Segunda, Fevereiro 28
[oscar 2011: passado ou bem passado?]
Steven Spielberg é um sábio. Sou fã do homem. Antes de entregar o Oscar de melhor filme, o cineasta mais famoso do mundo disse que quem ganhasse se juntaria a filmes como O Poderoso Chefão e que quem perdesse estaria ao lado de Touro Indomável. Steven, um homem que tem noção boa de perenidade, provavelmente já previa a vitória de O Discurso do Rei, um filme do qual o mundo se esquecerá em alguns meses, sobre A Rede Social, um filme que representa uma época.
Com a vitória do filme inglês, a Academia perdeu a oportunidade de parecer uma entidade extraterrena, coisa qua havia conseguido nos últimos anos, celebrando filmes que, bem ou mal, estavam de acordo o momento. Não que um filme de época seja necessariamente alienado, mas o recorte biográfico da vida George VI, um rei esquecido pelo tempo, metaboliza uma história de superação forjando a importância de seu protagonista na Segunda Guerra Mundial com uma série de armadilhas de roteiro escondidas por um acabamento técnico apenas correto.
A meu ver, O Discurso do Rei se junta mesmo a títulos como Carruagens de Fogo e Conduzindo Miss Daisy, filmes quadradinhos, totalmente trabalhados no emocional e cheios de fórmulas. Pelo menos, nos dois casos, os diretores, que não fizeram mais do que apertarem os botões, não foram igualmente agraciados. O do primeiro sequer foi indicado. Se o mundo fosse justo, este seria o destino de Tom Hooper. Mas o mundo não é. E David Fincher, que fez um trabalho muito superior, se viu derrotado pelo mais fraco de seus concorrentes. Não precisava.
O prêmio para Colin Firth seria menos óbvio se seu principal adversário não tivesse ganho no ano anterior. Jeff Bridges havia vencido por uma interpretação menos complexa, derrotando por sinal o próprio Firth, que ainda ganhou os pontos da compensação, que ajudou a pesar a balança pro seu lado. Essa regra não funcionou para a veterana Annette Bening que poderia ser a zebra entre as melhores atrizes, mas cujo trânsito entre a categoria e sua própria história, inclusive no Oscar, não foram suficientes para barrar a sempre mediana Natalie Portman, em sua interpretação mais esforçada.
Christian Bale, melhor performance indicada este ano (contando todas as categorias de atuação), ganhou merecidamente o prêmio de coadjuvante, diminuindo o número de troféus do filme inglês. Melissa Leo driblou sua campanha de auto-difamação que repercutiu mal na imprensa e duas boas apostas, Hailee Steinfeld e Helena Bonham-Carter, mas a grande atriz fora das telas vendeu a imagem de uma Suzana Vieira norte-americana, arrogante, histriônica, barraqueira e deselegante. Pena que Kirk Douglas, genial em sua apresentação do prêmio que ela ganharia, teve que ver aquilo de perto.
A cerimônia desta noite foi bem interessante, embora muitos prêmios tenham sido ruins. Mas dois nomes garantiram nossa festa. O primeiro foi Trent Reznor, do Nine Inch Nails, que ao lado de Atticus Ross assinou a trilha sonora de A Rede Social, que derrotou o conformismo. Foi um dos grandes momentos da noite. O outro nome foi o de Anne Hathaway, a apresentadora, deliciosamente simpática e brincalhona. Seu par, James Franco, estava bem, mas ela dominou a cerimônia, mais curta do que no ano passado.
Numa lista de filmes ruins, Em Um Mundo Melhor, que não é ótimo, mas não envergonha a diretora foi justamente homenageado. Foi a mesma lógica do quesito de canção. Só havia uma boa música. Justamente "We Belong Together", de Toy Story 3, a que ganhou. O prêmio para a fotografia de A Origem pode não ser o mais justo, mas indica que a Academia pode estar ampliando seus critério desta categoria. Mesmo assim, é imperdoável que Bravura Indômita tenha saído sem prêmios da festa, mesmo diante de suas dez indicações. Interessante foi ver O Discurso do Rei falhar justamente em sua seara, direção de arte e figurinos.
Para compensar, a Academia produziu um clipe risível em que um voice over do filme que seria o vencedor atravessa os dez indicados a melhor filme. Acaso, descuido ou uma edição didática como a do filme de Tom Hooper. É, Steven Spielberg estava certo em seu discurso conciliador. Assim como Rick Baker, mestre numa arte prestes a terminar, a maquiagem, que levou seu sétimo Oscar, a Academia precisa ter cuidado para não se juntar a ele. Não como vencedor, mas no quesito "obsoleto".
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Comentários
não sei porque você insiste em dizer que o Rei George é um rei insignificante para a história da Inglaterra. Ele não só teve papel fundamental na história do país, como é o pai de uma das mais importantes rainhas da Inglaterra. Não acho esse argumento válido.
Eu não sei se rede social merecia mais que O Discurso do Rei, eu não vi Rede Social ainda, vi o Discurso e foi um filme que me divertiu bastante. E eu, como simples espectadora, achei o filme muito muito bom, leve, no ponto, sem equívocos, me impressionou. É emocional? É. E por acaso ser emocional é pejorativo? Acho que foi um filme que agradou o grande público que, espero qeu também não seja algo "pejorativo" pra você.
Concordamos em um ponto só na verdade... rs
Anne Hathaway é o máximo! Ela dominou o palco vencendo rapidamente o nervosismo que apresentou nos primeiros segundos da premiação (durou mesmo segundos... rs).
Eu acho que o Facebook representa um momento da nossa geração, mas eu discordo em pensar que um filme sobre o facebook seja necessariamente um filme que represente a nossa geração. Eu sinceramente nunca pensei que Rede Social fosse material pra Oscar, não tem nada a ver com esse tipo de premiação e a indicação do protagonista que nem sei o nome pra melhor ator foi uma forcação de barra gigante.
Bom, comentários na paz. Discordo de quase tudo o que você disse, mas nem por isso deixo de gostar de você
beijos!
Debora
Por fim, tudo se resume ao fato de ´A Rede Social´ tratar de um fato importante para você (Facebook, Internet), e por isso mereceria um Oscar, quando o Oscar premia, de fato, um filme, o premia por uma série de fatores, inovação é apenas um deles, ou seja um filme ´quadrado´ (conservador, digamos), se tiver um bom roteiro, uma boa direção, uma boa fotografia e boas atuações vai levar o Oscar sim... O mundo precisa de mais filmes como ´O Discurso do Rei´ e menos filmes como ´A Rede Social´, ainda que ESSE filme seja bom em virtude da atuação do ator principal e do bom roteiro (e só
Ano passado todos falavam do novo caminho que apontaria a vitória de "Guerra ao Terror" ou "Avatar", a vitória de "Guerra ao Terror" parecia uma opção pelo ousado.
No entanto, a premiação desse ano mostrou enorme conservadorismo.
O prêmio que mais me agradou e de certa forma me surpreendeu, uma vez que eu realmente esperava um conservadorismo quase unanime da academia, foi o prêmio de melhor Trilha Sonora para "A Rede Social" pelo incrível trabalho de Trent Reznor e Atticus Ross. O impressionante trabalho era meu preferido, mas eu acreditava ser muito ousado para conseguir a estatueta. Surpreendentemente eles levaram, essa foi a melhor notícia da noite.
PS: Sinceramente, se fosse para dar o oscar de melhor direção para Tom Hooper, melhor seria premiar novamente os irmãos Coens. É uma pena que Claire Danis, não concorreu. A tua interpretação está soberba em TEMPLE GRANDIN. Embora tenha sido filme para TV. E mais sincero ainda, preferia a Melissa em RIO CONGELADO. Por que não Jackie Weaver? E, nossa, BLUE VALENTINE. Faz um tempo que não me emocionei tanto. ADOREI. E não só A REDE SOCIAL, se juntará AS VINHAS DA IRA. Mas estou quase achando que David, também se juntará a nomes como Hitchcock e Kubrick. Que venha o próximo ano e uma nova esperança de mudanças.
olha de 2001 pra ca quem ganou o oscar boa parte nao e melhor filme nem na tiberia
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