Sexta, Janeiro 28
[um lugar qualquer]

Embora Encontros e Desencontros ainda seja seu filme mais bem dirigido, este parece ser o trabalho mais maduro de Sofia Coppola. E o menos comercial também. Um Lugar Qualquer é um filme de não-ação. Frustra quem espera começo-meio-e-fim e clímaxes como os de uma história com narrativa convencional. O longa ignora os grandes acontecimentos do dia-a-dia na vida do protagonista, aqueles tópicos de agenda, e se concentra no que se faz entre eles.
A diretora, pela primeira vez assumindo uma voz masculina - é o primeiro protagonista homem de sua carreira - , conduz a clássica história de mudança de comportamento através da insinuação. A personagem de Elle Fanning, encantadora de uma forma completamente espontânea, surge para quebrar a rotina oca do pai, astro do cinema, sem grandes dramas ou encenações. Sua presença basta para caotizar o status quo. A sutileza está neste diferencial. Sofia dribla todos clichês dessa história e adota a não-ação. Nada de tatibate.
O naturalismo está por toda parte em Um Lugar Qualquer, um olhar documental sobre a vida de um ator: na fotografia em cores neutras, em cenas de pura observação, como a das dançarinas ou a da piscina, e nas interpretações simples, sem grandes performances. Embora o final possa parecer amarrado demais, a nostalgia éterea e carinhosa do filme prevalece. Sofia Coppola não oferece cartarses. Cabe ao espectador caçar motivos e identificações. Ou não.
Um Lugar Qualquer 



Somewhere, Sofia Coppola, 2010
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