POR QUE EXISTEM OS FILMES MUSICAIS?

23/01/2004

POR QUE EXISTEM OS FILMES MUSICAIS?

Uma vez Lobão falou que seria impossível alguém gostar de Bossa Nova. Eu, claro, concordei. Não dá para gostar daquilo. É chato demais, uma coisa babaca pra cacete. Mas - acreditem!!! - conheço gente que gosta.


Claro que alguém também deve gostar de filmes musicais. Eu acho uma bosta, porque é mesmo uma bosta. Uma merda das moles e horrivelmente fedidas.


Tenho meus motivos:


História Cortada
Gosto de filmes porque gosto de boas histórias. Não vou ao cinema em busca de novas linguagens, novos diretores, ou qualquer outra punheta artística. Já fui disso, mas aos dezenove anos - fui precoce, não? - notei o que era bacana e o que era empulhação pseudo-intelectual.


E tem algo pior do que uma história ser CORTADA??? Ah, depois volta? Pau-no-cu! Cortaram e perdeu a graça! Você tá lá, empolgadão com a trama, de repente algum panaca começa a cantar e até voltar ao ponto em que estava rola alguma música ridícula. Inaceitável.


Figurantes Idiotas

Uma das regras de ouro do cinema, e também da dramaturgia televisiva, é o fato de que os figurantes não podem se manifestar muito. É sempre aquela coisa discreta. Olhar para a câmera, então, nem pensar. Nos musicais ocorre o inverso.


Basta alguém começar a música, para os figurantes se transformarem em partícipes ativos. Jesus!!! E dança daqui, pula de lá, levanta o chapéu, batem com a bunda um no outro, dão cambalhotas. Ou seja, fica patético. Depois, tudo volta ao normal. Algo me diz que a idéia de "flash mob" nasceu desses musicais.


Coreografias Inaceitáveis
Não gosto de dança. Mas tenho condições de saber o que é uma coreografia bacana. Por mais que eu não goste, sou obrigado a reconhecer quando se trata de bailarinos ou bailarinas competentes. Mesmo aquelas invencinices de Debora Kolker eu acho legal. Mas os musicais extrapolam.


Sobem no balcão, viram cadeira, se arrastam pelo chão, rolam da escada. Todos os elementos cenográficos se transformam em instrumentos de dança. Fora o fato de que aquele povo, aparentemente desconhecido, já tenha uma coreografia ensaiadíssima. Uma imbecilidade muito bem lembrada pelos mestres de "Top Secret".


Músicas Chatas

Podemos contar nos dedos das mãos - e isso vale até para o Lula - todas as músicas REALMENTE BOAS de musicais. De resto, meus chapinhas, pura empulhação. Algumas se tornaram clássicos, e hoje são executadas em festinhas e até bailes de formatura. Mas em filmes ESTRITAMENTE MUSICAIS, há poucas canções empolgantes.


Os "conhecedores" ficarão de cabelo em pé. Mas como??? Tem aquela do... Tem as músicas do... E aquelas do... Sim, sim, sim. Fique com elas para você, e apenas as ouça em um walkman, de preferência num lugar ermo.


Tudo Leva à Música
Acho engraçado que, nos filmes de foda, tudo leva ao sexo. As tramas são superficiais, praticamente sem argumento, e todas as circunstâncias desembocam no sexo. Faz sentido. Ninguém pega um filme pornô para ver historinha. Querem é ver AÇÃO, e os roteiristas até tentam colocar uma mínima lógica naquilo.


Isso também acontece nos musicais. Lá pelas tantas, percebe-se que os roteiros são bem borocoxôs. Caberiam num filme do Festival do Minuto. O herói anda um pouco, fala duas ou três coisas, e logo começa a cantoria. A música acaba, seguem diálogos meia-boca, alguma outra açãozinha limitada, e tome mais musiquinha chata na orelha.



Fica o protesto: SUMAM DAQUI COM OS MUSICAIS!


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transubstanciado por gravata às 23.01.04 | Alguém?



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