Terça, Julho 19
[mostra hitchcock - parte quatro]

Psicose 




Psycho, 1960, Alfred Hitchcok.
Adianta, 51 anos depois, dizer que este é filme revolucionário? Hitchcock apresenta uma protagonista e a mata depois de meia hora. Janet Leigh tem um tempo reduzidíssimo, mas consegue dar complexidade ao papel, enquanto Hitchcock usa esse primeiro ato para seus exercícios de cinema. O jogo entre Marion Crane e o policial é o maior exemplo. Tenso e sem um take fora do lugar. Embora o impacto da figura da mãe tenha envelhecido, a cena do chuveiro ainda é uma coisa linda. Assim como, o segundo assassinato, na escada. A aparição de Norman Bates para o personagem de Vera Miles é assustado, sobretudo pelo usa da música de Bernard Herrmann, quase um codiretor. Sua trilha quase se impõe sobre as cenas, dá sua exata medida, tom, intensidade. E Anthony Perkins, frágil, afetado, desmoronando, é um rei. A explicação final, que sempre me pareceu excessiva, desta vez não só me convenceu, como me pareceu necessária de tão bem encenada.

Os Pássaros 




The Birds, 1963, Alfred Hitchcok.
Os Pássaros é o filme mais sensorial de Hitchcock. As cenas sem diálogos usam o som - afetado, assustador - como mola propulsora e o resultado é bárbaro. Por sinal, todas essas cenas, longas e memoráveis, parecem dirigidas por um sádico porque Hitchcock faz com elas levem o espectador ao limite do pânico. O diretor não parece se importar com o excesso. Tudo está um tom acima e a ideia parece ser essa mesmo: perder a medida. Os efeitos visuais, que hoje podem parecer simples demais, provam isso. A tecnologia necessária para criar imagens perfeitas não existia, mas isso não segurou Hitch e ele partiu, mais uma vez, para a invenção. E criou cenas assustadoras.

Topázio 


Topaz, 1969, Alfred Hitchcok.
Quase não lembrava de Topázio, que é uma ótima aventura na Guerra Fria, com Hitch escondendo quem é seu protagonista por mais de meia hora, deslocando seu cenário como raramente fez e e evitando rostos conhecidos. Este filme é sempre considerado menor na filmografia do diretor - e não deixa de ser - mas revela um interesse de Hitchcock pelo que acontecia no mundo. A cena no hotel dos cubanos revela uma visão preconceituosa do cineasta, mas é filmada com maestria. E o filme inteiro parece um filme B. Delicioso, isso. Gosto muito de toda a seqüência em Cuba, longa, que quebra o filme no meio, totalmente inesperada. Topázio ganha muito com esse pequeno caos.
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Comentários
Já assisti todos estes filmes, mas vê-los no cinema deve ser uma experiência ímpar.
E parabéns pela cobertura. Hitchcock merece.
Abração, meu caro!
ainda não conferi Topázio, vou anotar
cadê Um Corpo que Cai?
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péssimo 







