Terça, Janeiro 25
[quem vai ganha o oscar 2011?]

Eu não sei e você? O fato é que chegamos a um ponto da corrida pelo Oscar em que as coisas de fato se embaralharam na categoria principal. A Rede Social continua como franco-favorito (é o "filme do ano", o "filme do momento", saudado pelos críticos, celebrado pelos guilds com muitas indicações), mas a dúvida é: esse filme tem cara de Oscar? Talvez não. Mas a tal "cara do Oscar", essa tem mudado e muito.
Por uma lógica de tradição, O Discurso do Rei, longa inglês sobre um rei gago em forma de pequeno épico, teria o perfil exato de filme premiado no Oscar. Produção requintada, celebrada pela crítica, vários atores de respeito, história de nobreza (literalmente e indiretamente). Mas já faz algum tempo que esse tipo de filme tem fracassado na reta final do prêmio.
Olhe pra trás. No ano passado, Guerra ao Terror ganhou o Oscar de melhor filme. Um filme pequeno, contemporâneo, de guerra, sobre soldados, em tom documental, dirigido por uma mulher. Esse filme tem o perfil de ganhador do Oscar? Não se levarmos em conta o perfil que entrou no imaginário popular como o de vencedor. Mas o Oscar, de uns anos pra cá, resolveu se modernizar. Aos poucos, mas de uma maneira linear.

Em 2008, Quem Quer Ser um Milionário? derrubou O Curioso Caso de Benjamin Button, que atenderia muito mais aos padrões do Oscar, justamente num momento em que os Estados Unidos pareciam querer fazer as pazes com o mundo, pedindo perdão pelo impopular George W. Bush e suas guerras. Venceu Bollywood e o mundo globalizado. "A gente ama vocês também", gritava a Academia.
Um ano antes, os irmãos Coen ganharam o prêmio em Onde os Fracos Não Têm Vez, um western contemporâneo, anti-climático, esquisito. Bateu Desejo e Reparação, drama de época baseado em autor celebrado e que já tinha ganho o Globo de Ouro. Os Infiltrados e Crash também versavam sobre tempos e temas atuais. Uma tendência? Talvez não de uma forma ostensiva, mas crescente.
É por essas e outras que eu ainda não vejo as coisas tão abaladas para o lado de A Rede Social. Nem por conta das 12 indicações de O Discurso do Rei. Quatro a mais que o filme de David Fincher. Quase todas eram esperadas ou eram possibilidades fortes: filme de época já se valida em várias categorias e com um elenco cheio de nomes respeitados, ganha bastante em corpo de indicações. Resultado: parece que está tudo no lugar certo. Por enquanto, parece que vai aparecer a opção "curtir" ao lado da tela no próximo dia 27.
mais Oscar 2011:
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Comentários
O Oscar parece ter perdido a capacidade de definir os rumos da indústria.
Além do mais, ainda faltam muitos filmes para estrearem por aqui.
Um forte abraço.
AGORA,SE EU NÃO ME ENGANO BURLESQUE FATUROU O PREMIO DA CRITICA ESTRANGEIRA ,SÓ QUE NO OSCAR TAMBÉM FOI ESNOBADO.
Flávio, dez filmes é demais, sim. Eu acho que deprecia o prêmio. Eu fico com 5 msmo, mas qual o problema com animação (desenho não)? As regras agora só permitem 2 canções, no máximo, por cada filme. Cisne Negro, acho impossível. Bravura Indômita pode acontecer, mas acho difícil.
Henrique, a categoria de trilha também difere bastante.
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