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Sexta, Outubro 28

[mostra sp 2011: post 5]

Marlon Brando, Vivien Leigh, Elia Kazan

Blanche DeBois. Stanley Kowalski. O primeiro encontro dos personagens mais clássicos de Tennessee Williams já é um duelo. O texto de Um Bonde Chamado Desejo acirra esse conflito entre opostos. Não há meio termo. Blanche é a tradição. Stanley, o moderno. Blanche é a magia. Stanley, o realismo. A adaptação para as telas, sob o comando de Elia Kazan, põe mais um capítulo nessa história: Blanche é o teatro. Stanley, o cinema.

Voluntariamente ou não, Kazan contrapôs dois tipos de interpretação radicalmente diferentes e igualmente excelentes. Vivien Leigh tem a herança da Hollywwod clássica, pesa a mão no dramático e abusa da afetação em sua composição. Enche a tela e os olhos. Marlon Brando traz o naturalismo do Actor's Studio pro cinema, com seu improviso ensaiado e sua espontaneidade. Enche a tela e os olhos.

O espectador ora é seduzido pela brutalidade de Brando, ora pela vulgaridade de Leigh. Quase sempre por ambos. Kazan acerta em cheio em transformar esse duelo em osso e carne, criando um filme carregado de tensão sexual, traduzindo como nunca antes e poucas vezes depois a atração entre opostos.

Marlon Brando

Sindicato de Ladrões é uma experiência completamente diferente. O filme é a primeira grande celebração do naturalismo no cinemão norte-americano, com todos os atores interpretando "gente do povo" como "gente do povo". Marlon Brando comete uma das maiores interpretações da História, a maior de sua carreira. Karl Malden, Lee J. Cobb, Rod Steiger e Eva Marie Saint seguem de perto.

Mas o filme que vira uma denúncia sobre a ação criminosos dos sindicatos nos portos da América vai muito além do papel social. Kazan usa o filme como maneira de dar sua palavra sobre a delação, que move a trama central e pela qual ele foi crucificado por dedurar companheiros comunistas durante o macarthismo.

O poder simbólico da sequência que encerra o filme é brutal. Pode conquistar ou repelir o espectador. Mas até ela chegar, Kazan filma com tanta maestria, cria cenas tão imponentes, como o discurso do padre no cais, ou tão simples como o beijo que leva o casal ao chão, com tanta delicadeza que transforma este filme num dos maiores do cinema norte-americano.

Uma Rua Chamada Pecado EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
A Streetcar Named Desire, Elia Kazan, 1951

Sindicato de Ladrões EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
On the Waterfront, Elia Kazan, 1954

posted by Chico Fireman at 00:54:46 | 0 comentário



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