Quinta, Julho 14
[mostra hitchcock - parte dois]

Rebecca, a Mulher Inesquecível 


Rebecca, 1940, Alfred Hitchcock.
Rebecca é um filme visivelmente conflituoso. A chegada de Hitchcock em Hollywood mostra que o diretor teve que adaptar sua marca a do produtor David O. Selznick. Ao filme, falta aquela pitada popular que consagrou Hitchcock. Ela parece disfarçada de novela de época, que deveria ser o que Selznick considerava como arte. Deu certo. O filme ganhou o Oscar, mas parece rebuscado demais, literário demais, o que, de certa maneira, o deixa numa posição interessante na filmografia de Hitch. Joan Fontaine peca pelo excesso, embora tenha cenas memoráveis, mas a performance de ouro neste filme é a de Judith Anderson, impecável, como a mais pura tradução do mal encarnado.

A Sombra de uma Dúvida 




Shadow of a Doubt, 1943, Alfred Hitchcock.
Alfred Hitchcock dirigiu poucos filmes tão perfeitos quanto A Sombra de uma Dúvida. A transição entre o peso da trama dramática e as dezenas de contrapontos cômicos é tão sutil quanto adequada. Hitchcock gasta um tempo importante desenvolvendo cada um dos personagens da família Newton, dedicando carinho especial para a pequena Ann de Edna May Wonacott, dona da interpretação adorável de uma nerd em gestação. Joseph Cotten e Teresa Wright estão em seus momentos mais inspirados. Cotten acerta em cada expressão. Passa do perverso para o adorável em segundos. Hitchcock constrói seu suspense de uma maneira quase maquiavélica. Desde o começo sabemos que se trata de um homem mau próximo a uma família boa. Não há o que descobrir, o que revelar. A tensão surge dessa convivência. E é o clima é claustrofóbico o tempo inteiro.

Interlúdio 




Notorious, 1946, Alfred Hitchcock.
Uma das melhores cenas de mistério dirigidas por Hitchcock está neste filme maravilhoso. O diretor precisa de uma chave e do rosto atormentado de Ingrid Bergman para criar suspense em seu estado puro. A seqüência é eletrizante e, ao mesmo tempo, parece minúscula demais. Prova de que o diretor pode emprestar potencial cinematográfico a qualquer coisa. E Interlúdio é um de seus filmes mais lindos. Porque, no fundo, é uma história de amor grandiosa. Outra seqüência que impressiona é a do beijo interminável entre Ingrid Bergman e Cary Grant, que não se separam nem para atender o telefone. Apesar disso, o beijo tem várias interrupções por causa do limite de três segundos por beijo imposto pelo Código Hays, a censura da época. Ingrid está luminosa, uma de suas melhores interpretações, prova de que elas estava anos-luz da maioria das atrizes de sua época. Há um contraponto que Hitchcock aproveita muito bem: enquanto Ingrid é uma 'rebelde' recuperada, Grant, mesmo apaixonado, se finge de indiferente o filme inteiro. Isso isola a personagem de Ingrid e aumenta o suspense. O final de "Interlúdio" é uma porrada.
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Comentários
Qual o seu favorito dele, dentre todos? O meu é clichê: "Vertigo".
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péssimo 







