Sexta, Dezembro 17
[enterrado vivo]



A primeira associação de críticos a anunciar seus prêmios em 2010 foi o National Board of Review e, no quesito roteiro original, o grupo elegeu um filme que não aparecia em nenhuma das listas de apostas que circulavam pela internet. O longa era Enterrado Vivo e o prêmio para seu roteiro foi justíssimo. O filme dirigido pelo espanhol Rodrigo Cortés partia de uma ideia que nós já vimos muito por aí, inclusive na obra de Quentin Tarantino: uma pessoa acorda dentro de um caixão. Mas o que era uma cena ou uma sequência de cenas nos outros longas é o filme em si neste caso. Enterrado Vivo se passa inteiramente dentro de um caixão.
Não existem cenas externas nem flashbacks, escolhas que seriam óbvias para dinamizar um filme com este tema. O roteiro de Chris Spalding é radical: qualquer interação entre o protagonista com o mundo exterior é feita exclusivamente por telefone. O texto cria uma extensa variedade de situações que emprestam uma agilidade à trama que falta em muito filme de velocidade e passa pelos mais diversos tópicos e formatos. Há desde uma declaração apaixonada entre marido e esposa até as críticas à burocracia e à política das grandes corporações, sem esquecer de alfinetar a postura dos Estados Unidos nos países ocupados e os militares.
Um leque de possibilidades que exige do personagem principal e único ator que aparece em cena, Ryan Reynolds. Todos os outros intérpretes do filme têm performances vocais, o que deixa Reynolds com uma responsabilidade gigantesca. O ator, sempre escorado em papeis em comédias, romances ou filmes de ação, nunca teve a chance de mostrar do que - ou se - era capaz. Aqui o ex-marido de Scarlett Johansson surpreende com uma interpretação segura, oscilando com fluidez entre o emocionado, o nervoso e o descontrolado. Um papel complexo que ele defende com destreza.
Mas além de um roteiro cheio de desdobramentos e de um ator mais do que eficiente, Rodrigo Cortés se preocupou em deixar o filme, um convite à claustrofobia, menos difícil de se assistir. Para isso apostou numa montagem ágil, mas sem se render a excessos de maneirismos e criou vários elementos que garantem variedade à fotografia, explorando uma micro-paleta de cores que dão ainda mais movimento ao filme. O único senão de Enterrado Vivo é quando surge um segundo elemento no caixão, numa cena que parece um tom acima da tensão palpável e crível que impregna o filme inteiro. Não fosse por isso, o filme de Cortés seria perfeito.
Enterrado Vivo 



Buried, Rodrigo Cortés, 2010
Posts similares:
Top 5,5 melhores cenas de ação sem corte do cinema
Ryan Reynolds seria o Flash?
Ryan Reynolds diz que Lanterna Verde será papo reto!
Comentários
Deixe aqui seu comentário:


péssimo 







