romântica. Não é água com açúcar. Se não foi ao cinema, NÁO PERCA QUANDO CHEGAR À LOCADORA.


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transubstanciado por gravata às 20.05.04 | Alguém?



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