ARISTÓTELES, BEATLES E MARCO AURÉLIO
29/12/2003
ARISTÓTELES, BEATLES E MARCO AURÉLIO
Gostaram da trinca lá em cima? É uma das poucas trincas formadas por seis pessoas. Não é puxa-saquismo, até porque sou contra isso. Mas explico o que quis dizer com aquela gradação.
Toda a filosofia ocidental foi pavimentada por Aristóteles. Ele não foi o primeiro; com Platão, partilhou dos conhecimentos de Sócrates, a eles transmitido pela oralidade (entendam como queiram).
Os pré-socráticos, restabelecidos dignamente por Nietzsche, ajudaram muito na formação do pensamento de Sócrates, da forma que este também ajudou Aristóteles. Mas foi o protegido de Alexandre, o grande (mais uma vez, a hermenêutica é livre), o Sábio de Estagira, que firmou nosso "modo de pensar".
Por mais que Freud tente dizer a respeito de nossas manias, taras e fobias, o método pelo qual formulamos pensamentos, sejam os bons ou ruins, é obrigatoriamente aristotélico. Louco isso, não? Mas é a pura verdade. A sucessão de etapas por que passam as idéias foi primeiro por ele formulada.
Com óbvias (e saudáveis) ressalvas, muitos dizem que todos os demais filósofos são OBRIGATORIAMENTE influenciados por Aristóteles. Até (e talvez principalmente) os que o refutam.
Mudando de pato ao tucupi para foie gras, chegamos aos meninotes de Liverpool. Aqueles quatro camaradas, que faziam um sonzinho básico imitando Chuck Berry e outros tantos, simplesmente reformularam a música popular do Planeta Terra.
Ninguém mais, depois dos Beatles, pode fazer música popular sem por eles ser influenciado. Direta ou indiretamente. Popular, claro, no sentido mais barato da palavra: música do povão (não naquele sentido - o correto - de música não-clássica).
Talvez haja algum tocador de cítara nos confins da Índia que não tenha a mínima influência dos Beatles (ironicamente, nesse hipotético caso, ocorreu o contrário). Também não duvido de violeiros nos rincões do Brasil que não saibam bem do que se trata.
Mas quem quiser tocar um "rockinho", "reagguinho" ou algo do gênero, mesmo "rap", acaba inevitavelmente esbarrando (eu diria "BATENDO VIOLENTAMENTE DE FRENTE") com a influência dos Beatles.
Metaleiros furiosos não gostam disso. Recusam-se a tolerar o fato de que seu som nervoso tenha origem naqueles quatro panacas com cabelo tigelinha. Fanáticos da MPB (essa gente idiota que compra discos do Zé Rodrix), por seu turno, consideram um raciocínio simplista.
Então tá, deixemos que esperneiem. Mas é fato.
Quando passei a realmente conhecer os Beatles, ou seja, quando percebi que havia música entre "Twist and Shout" e "Let it Be", sobretudo contextualizando cada canção em seu devido lugar no tempo, notei que eles "inventaram a roda" da música pop.
O mais incrível é que em momento algum se fizeram de gênios. Nunca. John Lennon morreu enaltecendo Chuck Berry como o grande criador do rock. Algo como Aristóteles dizer que o verdadeiro filósofo cora Anaximandro.
Chegamos ao Marco Aurélio.
Quando comecei com esse negócio de blog, logo vi que havia uma turminha. Eram os tais "blogueiros". Do pouco que vi (estamos falando do ano de 2001), gostei pouco ou nada. Preferi não me identificar com aquilo, e logo minha empáfia tratou de considerar o Imprensa Marrom como um blog-não-blog.
Na primeira oportunidade, o IM virou site (quer dizer, continuou - e continua - blog, mas com ponto-com-ponto-br).
Certo dia, nossos 50 visitantes diários se transformaram em absurdos 300. Assim, do nada. Trezentos birutas entraram no blog (a idéia de colocar um contador surgiu no início de 2002 - ocasião em que também colocamos comentários - sim, sim, era um blog precário ao extremo).
De onde teria vindo essa gente toda? O contador de acessos informava que vinham de um tal Jesus me Chicoteia. Lembrei de ter visto link para lá em outros blogs que lia (e a essa altura lia o Persegonha com certa regularidade). Aliás, foi justamente comentando uma indicação do Persegonha que o Marco Aurélio nos "linkou".
Gostei muito daquele blog, principalmente do comentário deixado pelo autor, Marco Aurélio, deixou lá no Imprensa Marrom (era um texto tirando sarro com o Caetano Veloso, sobre ele ter dito que um segundo turno entre Lula e Garotinho seria algo "perigoso").
Passei a ler com regularidade o "Jesus me Chicoteia". Notei que muita gente lia. Muitos amigos, gente que conhecia havia tempos, lia aquele blog. Eu, o idiota, não.
Por meio do Marco, conheci todo o pessoal do Neurônio Descontrol, que vem a ser (desculpem, mas links a essa altura não dá mais): Drex, Maninha, Camila, NatyGirl, Marcela, JazzFunk, ReOx, Lilla, Róbers, Rods (se eu esqueci de alguém, sentei feio na graxa).
Pessoalmente, eu os conheci antes do Marco. Mas eles só vieram a me conhecer porque alguns dos integrantes, por meio do link do "Jesus me Chicoteia", vieram a manter contato comigo.
O mesmo ocorreu com muitos outros "blogueiros" com os quais mantenho contato. E gente que não tem nada a ver com os blogs. Uma figura fantástica como o Tonon, por exemplo, só conheci por causa do Marco Aurélio.
Mas o melhor é o seguinte: eu conheci a minha linda por causa dele. Ela já tinha visto o CanetaBic, e inclusive comentado, mas foi sua (dele) ida a Curitiba que possibilitou o contato entre nós (eu e ela) e bla-bla-bla.
Mas cadê a relação com os Beatles e tudo mais? Ah, peraí... Tava só contando a historinha...
Não há blogueiro que não escreva expressões de Marco Aurélio. Lembrei disso (vejam como a cabeça vazia é o armazém do capeta) após o "Bah" no título do texto abaixo. Outras expressões são dele, como "bagarai" e afins. Não sei precisar quantas sejam.
Talvez algumas nem foram criadas pelo Marco, mas sem dúvida ele as difundiu.
Seu estilo é copiado (proposital ou involuntariamente) por muitos outros. Não foram poucas as vezes em que no meio de um texto pensei em puxar um link para o Marco Aurélio, de tanto que o estaria imitando (sem saber) no estilo.
Ele foi o primeiro? Não, não foi. Houve blogueiro anterior. Talvez (e isso é muito provável), alguns que o influenciaram (e outros tantos que até hoje o devam influenciar). Mas sua capacidade de difusão, aliada (é conseqüência...) a seus ótimos textos, faz com que todos nós que o lemos diária ou eventualmente, empreguemos expressões, idéias, estilos ou outros que tais típicos de sua escrita.
Pois é, meu chapa. Puxei mesmo seu saco. Mas você merece. Não é qualquer blogueiro que já dormiu tantas noites comigo. Feliz ano novo para você.
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transubstanciado por gravata às 29.12.03 | Alguém?
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