Domingo, Abril 24
[sobrenatural]

James Wan e Leigh Whannell são os principais responsáveis pela monstruosa tsunami de filmes de tortura que domina o terror no cinema há alguns bons anos. A dupla assinou direção e roteiro de Jogos Mortais, um filme de exploitation plastificada que não gerou apenas uma série de tumores secundários como infectou meio mundo e espalhou a metástase pelo gênero. Por isso mesmo, é surpreendente que esses mesmos dois tenham feito, sem recorrer a violência explícita, o filme de espíritos mais assustador dos últimos anos.
Sobrenatural é tudo o que Revelação, de Robert Zemeckis, tenta, mas não consegue ser: uma homenagem aos longas de terror dos anos 70 e 80 que passeavam por casas assombradas e colocavam os personagens frente ao desconhecido. E o filme faz isso da maneira mais simples e eficiente possível. Os criadores usam os elementos mais clássicos do gênero (vozes macabras, aparições na janela e vultos pela casa) sem chances para que o espectador pare para respirar. E não se trata de velocidade, mas intensidade. O resultado é um assombro. De verdade.
É interessante como o roteiro avança pelo tema. O sobrenatural surge com insinuações, mas vai se materializando aos poucos até o momento em que assume completamente a mitologia do gênero, com direito a caçadores de fantasmas e uma legião de seres de outro mundo. Wan sabe manter o mistério, dando um tratamento visual macabro ao filme, embora nunca passe do ponto. O diretor se arrisca muitas vezes nesse processo, mas, exceto pela cena em que o protagonista chega ao covil do inimigo, tudo se encaixa direitinho.
A escalação do elenco ajuda a dar corpo ao filme. Patrick Wilson e Rose Byrne estão muito bem. E Lin Shaye e Barbara Hershey nos fazem crer em parapsicologia. Atores sérios projetam o filme, que passeia com orgulho pelos limites entre o kitsch e susto, para literalmente outro plano. Criam um tipo de relação mais sólida com o espectador. Aproveitando essa sustentação, Wan cria intermináveis sequências de pavor. E, me perdoem os defensores do cerebral, das texturas e do improviso, mas é exatamente isso o que a gente espera de um filme de terror.
Sobrenatural 



Insidious, James Wan, 2010
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