FIGURAÇAS DAS ENTREVISTAS PARA EMPREGO
16/07/2003
FIGURAÇAS DAS ENTREVISTAS PARA EMPREGO
Há algum tempo, tirei sarro das dinâmicas de grupo e demais procedimentos que pululam nos departamentos de recursos humanos. É claro que a tchurminha do Departamento Pessoal ficou puta da vida. Então agora vem o troco.
Afinal, esses profissionais lidam com TODOS OS DEMAIS EMPREGADOS. Assim, é claro que a rotina de quem lida com recursos humanos é encontrar todo tipo de idiota.
O primeiro contato, que não por acaso é o mais marcante e mais emblemático, dá-se por ocasião da entrevista de emprego. Desse modo, vamos mandar brasa nos mais famosos tipinhos:
O Bonzinho
Ele é simpático. Ele esboça sorrisos sinceros. Ele é solícito. Ele dá a vez no elevador. Ele concorda com todas as adversidades do cargo. Ele não impõe qualquer condição. Ele sempre chuta por baixo a pretensão salarial. Essa peça é conhecida... Querendo dar uma de malandróvski, muito camarada senta na graxa fazendo o tipo "bonzinho". Isso porque a galera do RH, é claro, tira de letra esse aplique.
O Coitadinho
Chega a parecer o bonzinho, mas com uma diferença: ele não tenta somente despertar a simpatia de uma maneira forçada; seu negócio é também buscar os instintos de piedade por parte de quem contrata. Assim, na primeira oportunidade, trata de dizer que PRECISA MUITO do emprego, e que FARÁ DE TUDO para se manter na função, isso porque TEM MUITAS CONTAS, E PASSA ALGUMAS NECESSIDADES. Do jeito que a coisa anda preta, isso infelizmente é muitas vezes verdade; mas também tem muito espertucho dando esse golpe.
O Sabe-Tudo
Todas as perguntas são imediatamente respondidas. Tudo com uma precisão absurda. Questões técnicas merecem respostas meticulosas. Questões abrangentes merecem respostas analíticas, genéricas. Tudo é esclarecido de uma maneira didática, professoral. Certo? Certo o cacete! Enquanto o entrevistado continua se achando uma espécie de Stephen Hawkin com movimentos, o entrevistador o considera a mala mais pesada e sem alça de todo o planeta. É claro que, após a entrevista, o currículo do figurante vai para a lata do lixo.
O Blazé
Ele não tá nem aí. Parece que conseguir o emprego é uma conquista "menor". Comporta-se como se fosse o mais novo ganhador da MegaSena esperando pelo troco de uma compra de um real. Esse camarada tem a pachorra de chegar ATRASADO para a entrevista. Alguns são assim por questão de natureza humana. Nesses casos, só mesmo lamentando. Outros, acreditem, fazem isso por questões "estratégicas". Sei lá quem foi o bocó que espalhou essa filosofia, mas alguns panacas acham que fazer pouco-caso pode ser um ponto positivo para conseguir uma vaga. Claro. Isso é tão provável quanto comer uma garota chamando-a de ridícula.
O Esquerdista Nervoso
No início, o camarada do RH pensa que se trata de mais um "blazé" empregando a obtusa tática de não dar trela para a entrevista. Mas basta fazer algum tipo de pergunta mais "assim", que o nervosinho já fica todo puto. Ele deixa claro que é uma pessoa entrosada no sindicato, avisa em alto e bom som que é um cara entrosado na política, deixa recados subliminares no meio de cada frase. Além disso, pontua seu discurso com alguns chavões marxistas, e termina por desfiar seu rosário de impropérios contra a iniciativa privada, o capitalismo, e quem mais aparecer na frente. Se ele pega a vaga? Dificilmente. Nas hipóteses em que é contratato, o "representante do trabalhador" já vai logo deixando o trabalho de lado e corre para fazer parte da CIPA ou do Sindicato. Afinal, esse negócio de trabalhar não é com eles.
O Indicado
Muito parecido com o blazé. Mas nem sempre ele se comporta assim. Às vezes é até bonzinho. Responde a tudo, é atencioso, gentil, cordial. O grande lance é que é um INDICADÃO. Não aquele "indicadinho", que um brother colocou na jogada. Esse tipo de "indicado" é mais casca-grossa: algum super cliente sugeriu, ou então é parente do patrão. Para parecer democrático o processo, colocam o cara nas dinâmicas e entrevistas. Conversa pra boi dormir. Ele já tá contratado. E, pior, ele já sabe disso. No dia-a-dia é que essa fera se revela.
O Sedutor
O sedutor é figura carimbada em todos os campos da atividade humana. Em geral, ele tenta cativar pelo lado físico. Mas há aqueles que, mesmo ridículos e esquisitões, tentam ganhar a simpatia por meio de olhares insinuantes e gestos lascivos. Isso, claro, é uma baita piada. Mas não vamos aqui desprezar o "quesito charme", porque várias e várias vagas já foram preenchidas porque o patrão (ou a patroa) "foram com a cara" do candidato (se é que me entendem).
O Idiota
Chega atrasado, responde tudo de forma esquisita, erra na hora de preencher os formulários, faz verdadeiras bagunças nas dinâmicas de grupo, e AINDA POR CIMA QUER A VAGA. Depois sai por aí se queixando das mazelas do mercado de trabalho. Sim, a coisa tá muito feia. Muito mesmo. Mas não é sendo um panaca que você vai conseguir algo de bom. Alerta importante: quando alguém se empolgar com você, trate de recusar imediatamente a vaga. Pode se tratar de alguma empresa precisando de alguém idiota o suficiente para ser testa-de-ferro em negócios espúrios. Faça como Grouxo Marx: pense bem sobre as motivações dos clubes que o aceitem como sócio.
Malandro x Camaleão Descarado
Há dois comportamentos que são bem parecidos. Um é bem feito, o outro é uma piada. Um galga êxito, o outro senta na graxa. Trata-se do "malandro" e do "camaleão descarado". Vejamos separadamente:
O Malandro
Esse sujeito sabe se adaptar ao cargo pretendido, ao perfil da empresa, ao sistema da coisa. O verdadeiro malandro não força no estilo (afinal, o camaradinha do RH percebe). Ele faz tudo de um jeito natural. É claro que sempre fica alguma dúvida, mas para todos os efeitos ele consegue preencher a contento as características psicológicas do cargo.
Camaleão Descarado
Trata-se da figuraça que promove verdadeiras metamorfoses de caráter, para se adequar ao perfil da empresa ou do cargo. Bobagem. O pessoal do RH saca de cara que é aplique. Nem adianta disfarçar. Claro que aqueles testes idiotas não servem para detectar nada. O problema é que o próprio "camaleão" acaba se entregando. Aí, claro, a farsa vai para o saco.
E aí, galera? Com exceção do meu amigo Durex, que está do lado de lá da mesa, quem são vocês nas entrevistas de emprego?
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transubstanciado por gravata às 16.07.03 | Alguém?
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