MEL GIBSON: O GOLPE DO ARAMAICO

06/03/2004

MEL GIBSON: O GOLPE DO ARAMAICO

Logo mais teremos o prazer (uh...) de conhecer a versão de Mel Gibson a respeito da denominada "Paixão de Cristo", ou seja, os últimos momentos de vida do patrono da religião mais 'famosa' do mundo(embora, talvez, nem seja aquela com maior número de adeptos).


No filme, Mel Gibson, estreando como diretor e distorcedor de fatos, resolve jogar lenha na fogueira do anti-semitismo. O filme reforça a tese de que "quem matou Jesus foram os judeus".


Bom, vamos por partes.


Em primeiro lugar, Jesus era judeu. Todos ali eram judeus (com exceção dos invasores romanos, e só faltava mesmo eles erem tratados agora como bonzinhos). A questão geográfica faz com que seja IMPOSSÍVEL um tupi-guarani ou iorubá, ou até mesmo um Viking, por exemplo, ter participado da sentença de morte de Jesus.


Além disso, parece que ele se sacrificou. Não é preciso ser nenhum doutor em Doutrina Cristã para saber disso. Ele se sacrificou, segundo os Cristãos, para salvar a alma dos demais - ou, para os adeptos da verdadeira Doutrina (não que eu acredite nisso, aliás, não acredito mesmo, mas é a verdadeira doutrina, ou seja, a original), Jesus redimiu a humanidade do Pecado Original.


Pagou por Adão e Eva terem comido do fruto proibido (que não tem nada a ver com maçã nem com sexo, diga-se).


Mas Mel Gibson soube incluir um detalhe em seu filme que acaba dando "aura de veracidade" a todo o resto. Não sei se fez isso a propósito, mas o efeito psicológico coletivo é exatamente esse: o filme é fiel à realidade.


O segredo foi fazer os atores falarem em aramaico e latim. Com isso, supõe-se que o dito cujo pesquisou ao máximo e decidiu fazer uma coisa extremamente verossímil, o que não é verdade. Seu roteiro se baseia, a princípio, nos evangelhos.


Um evangelho é mais ou menos como a história do Elvis Presley contada pelos Presidentes de seus fãs-clubes. Será que são historietas tendenciosas? Tirem suas próprias conclusões.


O pouco do "Jesus Histórico" que me chegou fez com que admirasse bem mais essa figura humana, e verdadeiramente corajosa, do que aquela figura mítica divulgada pelos evangelhos. Mas a grande maioria prefere as histórias fabulosas em vez de admirar pessoas de carne-e-osso.


Mas é isso aí. A jogada foi boa do ponto de vista do marketing, inteligentíssima quanto à psicologia coletiva, mas horripilante no que diz respeito à harmonia entre as religiões. E, talvez atualmente mais do que nunca, é preciso um pacto entre todos os líderes religiosos para, pelo menos, não haver tanta animosidade entre fiéis.


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transubstanciado por gravata às 06.03.04 | Alguém?



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