Sexta, Dezembro 17
[abutres]

O cinema autoral e a produção com mais recursos não combinam? A resposta parece ser não quando o cineasta em questão é o argentino Pablo Trapero. Abutres, seu filme mais recente, é o trabalho mais bem produzido de sua carreira, mas, ao mesmo tempo, é seu filme menos autoral. Embora seja tecnicamente correto e estranhamente pareça um prolongamento natural do cinema que ele tem feito, o longa parece feito sob encomenda para um público maior.
Ricardo Darín, "o único ator da Argentina", segundo uma amiga, e Martina Gusman, mulher do diretor, vivem uma história de amor entre um advogado que aplica golpes em vítimas de acidentes de carro e uma socorrista. Os dois estão bem, química total, mas incomoda o fato deste filme não ter arestas para aparar, charme do cinema de Trapero. Tudo é redondinho, explicadinho, até o visual sujo parece bastante calculado. A sequência final me deu arrepios, fazendo lembrar aquelas relações de causa-e-efeito x coincidências da vida de filmes horrorosos como Crash e Babel.
Abutres 

Carancho, Pablo Trapero, 2010
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