Quinta, Novembro 10
[mostra sp 2011: post 14]

The Yellow Sea 



Hwanghae, Hong-jin Na, 2010
A coisa mais bonita do cinema coreano é que ele, melhor do que nenhum outro, sabe transitar da tragédia à comédia com grande naturalidade. Tudo vem casado. Não existe preparação para o espectador ocidental, acostumado a mudanças pontuadas. O drama e o humor se misturam e surgem do nada, pegando muita gente de supresa e deixando outros sem entender bem aquilo. E essa característica está presente em todo filme vindo país, inclusive os que, supostamente, deveriam abrir pouco espaço para comédia e tragédia.
É o caso de The Yellow Sea, a princípio um filme de máfia sobre um homem comum contratado para cometer um crime, que logo ganha um prisma mais abrangente e se transforma num policial megalômano, com seqüências de perseguição que deixam Batman: O Cavaleiro das Trevas no chinelo. A verdade é que depois do bom O Caçador, Hong-jin Na dirigiu um dos melhores filmes policiais dos últimos anos.
Filmado com muito talento, o longa tem uma fotografia meticulosa, que funciona mesmo quando a câmera é trêmula demais, mas é mesmo na montagem e no desenho de som que o filme cresce, transformando as cenas de fuga em seqüências onde o espectador perde o fôlego junto com o ótimo protagonista. É verdade que o filme é bem grande e que uma tesoura eliminaria fácil algumas gordurinhas, mas o conjunto é tão forte que alguma distribuidora brasileira bem que poderia tomar a iniciativa de lançar esse filmaço em circuito.

O Outro Lado do Sono 
The Other Side of Sleep, Rebecca Daly, 2011
Rebecca Daly levou a sério o título de seu filme. O Outro Lado do Sono e seu quê de thriller indie-etéreo-irlandês desperta o cochilo interior em qualquer espectador. A trama não oferece respostas fáceis, mas a suposta inteligência da narrativa parece mais uma grande confusão de onde a diretora não soube achar a saída. A protagonista exagera na demência.
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