MATRIX: FANATISMO X REALISMO
12/06/2003
MATRIX: FANATISMO X REALISMO
Todos já devem ter tido o AZAR de trombar com um Trekker ou Cavaleiro Jedi. Não é fácil. Aqueles idiotas vestidos a caráter, com palavras ridículas e frases igualmente estapafúrdias.
Matrix, quem diria, foi para o mesmo caminho. Justamente um filme que propunha uma idéia bacana de liberdade, na cabeça dos babaquaras foi interpretado de forma adversa: todos se “robotizaram”.
O mais engraçado é quando algum “nerd” vem com papinho de “Simulacros e Simulações”. Dá vontade de dar um pescotapa bem ardido. O molecote nunca leu Platão e vem falar das cópias. Merece croque.
É claro que copiar Platão dá IBOPE. Alan Kardek que o diga. Jean Baudrillard, no âmbito filosófico, fez o ensaio que serviu de base para os irmãos Punhethovski. Daí pra frente, começou a esculhambação.
Por se tratar de um filme de Hollywood, é claro que não há grandes compromissos com a verossimilhança, a lógica, e outras coisas típicas do mundo real. Então vem a clássica dúvida: mas Matrix conta com fãs inteligentes... Eles não se deixariam levar pela baboseira.
Ledo engano.
Justamente esses “inteligentes” fazem as mais radicais manobras hermenêuticas para tentar transformar aquele arremedo de história em quadrinhos em algo próximo de um enredo razoável.
O fã de Matrix, na verdade, JÁ GOSTA DO FILME MESMO SEM TER VISTO. Entre eles, naquela rodinha de idiotas com óculos escuros e sobretudo em pleno Shopping Center, algumas notas negativas podem escapar.
Mas, em público, ou seja, com o tal do mundo real que eles tanto repudiam, aí defendem com unhas e dentes. O mais engraçado é vê-los vibrar quando sabem que o filme ganhou uma grana preta.
Bocó é pouco.
Mas vamos lá... Abaixo mando algumas perguntas embaraçosas sobre o filme. Em seguida, as respostas do fanático e do realista. Vejam só:
Por que Keanu Reeves trabalha tão mal?
Resposta do Fanático:
Neo, personagem de Keanu Reeves, vive em dois mundos. Um desses mundos é um sistema operacional de simulação. Ou seja, ele obrigatoriamente deve se comportar de forma robótica. Já o outro, supostamente real, é um mundo recém-descoberto. Ou seja, ele se comporta como uma “criança”. Para completar, mesmo o mundo “real” pode ser provavelmente mais um nível de simulação. Desse modo, a má-interpretação é, na verdade, uma interpretação fantástica. Ele é um robô sem emoção, como devem ser aqueles que vivem num sistema operacional.
Resposta Realista:
É um atorzinho de merda. Um bosta. Keanu Reeves só fez papel ruim. Bonito? Sim, ele é. Giannechinni também. E em ambos os casos o talento para interpretar é proporcionalmente inverso à beleza. E não adianta vir com ladainha de que ele vive num mundo de máquinas, regras, simulacro e bla-bla-bla. Se fosse assim, como explicar a brilhante performance de Hugo Weaving (Agente Smith)?
Por que Carrie-Anne Moss, mesmo sendo feia, é considerada “gata”?
Resposta do Fanático:
Ela não é feia.! É muito linda, isso sim! Ridículo dizer que ela seja feia, só porque não faz parte do estereótipo clássico hollywoodiano. Como Trinity, ela é muito sedutora. Mesmo nas cenas de ação. As roupas de vinil, o cabelo curto, o jeito de olhar... Carrie-Anne Moss firma-se como uma das grandes musas do cinema, sem apelar para a obviedade do padrão vigente, e com direito a excelentes atuações.
Resposta Realista:
Queriam o quê? Ela entendia de computador, programação... Então, claro, era baranga. Os irmãos Punhetchovski até que dão uma dentro de vez em quando, e acertaram a mão ao convocar uma atriz desconhecida e feia. Erraram no nome, porque Trinity, para nós, é a dupla formada por Bud Spencer e Terence Hill. Além disso, ela é uma triz fraquinha. Em Amnésia, por exemplo, sua atuação lembra o “Robô Keanu Reeves”.
Por que Morpheus continua barrigudo quando entra na Matrix?
Resposta do Fanático:
Não é uma barriga das mais comprometedoras, mas o fenômeno se explica de forma simples: logo no primeiro filme, foi explicado que a imagem virtual é, na verdade, uma projeção da “imagem virtual” a partir da mente de quem entra no sistema. Ou seja, você é visto basicamente como você próprio "se vê"; é algo subconsciente, ligado àquilo que você REALMENTE considera sua auto-imagem virtual.
Resposta Realista:
Porque uma coisa é fazer efeito especial fudidão. Outra, bem mais elaborada, seria colocar um corpo de bailarino cigano no Lawrence Fishburne. O cara fez Apocalipse Now! É claro que tá velho e zoado. Ao “entrar na Matrix”, ele continua zoado porque não dá para ficar limpando excessos o tempo todo. Vai assim mesmo e pronto. Até mesmo porque os babacas acreditam naquela bobagem de “auto-imagem virtual”, então fica tudo na mesma.
Por que na Matrix não se comete “operação ilegal”, não ocorre “falha geral” nem “exceção fatal”?
Resposta do Fanático:
E quem disse que não? No primeiro filme, ficamos sabendo que o “deja vu” nada mais é que o sistema rearranjando alguma caca. Isso, é claro, seria algo como uma falha geral. Na continuação, então, há uma intrincada, mas certa, tese de que há defeitos aos montes no sistema. Não se trata, portanto, de um sistema perfeito. Apenas a coisa foi engendrada de modo a considerar as falhas, para que possa (o sistema) lidar com elas e, acredita-se, superá-las. Num Animatrix, toda a trama se baseia numa mansão que é uma “falha” do sistema.
Resposta Realista:
Poderia passar horas e horas falando do óbvio, ou seja, que não faria sentido a tela do cinema ficar azul, e o filme recomeçar porque houve uma “exceção fatal”. Ou então aparecer a maldita janelinha da “operação ilegal”. A explicação é muito mais simples que se imagina: Matrix não tem esse tipo de treta porque não é um programa da Microsoft.
Se os Agentes podem “entrar” em todo humano, por que no primeiro filme nenhum Agente entrou no Neo quando a Trinity falou em seu ouvido?
Resposta do Fanático:
No primeiro filme, os agentes não tinham tantos poderes assim. Com exceção daquele mendigo na estação de metrô, eles só “entravam” em alguém quando estavam por perto, ou em alguma perseguição. Claro, também acontecia quando o corpo ocupado era “morto”. A prova de que os agentes não tinham esse poder de entrar em qualquer um a qualquer hora, como verdadeiros fiscais permanentes do sistema, é o fato de que precisaram “grampear” o Neo.
Resposta Realista:
O filme é tão mal realizado, que somente DEPOIS da explicação do Morpheus, a respeito desse “poder” dos agentes, é que eles começam a fazer isso. Até então, não fizeram nenhuma vez. Se eles têm tanto cuidado em preservar o status-quo da sociedade intra-Matrix, qual o sentido das chacinas e massacres que promovem nas perseguições? Seria mais fácil simplesmente “entrar” no Mr.Anderson e explodi-lo, antes que se transforme em Neo e bla bla bla. Apenas uma vida poupada, o status-quo bem menos abalado e, claro, o sistema mantido. Ah! Um detalhe importante: ficaria realista, mas não teria filme...
Se os Agentes “grampearam” Neo (primeiro filme), por que não prepararam uma emboscada quando ele foi pego de carro por TRÊS rebeldes?
Resposta do Fanático:
Aquele “grampo”, pelo visto, não era um grampo de gravação vocal ou algo do gênero. Aparenta ser bem mais um “localizador”, ou algo do gênero. Além disso, o importante é que, para os Agentes, o ingresso de Neo seria uma forma mais razoável de conseguir apanhar Morpheus. Isso porque já contavam com um traidor na Nabucodonosor. A chegada de mais um rebelde (na conta deles, mais um inútil) agitaria as coisas por lá e (como de fato ocorreu) faria com que Morpheus e sua turma entrassem mais na Matrix para inserir o novato no contexto da batalha virtual, aumentando as chances de prender Morpheus (o que também ocorreu).
Resposta Realista:
Não existe uma explicação para terem grampeado Neo. Se ele era considerado “desimportante”, como em dado momento Morpheus deixa escapar, para que grampeá-lo? O pior de tudo é que esse “grampo” é totalmente inexplicável. Por que colocar um objeto no Neo? Não seria mais fácil reprogramá-lo? Afinal, mesmo os humanos interagem na Matrix como programas. Já que inventaram aquele grampo (Não parece um pitu? Aliás, você sabe o que é um pitu?), deveriam dar um seguimento lógico à história.
Por que as máquinas mantêm a consciência dos humanos em um Sistema de Simulação, em vez de simplesmente manter todo mundo em coma?
Resposta do Fanático:
A energia que abastece as máquinas vem dos corpos humanos cujas consciências são mantidas no sistema Matrix. O sistema é útil porque, mantida a consciência, o corpo produz mais energia. Caso permanecesse em coma, não produziria o mesmo tanto, e isso seria prejudicial para as máquinas.
Resposta Realista:
Se as máquinas realmente pretendessem fazer algo razoável, criariam um sistema operacional para cada humano, sem interação. Assim, ninguém corria o risco de ser libertado de uma “grande matrix”, mas sim de seu próprio sistema operacional. Para a máquina, seria baba. Isso, claro, na hipótese esdrúxula de se usar um “sistema operacional”. Poderiam apenas induzir um coma ou algo do gênero. O mais importante é que o corpo humano não produz essa energia toda, seja em coma ou com a consciência “ativa”. Pura bobagem.
Por que não usam energia eólica, termoelétrica, atômica, hidrelétrica ou qualquer outra fonte razoável, em vez de usar a inusitada “Energia Humana”?
Resposta do Fanático:
O mundo foi totalmente devastado. E em momento algum dizem que não se usam essas formas de energia. Apenas aproveitam os corpos humanos de modo a terem resultado energético com eles. De todo modo, tudo leva a crer que os humanos tenham destruído as fontes alternativas de energia. A “bomba de fuligem”, portanto, seria um último recurso.
Resposta Realista:
A coisa dá errado porque a história é contada de dentro pra fora. Ou seja, eles inventam um grande argumento (sim, o argumento é bonzinho), e para justificá-lo começam a criar problemas de enredo que simplesmente não se justificam. Esse da energia é um clássico. Especialistas afirmam ser uma grande piada esse negócio de o corpo humano servir como uma bateria. Além disso, por mais que o mundo fosse devastado, a energia eólica e hidrelétrica as máquinas poderiam utilizar. Para quem tem aquelas sentinelas serelepes e toda aquela parafernália (exibida principalmente no primeiro filme), a demanda de energia é FENOMENAL.
Por que representaram “Deus” como um Arquiteto?
Resposta do Fanático:
Numa primeira análise, trata-se de uma simbologia quase auto-explicativa. Afinal, o sistema foi “arquitetado” por uma grande inteligência primária. Essa inteligência, portanto, seria o “Deus”. Há, de forma contundente, alusão ao conceito de "Deus Ex-Machina". Por fim, não podemos deixar de mencionar a representação maçônica do Altíssimo, que consiste no “Grande Arquiteto do Universo”.
Resposta Realista:
Vamos parar de bla-bla-bla. Vocês viram aquele “Deus”? Viram os trejeitos? E o jeito de olhar pro Keanu Reeves? E a roupitcha? Enfim... Fizeram um camaradinha meio “sutil”. É claro que seria um arquiteto. Se fosse engenheiro, aí apareceria um sujeito truculento, falando grosso, mandando o Neo tomar no cu, e por aí vai...
E aí, moçada? Como fica? Alguma outra questão relevante sobre o filme???
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transubstanciado por gravata às 12.06.03 | 2 comentários
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Comentários:
Até que vc tem massa amigo...e nunca tinha olhado do seu modo,muito racional...
Andei revendo a trilogia para tentar compreender melhor e advinhe?!Deu na mesma.
Acontece que tudo parece não ter fim...matrix dentro de matrix numa realidade sem fim que afinal,talvez nem exista.
Mas eu percebi que mesmo os programas apresentados no filme gostam de ter sentimentos mesmo que eles sejam impulsos artificiais.O que me leva a imaginar que afinal o que importa não é o que é real,mas o que nós acreditamos.Se vc se sente bem num ambiente artificial,sabendo que tudo é uma ilusão,mas está feliz...entonces...que seja feliz.E isso é o que vale,por poder escolher no que acreditar,sendo real ou não,acreditamos por acreditar e isso é o único motivo que precisamos ter para existir.
Acho que foi mais ou menos isso que o filme me passou,de qualquer forma,o pessoal de Zaion acreditou que conseguiria vencer e no final...ficaram vivos (alguns) ...isso é o que importa hehehe.
No mais o filme e a história foram bons apesar dos defeitos que vc mesmo cita alguns...
Tenho mais uma teoria:
Porque as máquinas não procuraram habitar outro planeta?Se precisavam de luz no espaço existe muita,mais aí ia virar Star Wars...
Fui...ou será que foi assim que surgiu Star Wars?!
