CRÍTICA CULINÁRIA: SALGADINHOS

10/04/2004

CRÍTICA CULINÁRIA: SALGADINHOS

Muitos já devem ter reparado na minha pança (não é preciso uma lupa para tanto, infelizmente). Isso se deve, além de minha preguiça irrecuperável, ao fato de que sou um apreciador da culinária. Boa culinária.


Desde sempre gostei daqueles pratos complicados e conheço o gosto dos mais remotos temperos. Mas minhas aptidões como gourmet não se resumem a esse paladar sem igual.


Adoro tranqueiradas.


Creio que o mercado das críticas culinárias é muito carente no que diz respeito às opiniões sobre bobagens e acepipes sem muita qualidade alimentícia. Precisamos dar um jeito nisso, e eu faço minha parte falando dos salgadinhos a seguir. Vamoquevamo!


Cebolitos
Era meu favorito. Relançado recentemente, perdeu boa parte de sua graça, haja vista que a “graça” dos salgadinhos está atrelada à nostalgia. Cebolitos, a exemplo de qualquer outro salgadinho, não tem nada do paladar estampado na embalagem. Mas é gostoso mesmo assim. Fora que os dedos ficavam cheios de farelo, sal e outras tranqueiras. Era aquela puta bagunça.


Baconzitos

Favorito do meu irmão, eu achava uma porcaria. Lembrava muito aquele “couro” que se vendia em semáforos. Mas dava para quebrar o galho quando não tinha cebolitos. A meu ver, o Banconzitos era um salgadinho meia boca, sem grande produção. Mas tinha – e tem – seus fãs.


Zambinos
Muito gostoso e de várias utilidades. Como era circular, já foi muito usado como “rodinha” em carrinhos de papel. A molecada procurava quatro do mesmo tamanho, ou dois grandes e dois pequenos para causar o “efeito dragster”. Era gostoso de comer também.


Fandangos

Tinha o tradicional, o queijo, presunto etc etc etc. Já ouvi falar que rola até um “fandangos bife”. BIFE!!!!!!! Foda, né? Perverteram, subverteram, vilipendiaram uma instituição. Mas eu quero que se foda, porque o Fandangos é feito com aquela massa ainda mais chulé, que todas as outras marcas desconhecidas também usam. O “oficial” é mais crocante porque passa por um processo industrial mais casca-grossa.


Sticky
Ninguém gosta do Sticky. Esse salgadinho é a bossa-nova dos salgadinhos. Aquela coisa ruim, sem muito sabor, sem graça alguma, mas que possui adeptos vorazes. Não dá para entender. Uma grande porcaria. Quem come sticky é viado (não é preciso conhecer rudimentos da psicologia para saber que aquilo é um símbolo fálico).


Pingo D’Ouro

É bom e ruim. Ideal para a sala de aula, porque o saquinho é pequeno e rende bastante. Além de não fazer muuuuuito barulho. Mas era ruim porque era bem seco e duro. Tinha seus adeptos. Pingo D’Ouro, assim como o lamentável Sticky, era também comprado pelos pais para acompanhar na breja. A molecada, que numa primeira fase de pilantra ainda não bebia aos montes, roubava a despensa para faturar o salgadinho. Depois, mais velhos, os meninos aprendem a roubar a cerveja mesmo.


Cheetos
Uma bem sucedida forma de se produzir chulé em forma de salgadinho. Chulé crocante farelento? Seu nome é CHEETOS. Quando um sujeito abre um saco de Cheetos no Brás, alguém da Vila Formosa reclama que soltaram um peido. Impressionante. O da bolinha então, putaqueopariu, parece aquele peido de quando vamos soltar um cocô fantástico. Aquele último, de quando a bala cai na agulha, o charuto cai no beiço e assim por diante. Possuía variações: tradicional, tubinho, bolinha, requeijão. Todos com a chancela do chulé crocante.


Ebicen

Esse é um caso engraçado, pois eu não gostava, mas na Faculdade voltei a gostar. Quando criança, assim como todos os demais que não tinham paladar de avestruz famélico, eu ODIAVA o Ebicen. Tínhamos opções como o Cebolitos, Zambinos e Doritos, para que comprar aquela merda, né? Mas, depois na Faculdade, meu amigo Bira sacou um EBICEN!!!!, e mandou brasa. Todos caímos na gargalhada e, imbuídos do clima saudosista, tornamo-nos entusiastas da guloseima.


Nabisco
Quando surgiram os salgadinhos da Nabisco, eu lembro que eram três: Le Bon Couter, Ble Dore e Le Vizigod (bacon!). Diziam-se “feitos com as mais deliciosas receitas européias”, mas tudo que sei é que eram caros. Bem caros comparados aos outros. Depois sei lá o que houve, mas foram ficando sem graça. A musiquinha do comercial eu sei até hoje.


Doritos

Meu favorito de todos os tempos e, graças aos Céus!, ainda fabricado. Muito bom. A imitação chinfrim dos nachos mexicanos é muito boa. Obviamente, gosto do temperado. Logo que surgiu, comprei dois pacotes (impressão minha ou antigamente eles eram maiores?), e comi tudo de uma vez. Fiquei com uma dor de barriga infernal, mas me senti muito satisfeito.


Qual seu favorito, leitor? Está na lista ou eu me esqueci?


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