Quarta, Novembro 2
[mostra sp 2011: post 9]

Elena 

Elena, Andrey Zvyagintsev, 2011
Andrey Zvyagintsev deixou de lado a obsessão pelos filtros que vimos em O Retorno, seu polêmico filme de estreia, mas aposta no olhar contemplativo em Elena, seu terceiro longa. Embora a protagonista esteja inspirada, o filme nunca se arrisca muito em sua proposta e termina parecendo chegar não muito longe de onde partiu. A locação, ao lado de imensas chaminés, me chamou muito mais a atenção.

Aqui 

Here, Braden King, 2011
Ben Foster e Lubna Azabal, de Exílios, são as estrelas deste romance étnico cujo maior valor vem das paisagens da Armênia, país que raramente temos a chance de ver no cinema. Os méritos param por aí porque o filme de Braden King adota fórmulas bastante desgastadas utilizando todo o estrangeirismos possível para contar sua história.

As Canções 


As Canções, Eduardo Coutinho, 2011
Saí decepcionado do filme de Eduardo Coutinho. As Canções parece dar um passo atrás em sua obra, que, nos últimos anos, vinha oferecendo um pouco mais do que apenas contar histórias. A fórmula é a mesma do excelente Jogo de Cena, mas sem qualquer reflexão além dos depoimentos dos personagens. Por sinal, muitos parecem personagens profissionais, pessoas que gostam de falar sobre si mesmas para quem quiser ouvir. Existem, claro, ótimas histórias, mas o conjunto é muito irregular. A sensação de que já vimos isso é inevitável.

Las Acacias 



Las Acacias, Pablo Giorgelli, 2011
O road movie instrospectivo é uma realidade no cinema atual, mas só funciona quando o diretor estabelece métodos rígidos na estrutura do longa, como Liverpool, de Lisandro Alonso, ou quando filma com a espontaneidade "calculada" de Las Acacias.
O estreante Pablo Giorgelli encontrou o caminho do meio entre as marcas do gênero, poucos diálogos, câmera naturalista, muita observação, e a leveza de se narrar um encontro romântico. O filme, ao contrário de outros com estética semelhante, é pouco pretensioso. Mas o diretor impressiona ao conseguir dirigir um bebê ou ao adaptar o texto ao que conseguiu extrair da menininha, encantadora, que além de dar alma a um filme conceitualmente seco, modifica completamente nossas expectativas.

Una Vita Tranquilla 


Una Vita Tranquilla, Claudio Cuppellini, 2010
Toni Servillo, ator de Il Divo, comanda aqui mais uma versão para uma velha história: a do homem recluso que tem que enfrentar seu passado. Apesar do tema já ter sido fartamente aproveitado, o diretor Claudio Cuppellini conseguiu domar os clichês e transformar a história num drama policial com certa grandeza. O roteiro bem acabado encontra suporte nos atores. O destaque, além do protagonista, é o Francesco Di Leva, que encarna um mafioso pitbull como um adolescente furioso.

A Terra Ultrajada 


La Terre Outragée, Michale Boganim, 2011
A Terra Ultrajada entraria facilmente entre meus favoritos da Mostra de Cinema de São Paulo se concentrasse toda sua história nos momentos antes do acidente na Usina de Chernobyl, que matou centenas no fim dos anos 80, na Ucrânia, então União Soviética. A diretora Michale Boganim recupera, com muita sensibilidade, o dia anterior à explosão, fazendo um painel das pessoas que moravam perto do local, nos arremessando diretamente no cotidiano daqueles personagens.
As coisas se complicam quando o filme salta dez anos no futuro e tenta dar mais densidade aos dramas de quem perdeu casas e parentes. Pesa a mão na protagonista, a ex-bond girl Olga Kurylenko, e não sabe dar corpo à perda de sanidade e ao lado espiritual dos personagens.
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