Quinta, Fevereiro 23
[CAVALO DE GUERRA]

Steven Spielberg sempre foi um cineasta que soube trafegar com equilíbrio pelo terreno do emocional, mas em Cavalo de Guerra ele errou feio. É, disparadamente, o filme mais maniqueísta do diretor, que parece fazer um esforço hercúleo - e deliberado - para conquistar o espectador. A sequência na fazenda procura caracterizar os personagens como pobres coitados de bom coração e dignos de misericórdia. A cada dez minutos, Spielberg parece levantar uma placa dizendo "aqui você deve chorar".
Existe a intenção de se criar um épico emocional. Todo sofrimento é catapultado a níveis de dor absoluta. A fotografia exagerada celebra o artificial, o que funciona - e de certa forma metaforiza - perfeitamente o final, sentimentalóide, cujos tons de vermelho evocam ...E o Vento Levou. Verdade que boa parte dessa manipulação vem do material original, cujo tom esquemático é inerente, mas o diretor, que sempre soube trabalhar excessos, não nos poupa.
A sequência de desventuras acontece em cascata. A parte "guerra" é mais interessante, explora melhor os cenários, mas continua com suas cenas exageradas e sem ritmo. A única que se salva é aquela em que o cavalo fica preso no arame farpado. Aí Spielberg sai do esconderijo e faz o que sabe melhor: ser um bom garoto.
Cavalo de Guerra 

[War Horse, 2011], Steven Spielberg.
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