Sábado, Outubro 22
[mostra sp 2011: post 1]

O Garoto de Bicicleta 


Le Gamin au Velo, Jean-Pierre e Luc Dardenne, 2011
As marcas que costumamos reconhecer no cinema dos irmãos Dardenne aparecem fartamente em O Garoto de Bicicleta: a câmera naturalista, as interpretações econômicas, os personagens amargos e solitários estão presentes no novo filme da dupla, que narra a história de um garoto abandonado pelo pai. A natureza da trama é semelhante às temáticas duras que vimos em filmes como O Filho e A Criança.
No entanto, o longa indica uma mudança drástica no tom do cinema da dupla. Embora os protagonistas continuem cercados por um mundo de crueldades e os diretores não nos poupem de cenas angustiantes, não existe fatalismo. Desde o início, o filme parte do princípio de que a transformação e a redenção são possíveis para todos. A vida continua dura para os personagens do Dardenne, mas, pela primeira vez, é possível fazer planos para amanhã.

The Day He Arrives 



Book Chon Bang Hyang, Hong Sang-Soo, 2011
O cinema de Hong Sang-Soo tem um quê ensolarado, mesmo quando o filme não é exatamente uma comédia. The Day He Arrives parte do princípio do encontro entre um ex-diretor e um crítico de cinema numa cidade do interior do Japão para fazer observações cotidianas e comentários sobre o ofício que o Song-soo escolheu. O filme brinca o tempo inteiro com estrutura e repetições, embora sob o disfarce do humor. Os diálogos, que remetem ao Woody Allen setentista/oitentista, são a base para a o filme.

Pater 


Pater, Alain Cavalier, 2011
Alain Cavalier segue em sua missão de experimentar, mas desta vez com muito mais humor. Seu novo longa, Pater, parece uma brincadeira séria com a representação, tentando redefinir os limites entre ficção e documentário, a partir da história assumidamente fictícia de um presidente e um primeiro-ministro. Embora Cavalier, que interpreta um dos personagens (e está ótimo), faça a balança pesar para a comédia, deixando o filme leve, parece errar na duração de algumas cenas, que, longas, perdem a força. Ainda assim, o experimento vale a pena, embora não chegue aos pés da obra-prima de Eduardo Coutinho, Jogo de Cena.

Isto Não é um Filme 



In Film Nist, Mojtaba Mirtahmasb e Jafar Panahi, 2011
Hoje, é possível dizer que a prisão de Jafar Panahi fez o cineasta tão conhecido quanto seus filmes. A mobilização global e as manifestações públicas em favor de seu nome transformaram seu caso num exemplo de cerceamento da liberdade de expressão. Por isso, Isto Não É um Filme, basicamente uma brincadeira entre amigos, ganha proporções gigantescas. Durantes os menos de 80 minutos do filme, o documentarista Mojtaba Mirtahmasb registra momentos da vida cotidiana de Panahi em sua prisão domiciliar, além da narração do diretor de cenas que estariam em seu projeto seguinte.
É um registro tão precioso que o fato de ele ter uma realização tão improvisada desaparece. O curioso é que, ao retratar estes flagrantes, o filme adota métodos muito comuns ao cinema iraniano: a encenação de cenas, os atores não-profissionais e a única grande verdade do cinema do país, a de que a vida invade o cinema a qualquer momento.
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