SOBRE ALGUNS DAQUELES HUMORISTAS
20/12/2003
SOBRE ALGUNS DAQUELES HUMORISTAS
Naquele texto sobre a falta de criatividade de "Os Normais", enumerei humoristas aos borbotões. Destes, pelo que notei, alguns são pouco conhecidos. E são mesmo, infelizmente.
Que tal conhecê-los melhor?
Groucho Marx
Conhecidíssimo, mas na década de 40. Hoje, infelizmente, poucos o conhecem (no Brasil). O filme que mais gosto dos Irmãos Marx é aquele em que recebem uma universidade para administrar. A senha "peixe-espada", brilhantemente "representada" naquele filme, veio a ser usada em outra película, "Swordfish" (Travolta, Hale Berry). Essa, meus chapinhas, eu só sei porque sou um cara chato pra caralho. Nem o Rubens Ewald Filho sacou.
Gilbert Shelton
Criou "The Fabulous Freak Brothers". É famosinho entre os maconheiros-que-gostam-de-humor-alternativo. Ou seja, é famoso para muito pouca gente. Infelizmente. Freweelin, Fat Freddie e Phineas, sem excluir o gatinho mimoso do Fat, viveram aventuras brilhantes. Destaque máximo para a história "Roots". O fim do efeito da cocaína, ali no gibi, é uma das coisas mais engraçadas do mundo.
Sérgio Porto
Um daqueles comentaristas que me acham uma merda, mas vivem aqui comentando e dando audiência, falou que eu poderia chamar o Sérgio Porto de Stanislaw Ponte-Preta, pois seria mais fácil. Talvez fosse, mesmo. Da mesma forma que para muita gente a Beatriz Segall é a Odete Roittman. Mas não são esses meus leitores. Ah! O nome "Ponte-Preta" consiste numa homenagem ao "Serafim Ponte-Grande", que - me corrijam se estou errado - é personagem do Oswald de Andrade (é isso mesmo???). Ele escreveu "Febeapá", obra famosíssima, mas recomendo a leitura das crônicas narrando as aventuras de Tia Zulmira e Primo Altamirando.
Barão de Itararé
Aparício Torelly era o nome da fera. Ganhou essa nobiliarquia após "vencer" a Batalha de Itararé. Na verdade, não houve batalha alguma. As tropas de Vargas desviaram a rota e não passaram por Itararé, cidade de Aparício. Tendo em vista o "arrego", declarou-se Barão e foi à capital (Rio de Janeiro, uma espécie de São Paulo da época..rsss) procurar emprego em jornais. Criou, depois de um tempo, o periódico "A Manha" (sarro com o jornal "A Manhã"). Depois de levar uns catiripapos dos asseclas de Felinto Müller, mandou colocar na porta da redação a plaquinha "Entre Sem Bater". Um gênio.
Leon Eliachar
Nasceu no Egito, morreu tragicamente no Brasil. Uma grande perda. Seus livros "O Homem ao Zero", "O Homem ao Quadrado" e "O Homem ao Cubo" fazem parte da mais direta influência deste que voz escreve. Leon declarava-se Cairoca.
Fortuna
"E o Fortuna pensa em fazer humor para fazer fortuna..." dizia Jorge Ben, na sua letra-sarro "Cosa Nostra". Fortuna fez uma coisa maravilhosa: um ensaio fotográfico com óculos e dedos. Só isso. Achei uma das coisas mais geniais. Um humor artístico (no melhor sentido da palavra, sem punhetas), ao mesmo tempo extremamente puro, mas sempre engraçado. Uma graça que remete aos nossos avós (isso para quem teve avós engraçados como eu).
Macaco Elétrico
Pseudônimo de Chateaubriand. Neste caso, não daria certo escrever "Assis Chateaubriand", porque 99% de sua obra (incluída aí sua vida, que foi uma obra) não foi nada humorística. Mas so textos do "Macaco Elétrico" eram brilhantes. Uma forma engraçada - embora covarde - do publíxer detonar seus rivais.
Cheech & Chong
Uma espécie de Bud Spencer e Terence Hill, só que em vez das bordoadas e petelecos vários e vários baseados. São uma continuação do humor-droga feito pelo Gilbert Shelton, mas numa estética cinematográfica (ui! ui! mil uis!!!) que faz lembrar os filminhos da Sessão da Tarde. Vejam "Nice Dreams" e confiram. Parece um filme dos Trapalhões, esteticamente. A forma engraçada com que falam da droga pode até ser considerada apologia; eu, como alguém que admira palhaçadas, considero humor. Planet Hemp usou trecho da dublagem de "Queimando Tudo", filme da dupla, no início da música homônima do grupo.
Tem também o Gravataí Merengue que... arre!
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transubstanciado por gravata às 20.12.03 | Alguém?
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