DIVERTIMENTOS HETERODOXOS DE ALGUMAS DANCETERIAS

21/09/2003

DIVERTIMENTOS HETERODOXOS DE ALGUMAS DANCETERIAS

Atualmente, chamamos as danceterias de "baladas"; antes, de "discotecas". Mas houve um tempo, no início dos anos oitenta, em que as denominávamos "danceterias", mesmo. Isso durou por um bom tempo, e muitos ainda as chamam assim por força daquele hábito (eu, p.ex.).


Quando começaram, esses estabelecimentos reuniam uma série de eventos e outros que tais. Todos podem ler a respeito no livro "Dias de Luta", do Ricardo Alexandre. Quase todos os grandes nomes do chamado "rock anos 80" já tocaram em danceterias.


Mas na década de noventa um outro fenômeno passou a rolar. As casas começaram a mandar brasa em atividades, digamos, pouco ortodoxas para uma balada. Enumero algumas:


Sinuca
No Brasil, a sinuca é associada à malandragem, aos botecos, aos salões cheios de fumaça de cigarro. No exterior, com destaque razoável à Inglaterra, trata-se de um jogo tradicional, que é praticado por mulheres arrumadas e a rapaziada playba. Mas, repetindo, NO BRASIL NÃO. Algumas baladas tentaram mudar o hábito, mas tudo que ganharam foram rasgos na mesa, gente derrubando bebida, cigarros e outros trecos.


Arco e Flecha

Caso sério esse. Basta pensar: quantas vezes na sua vida você teve vontade de dar umas flechadas na balada? Calma! Não tô falando em abater aquele jaburu, mas sim em praticar o esporte. Pois é... Imaginem o que era uma "arquearia" no meio daquele aglomerado de zé mané.


Dardo
Tenho um conhecido que adora jogar dardo. Não falo aqui daquela brincadeira em festinhas, que depois todos deixam para lá. Nada disso. O cara joga MESMO. É viciado. Compra dardos importados, participa de campeonatos. Se você se encaixa nesse perfil, tudo bem. Quer dizer... Tudo bem nada, você é um panaca.


Escalada

Tem algo mais idiota do que uma parede de escalada em plena danceteria? Sim, há várias coisas mais idiotas, mas por força da metáfora vamos deixar de lado tudo isso. Pois bem: algumas baladinhas mandavam brasa num paredão, e ficavam um "instrutor" e uma "instrutora" ensinando os pinguços a subir naquele negócio.


Telefone
Não demorou muito tempo para perceberem o óbvio: os panacas que vão para danceterias são em geral covardões, que só chegam numa garota quando estão em turma, ou quando bebem bastante. Mesmo assim, para falar asneiras inconcebíveis. Qual a solução? Meteram TELEFONES em algumas mesas, para o babaca não precisar "se expor" e ter mais "facilidade" em falar com a garota.


Piscina

Que tal? Uma bela piscina no meio da danceta? Havia até a casa "The Pool", do Miguel Fallabella. Diz a lenda que lá pelas tantas a moçada caía na água e fazia a festa. Sei não. Mas parece que depois daquele fatídico trote na USP, pararam com esse tipo de brincadeira.


Anões
Dureza isso, né? Maior exploração da deficiência alheia ou, numa outra análise, exploração da própria deficiência. Fato é que algumas casas colocavam anões para enviar torpedos, ou então simplesmente para a prática do "arremesso-de-anão". Eu acho sacanagem. Bom, mas é engraçado. Na boa...


Puzzle e Escorregador

Não me perguntem, porque isso eu nunca vi. O puzzle foi uma lembrança do Drex; o escorregador, da ReOx. Eles que se expliquem. Aliás, acho meio estranho esse negócio de ter quebra-cabeça em balada. Já pensaram? Além de obviamente ninguém conseguir terminar, acabam perdendo tempo fazendo essa porra e, pior, perdendo peças. Quanto ao escorregador, nem há muito o que comentar.


Vocês se lembram de mais alguma?


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transubstanciado por gravata às 21.09.03 | Alguém?



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