VAI PROCURAR SUA TURMA!
14/01/2004
VAI PROCURAR SUA TURMA!
Aqui no prédio, quanto todos tínhamos por volta de treze, quatorze anos, nossa turma era imensa. Os jogos de futebol, aos domingos, contavam com uns seis times. Uma coisa impressionante. Muita gente, mesmo.
Na escola, sempre, as turmas chegavam a ter vinte, trinta pessoas. Uma gentarada sem noção. Todos juntos, em eventos dos mais variados. Isso se repetiu na Faculdade, com especial destaque ao último ano - até os mais idiotas resolveram participar de viagens, idas ao forró e afins.
Mas cadê essa gente toda?
Pois é... As "turmas" decorrem de circunstâncias independentes da vontade dos "enturmados". Ninguém "escolhe" a turma da escola, nem a dor prédio ou da rua.
As grandes turmas de outrora "desaparecem" porque, com o tempo, o que era "força-maior" passa a ser superável. Os amigos da rua eram sempre aqueles porque não rolava uma caranga (ou não se tinha autonomia para pegar conduções nem carona com facilidade) para ir a outros bairros, ou até cidades.
Os da escola, por motivos também óbvios: não se pode "andar" com uma galera de outro colégio. Ou convive-se com os panacas de sua escola, ou então você fica isolado - ou seja, o panaca passa a ser você.
O tempo passa, e a escola acaba. A Faculdade acaba. E as galeras são substituídas por aqueles que REALMENTE eram amigos; ou seja, um grupo de três ou quatro (por "bloco", digamos assim). Não foge disso.
Um diálogo comum entre ex-colegas de Faculdade:
- E aí, tudo bem?
- Tudo jóia...
- Tem visto o pessoal?
- Ah... A turma, não vi mais... Mas tenho falado com Fulano e Beltrano. E você?
- Eu falo sempre com Sicrano.
Normal. Nas turmas, tem sempre aqueles micro-grupos. Esses grupelhos, constituídos sim de verdadeiros amigos, acabam por se manter - a despeito da tal "turma", que se dissolve por razões pra lá de óbvias.
Uma coisa boa das amizades, aliás, é que não convivemos com os amigos. O ideal é vê-los de vez em quando. E só. Essa coisa de amizade-grudada não dá muito certo. Porque as pessoas são todas, sem exceção, muito insuportáveis.
Por isso que os amigos são bacanas, enquanto os familiares são sempre chatos.
Como vemos os amigos de vez em quando, as chatices não aparecem em demasia. Quando elas aparecem, tudo é tratado de forma cômica. Coloca-se algum apelidinho engraçado no camarada, e tudo está resolvido.
A "dica do verão", portanto, é não cair na roubada de "dividir um apê" ou "montar uma sociedade" com seu melhor amigo ou melhor amiga. Não façam isso. Só servirá para estragar a amizade. É sério.
Aí alguém diz: ah, mas tenho ainda milhares de amigos e amigas. Eu desconfio dessa gente. Sempre tomo muito cuidado com essas pessoas que têm muitos amigos..
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transubstanciado por gravata às 14.01.04 | Alguém?
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