Quinta, Janeiro 27
[o mágico]

O maior defeito do francês Sylvain Chomet, na minha opinião, talvez seja sua grande qualidade para a maior parte das pessoas: o diretor dedica muito de seu trabalho para criar obras nostálgicas que parecem excessivamente calculadas. O Mágico, assim como seu longa mais conhecido, As Bicicletas de Belleville, parece convocar o espectador a apreciar sua tristeza "nobre" e esquisita na forma de expressão genuína. É como se seus filmes gritassem: "olha, como eu sou lindo". Isso me incomoda.
Esse novo longa repete os cacoetes de seu cinema até aqui. Mas O Mágico tem grandes qualidades. É um filme bonito mesmo, tanto no traço quanto em sua melancolia. Chomet afirma ter sido bastante ao roteiro que Jacques Tati escreveu pouco tempo antes de morrer, mas não conseguiu realizá-lo. Mas é inegável que transformar esse roteiro para uma animação não deve ter sido uma tarefa tão simples. O timing parece correto e a trilha sonora, que serve como fio condutor da narrativa de solidão, já que o filme é praticamente mudo, é belíssima.
Eu ainda acho que as coisas poderiam ser melhores se Tati estivesse no comando. O cineasta-mímico sempre foi triste, melancólico, nostálgico, mas seus filmes sempre foram espontaneamente graciosos. Mas será justo comparar?
O Mágico 


L'Illusioniste, Sylvain Chomet, 2010
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