Quinta, Novembro 4
[mostra sp 2010: post 9]

Vênus Negra 

Vénus Noire, Abdellatif Kechiche, 2010
Eu sempre fico questionando um filme que, sob o pretexto de denunciar uma barbaridade, a reproduz no melhor estilo de sadismo. Abdellatif Kechiche é um cineasta respeitado, ganhou prêmios importantes e fez filmes elogiados. Teoricamente, não precisaria deste artifício, mas Vênus Negra, apesar de ser um filme de qualidades, opera no limite do excesso. Kechiche introduz a história que, ao final sabemos ser real, da africana levada para a Europa como monstro de circo na base do desconforto com cenas que retratam a humilhação pela qual a protagonista passou e, ao longo do filme, promove uma das "descidas ao inferno" mais cruéis dos últimos tempos. O diretor investiga a maldade humana assumindo para si a perversidade dos "vilões", adotando a estética do choque como modelo narrativo. Embora seja muito bem encenado e produzido, este é mais um filme que ganha pela espetacularização do sofrimento, justamente o que ele parece querer denunciar.

Símbolo 



Shinboru, Hitoshi Matsumoto, 2009
Nada que a Mostra 2010 exibiu neste ano lembra de longe este Símbolo. O filme de Hitoshi Matsumoto, que também é o protagonista, abusa da liberdade narrativa, visual e de roteiro, criando uma comédia deliciosa, lúdica, mágica e perturbada que evoca Jerry Lewis, mas tem a melancolia de um Jacques Tati. O cineasta carrega na simbologia, nunca oferece metáforas imediatadas e transforma seu longa num manifesto que pede atenção para o mundo de hoje. Belíssimo.

Cirkus Columbia 

Cirkus Columbia, Danis Tanovic, 2010
O esfacelamento da Iugoslávia ganhou mais um rebento. Desta vez em forma de pequena comédia dramática sobre a volta de um pai pródigo para casa. Danis Tanovic nunca ousa: faz um filme simpático, vendável, mas toca em assuntos sérios como família, primeiro amor e deveres para manter o respeito. Miki Manojlovic reprisa tipos que viveu em filmes como Underground, sem a grandiosidade, mas com um toque mágico na cena final, uma epifania. O mais curioso foi ver Danielle Rousseau, de Lost, fora da ilha, como a mãe da protagonista, falando em bósnio. Indicação da Bósnia ao Oscar 2011.

Tudo Que Eu Amo 


Wszystko, co Kocham, Jacek Borcuch, 2010
Tudo Que Eu Amo é todo pequeno. O cenário é a Polônia do começo dos anos 80, com o crescimento do Partido Solidariedade de Lech Walesa e das tentativas das autoridades socialistas de minar sua força. Apesar do tom melancólico, o filme exala uma leveza impressionante, promovida pelo protagonista, um adolescente que comanda uma banda de rock. O diretor Jacek Borcuch explora essa juventude como força política, deixando as ações dos personagens como reações imediatadas de quem está começando a descobrir o que não gosta no mundo.

Vocês São Todos Capitães 

Todos Vós Sodes Capitáns, Oliver Laxe, 2010
O filme de Olivier Laxe demonstra toda a falta de maturidade do cineasta, para o bem e para o mal. Ao mesmo tempo em que mostra que está disposto a criar, mudando de perspectiva a cada minuto, trabalhando no limite entre realidade e ficção, Laxe esbanja pretensão: enche o filme de maneirismos cult no formato e na narrativa, explora os personagens reais a seu bel prazer, cria cenas de puro onanismo como a em que sua mãe o visita e parece se auto-sabotar o tempo inteiro. É interessante, mas irrita.

Impacto 

Bay Rong, Le Thanh Son, 2010
O Vietnã dá sua versão para o cinema de ação asiático numa comédia que homenageia e satiriza o gênero. A protagonista reúne todos os clichês das heroínas de ação: é dura, forte e prendada nas artes marciais, guarda um segredo e tem seu trauma contado aos poucos. O filme é simples, mas passa rápido, mas diverte do começo ao fim.
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Comentários
Nas Mostras geralmente eu gosto dos filmes mais doidos, ainda bem que tive a sorte de assistir "A Casa de Palha", sensacional!
Tão doido que metade do público deixou a sala no meio da sessão.
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péssimo 







