AS BANDAS MAIS INFLUENTES DO MUNDO

15/07/2003

AS BANDAS MAIS INFLUENTES DO MUNDO




No país em que infelizmente vivo, existem milhares de quintetos ou quartetos, ou seja o que for, que se ajuntam para tocar um instrumento cada um, e depois saem por aí dizendo que aquilo é uma banda.


Principalmente no Brasil, onde a qualidade musical não é muito exigida para se evoluir, podemos encontrar várias porcarias musicais tocando e aparecendo na mídia. Mas hoje não vim criticar algo que tá na cara que é lixo, como já citei em alguns textos anteriores. Vamos enfim falar de quem presta, que merece o sucesso que faz. Ou que simplesmente seja bom no que faz, embora seja às vezes pouco conhecido neste país medíocre, onde qualquer Manuel que tem lá alguns instrumentos de percussão (e mais quatro ou cinco que nunca sequer tiveram o menor contato com o instrumento que caiu em sua mão) consegue tocar de primeira sem qualquer “dificuldade”; basta querer e pronto.


Quem gosta de rock n’ roll, mais especificamente de Heavy Metal, concordará com os comentários abaixo. Alguns não vão entender absolutamente nada, pois nunca ouviram falar dos nomes das bandas citadas, e claro que terá alguns palermas pra criticar; afinal, se não tiver esse tipo de pateta, qual a graça do texto?


Veremos então algumas bandas que deveriam ser obrigatórias para todos:


Black Sabbath
O Pai de Todos, o Criador, o Mito, o inigualável e inevitável modelo para os mortais que se atrevem a tocar rock n’ roll em qualquer lugar do Planeta. Até hoje nada e nem ninguém pode explicar o que há com aquele quarteto enviado do inferno para ensinar o metal para o mundo. Se houve alguma evolução, esse que evoluiu teve como inspiração Ozzy Osbourne e sua turma. Atrevo-me a dizer que nenhum guitarrista do mundo deixou de ser influenciado pelo mestre Tony Iommi. Sem nos esquecermos do fenomenal Geezer Butler no baixo e o maior pedreiro(*) que já sentou numa bateria, Bill Ward.


Através dessa magnífica banda, conhecemos uma porrada de músicos talentosíssimos que passaram pelo Sabbath, como o ícone do metal Ronnie James Dio; com uma potência descomunal e técnica nos vocais, ele dispensa qualquer tipo de comentário. Todo palmiro(*) que se preze conhece "Changes". Baita clássico !!!!!


Led Zeppelin

Esse é outro pessoal que deveria ser analisado através de uma autópsia pra saber de onde vem tanto talento e bom gosto. Mr. Robert Plant ensinou o mundo a cantar e até hoje arrisca uns agudos. Jimmy Page é um débil-mental completo, sem comentários! Sempre pudim(*), demolia sua Gibson de todas as formas. Sem contar que ele tinha um mau-gosto pra escolher suas guitarras... Aquela Gibson de dois braços era de chorar!


E o maior baterista de todos os tempos, Jonh Boham, está para os bateristas assim como Tony Iommi está pra os guitarristas. Fora isso, vale lembrar que qualquer salame conhece "Stairway to Heaven". Lendária balada.


Deep Purple
Pra fechar o trio "só-eu-quero-tocar-bem", temos o Deep Purple, do sempre polêmico e absurdamente talentoso Ritchie Blackmore, o mago das guitarras. As Fender Stratocaster sofriam com o tiozinho; comecei a tocar guitarra por causa desse filho da puta. Desde pequeno, o antológico "Machine Head", já constava nos discos do papai. Graças a Deus, papai tem bom gosto.


Ian Gillan quase não sabe cantar e o Ian Paice quase não toca bateria: só ouvindo pra entender.Alguém não conhece "Smoke On The Water"? Se não conhecer, se interna.


Judas Priest

Logo após a trinca, tivemos a aparição da maior banda de heavy metal tradicional do mundo de todos os tempos. Estamos falando de metal puro, pois as bandas citadas acima ainda tinham muitas pitadas de rock n’ roll e blues; já os Priest, chegaram pra fazer história. Lançaram a moda usada até hoje por "from hells", que consistia em: calça de couro preta agarrada, cinto de rebites, braceletes e jaquetas de couro (isso no modo mais tradicional).


O Deus do Metal, e vocalista da banda, Rob Halford (**) usava muito mais apetrechos, deixando os Priest com um visual inigualável. Chicotes, chapéus e outras coisas mais. Judas Priest é uma banda pra ser vista e ouvida: são duas atrações, onde o visual se torna tão importante quanto a qualidade exemplar de suas composições.


Ninguém tem a performance e a presença de palco de Rob Halford, dono de cordas vocais que deveriam ser guardadas em formol no dia de sua morte. O velho tem alumínio na garganta, gerando a mais pura e ignorante voz que o metal já teve. Jamais haverá outro como ele, e com certeza jamais haverá uma dupla de guitarristas como Gleen Tipton e K.K. Downing, que se comunicam por telepatia. Exemplo de bom gosto, competência, técnica e amor ao metal.


Também não podemos esquecer do figuraça Ian Hill no baixo, perfeito "from hel" e pudim completo. E os bateristas Dave Roland (antigamente) e Scott Travis (atualmente), membros exemplares e idolatrados.


"Painkiller", talvez seu disco mais conhecido entre os 14 com o Deus do Metal nos vocais, é sem dúvida a maior obra que o metal mundial já conheceu; aula de heavy metal, manual de instruções de como se deve tocar metal. Obrigatório na sua coleção de CDs. E ao contrário das bandas citadas acima, a saga do Judas ainda não acabou: Rob Halford, aos 55 anos de idade, anuncia sua volta à banda após 12 anos afastado, causando talvez a maior expectativa de uma reunião de membros originais de uma banda em todos os tempos. Nada será comparada ao êxtase de vê-lo à frente do Judas, e fazendo o que ele mais sabe e nasceu para fazer: cantar.


AC/DC
Monumental banda australiana de rock n’ roll puro, sem firulas ou qualquer tipo de invenção: apenas rock clássico e muito bem tocado. Angus Young e seu irmão Malcolm Young, com guitarras plugadas direto na cabeça do Marshall, sempre fizeram um som que agrada gregos e troianos. Todo mundo gosta de AC/DC. Ninguém desgosta e muito menos critica, pois é praticamente impossível encontrar defeitos nesta banda.


Simples, direto e objetivo, sempre regado de muita cachaça e mulheres e shows épicos pelo mundo todo. Assim como poucas bandas no mundo, AC/DC já teve um milhão de expectadores à sua frente. "Back in Black", primeiro disco após a morte do vocalista Bon Scott, é uma pérola fantástica. Com Brian Jonhson nos vocais, e alta dose de qualidade instrumental, contém um hino do rock n’ roll: "You Shock Me All Night Long".


MotorHead"

Lemmy veio ao mundo com um Rickenbacker na mão e uma garrafa de whisky na outra, uma voz completamente podre e algumas verrugas na cara!! O mano é atitude pura, e altamente pedreiro nas cordas do baixo. Banda de rock n’ roll no início, foi tomando o rumo com a modernidade, e já teve algumas alterações em seu som; claro que sempre com muita competência e cuidado para não causar discrepância entre discos e ferir seus fãs mais fiéis (isso vale para todas as bandas citadas neste texto).


Extremamente barulhenta, a banda levava fãs à loucura em seus shows, onde sempre havia muitas atrações além da fantástica banda no palco. Mulheres e farra eram algumas delas. Todos já devem ter ouvido falar em "Orgasmatron", que arrebentou tanto composta e tocada pelo próprio Motorhead, quanto na versão do Sepultura em seus tempos áureos.


Kiss
Todos já ouviram falar de Kiss não é? Se eu encontrar alguém que pelo menos não ouviu falar e que por ventura leu este texto, mande um e-mail, pois quero conhecê-lo. Causando um espanto geral na época pelas maquiagens e visual(**) considerado satanista pelos Palmiros de plantão (tinha mãe que proibia os filhos de ouvir e até de comprar os discos), o Kiss criou uma legião de fãs pelo mundo, influenciando milhares de bandas no estilo.


Matar pintinho esmagado, escorrer sangue pela boca e cuspir fogo eram momentos típicos dos shows do KISS. Sempre com a dupla Paul Stanley e Gene Simmons à frente, eles arrebentaram bilheterias no mundo todo e venderam tudo que se possa imaginar relacionado ao nome Kiss. Acreditem: até caixão com nome e decoração da banda já foi vendido! E milhares de outros produtos, fora discos oficiais, pois esses não tenho nem idéia do numero exorbitante que deve ter sido vendido ao longo dos anos de existência da banda. Estamos falando em centenas de milhões.


Queen

Outra banda muito tradicional em qualquer coleção de CDs. Freddie Mercury, conhecido mundialmente pela voz fantástica e por ser mais um ídolo que morreu de AIDS, foi o criador, juntamente com Brain May, de verdadeiros clássicos. Você só de dá conta da grandeza da composição depois que é tocada em uma cerimônia de comemoração dos 50 anos do reinado da Rainha Elizabeth II no Palácio de Buckingham.


Aclamado por 150.000 pessoas Brian May executa o hino britânico "God Save the Queen" em cima do telhado do Palácio (algo completamente inesquecível!!!), numa versão criada por ele próprio. Outros hits da banda são tocados em outros eventos que param o mundo, como olimpíadas e tal. Acha isso pouco? "We are the Champions" é mais conhecida que "Parabéns a Você"!!!!!!!! O Queen tem o dom de ser imponente e impecável, além de ser respeitado e admirado em todo o mundo.


Slayer
Pra não falarem que só falei de banda velha e ultrapassada (já ouvi palermas falarem isso sobre as bandas citadas acima... quase esmurrei, mas tudo bem), vamos chegar numa categoria um pouco mais agressiva e veloz. Essa só mesmo quem tem metal correndo na veia vai conhecer.


Velocidade, estupidez e ignorância são as características mais básicas dessa banda matadora e brutal. Também selecionada pela qualidade dos músicos, a dupla de guitarristas Kerry King e Jeff Hanneman, sempre influenciada por bandas como Venom (Criadores do Black Metal) e Judas Priest, souberam criar um estilo dentro do metal onde a agressividade sobrou, e fãs e seguidores nasceram e nascem aos montes todos os dias.


Tudo que podemos ouvir de agressivo e veloz e pesado veio de Slayer (que teve influência de Judas, que teve influência de Black Sabbath e com uma pitadinha de Venom e outras influências e ingredientes pessoais). Dessa salada completa sai uma "raquetada master"(*) e destruidora.


Ouvir Slayer em casa já é motivo pra você ficar agitado. Se estiver dirigindo, bate o carro; e se estiver num show, então, pode sair na mão com o Mike Tyson, pois nada transmite mais valentia e adrenalina que um show do Slayer na fuça. Digno de bater na mãe! Slayer é rápido e rasteiro: um soco na cara, sem tempo de respirar.


Dave Lombardo, de volta ao posto de baterista após quase 10 anos afastado, é um monstro do Trash Metal. Sempre foi professor no estilo, e vangloriado por qualquer baterista no mundo. Tom Araya, açougueiro no baixo(*) e trovão nos vocais, destrói tudo no palco. A banda agita o tempo todo sem parar, deixando a apresentação marcante e poderosa.


Criadores de "Reign in Bloo", o maior disco de Trash Metal de todos os tempos, Slayer é uma aula de como se deve descer a marreta no palco, com coerência e bom gosto.


Obviamente, muitas outras bandas mereciam aparecer, mas ficaram de fora por motivos também óbvios: tempo, espaço e paciência são curtos.


(*) Glossário Ostrogodo


Açougueiro: Pensei em buscar as definições para um "açougueiro" do palco. Por certo, não é alguém que prepare cortes de carne. Claro que não. A coisa é mais nojenta. Pensa daqui, pensa dali, vou até a fonte: Denera, como explico o que é um "açougueiro"? E vem a resposta: "mais ou menos igual a pedreiro só que mais lixão... aquele que palheta tudo que tem na frente...tipo arrancando sangue!". Então é isso.


Palmiro: Ah! Isso vocês já sabem o que é, né? Palmiro é o velhão gente-boa. Ah! Leiam o texto da semana retrasada, aqueles que não entenderam...


Pedreiro: Aquele instrumentista que toca agressivamente é chamado de "pedreiro". Pode ser baterista, baixista, guitarrista. Só não aconselho que seja um tecladista, sob pena de estropiar o teclado. E vocalista pedreiro também não fica bem, porque senão vai destruir a base do microfone e cair de cara. Mas batera e baixo, por exemplo, aí tudo bem...


Pudim: O bom e velho "pudim-de-pinga". É aquele camarada que já passou faz muito tempo dos estágios aceitáveis de alcoolismo. Perto do nosso prédio, por exemplo, havia o maior pudim-de-pinga da história da humanidade, o glorioso "Zé do Brejo" (aliás, ele tá vivo até hoje).


Raquetada Master: Batida forte, rápida, pesada. A marcação do ritmo acelerado se dá por pancadas pouco carinhosas desferidas na bateria. Ah! É só ouvir alguma coisa de Slayer (Denera sugeriu "War Ensemble") para entender DE CARA o que é uma "raquetada master".


(**) Notas do Editor


- O visual de "Pin Head", de "Hellraize" (a série de terror de Clive Barker), foi inspirado em Rob Halford, o tal vocalista do Judas Priest.



- O Denera já duvidou, mas é verdade: os produtores do Kiss, quando foram lançar a banda com tal visual maquiado, pediram autorização para os responsáveis pelos "Secos & Molhados". Acreditem, isso é verdade.


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