SOBRE HÉLIO FERNANDES E BINGOS

01/03/2004

SOBRE HÉLIO FERNANDES E BINGOS

Meu tio liga hoje, agora há pouco:


- Rapaz, você tá vendo esse negócio do bingo? Tá acompanhando, né?


- Tô sim... Hoje teve manifestação...


- Então, já viu os números do desemprego?


- Vi uma faixa. Uma porrada.


- Isso mesmo! Uns 320 mil empregos perdidos.


- Muita coisa, né?


- É marmelada! Não tem tudo isso! São mil bingos. Por acaso cada um tem 320 empregados? Claro que não!


- Porra! É mesmo... Não sabia o número de bingos.


- O da Santa Clara não tem mais que quatro. O Pedra 90 deve ter uns dois. Olha quanta gente já sobra pros outros...


- Rárárá!!! Uma vez tava com amigos do trabalho, passando em frente ao Bingo Cidade Jardim, e então vimos a faixia: 'aqui jaz (*) 320 mil empregos'. Logo emendei: caramba, não sabia que esse salão fosse tão grande!


- E você viu aquela gente toda com Carteira de Trabalho, chacoalhando?


- Vi sim, na TV... Vi agora há pouco.


- Quantos deles eram mesmo registrados? Vamos ver quantas carteiras ali têm o registro.


- Acho que poucos.


- Bom, mas é isso aí... Coloca no seu site esse negócio dos bingos. Essa conta tá errada, coloca lá!



Pensei em colocar mesmo aqui, mas fui procurar saber o número de bingos, só para não cometer gafes. Empreitada difícil. A ISTOÉ publicou matéria que é uma verdadeira felação em letra de forma (amenizando o termo do Jaguar). A Abrabin não dá o número.


Fui achar no genial Helio Fernandes. Aliás, preciso falar sobre ele qualquer dia. Afinal, o PATRONO do Imprensa Marrom merece textos periódicos.


Mas, enfim, não é que o dito cujo já falou o que eu iria dizer? Vejam a notinha publicada em sua coluna:


"Os donos dos caça-níqueis (escondidos atrás dos bingos) dizem que nas mil casas de jogo do País "mais de 300 mil ficarão desempregados". Seria necessário que cada cassino desses tivesse 300 empregados. Muitos funcionam com 5 ou 6, é tudo automatizado."


Em cima da pinta. Boa parte dos outros jornalistas devem odiar a idéia de conviver no mesmo mundo que Hélio Fernandes. Enquanto eles - os incomodados em questão, que infelizmente são maioria - se vendem e publicam o que os editores mandam, sem corar por isso, o outro, jornalista de verdade, não aceita esse tipo de cabresto.


(*) "Jaz", mesmo, em vez de "jazem.


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