Segunda, Outubro 11
[festival do rio 2010, post 8]

Turnê 



Tournée, Mathieu Amalric, 2010
A estreia do ator Mathieu Amalric na direção foi imediatamente comparada aos trabalhos de John Cassavetes - e com razão. O novato no ofício parece partir do improviso, abusando de uma direção naturalista, onde a única interpretação verdadeiramente "encenada" é justamente a sua. Amalric não conta propriamente uma história, prefere acompanhar a trupe de dançarinas americanas - e seu empresário francês - em sua turnê pela costa da França como que num vídeo-registro. A câmera captura o cotidiano colorido do grupo e seu humor ácido, quase sexual, como se estivesse de passagem. E é aí que o cineasta acerta ao batizar seu filme: como diário de viagem, Turnê funciona lindamente. Quando tenta inserir um drama a seu personagem, o filme perde um pouco o foco. Mesmo assim, ainda é uma obra rara.

Contos da Era Dourada 


Amintiri din Epoca de Aur, Hanno Höfer, Razvan Marculescu, Cristian Mungiu, Constantin Popescu, Ioana Uricaru, 2010
Um filme em episódios com uma unidade interessante entre as seis histórias, escritas por Cristi Mungiu a partir de "lendas urbanas" do período em que a Romênia era governada por Ceaucescu. O filme tem cinco diretores diferentes, mas consegue equilibrar bem o realismo do atual cinema romeno que dá o tom dos primeiros episódios, maiores, e um humor quase kusturiquiano ao apresentar os personagens que vivem no interior do país nos contos finais, mais curtinhos e igualmente interessantes.

Rubber 
Rubber, Quentin Dupieux, 2010
Um pneu assasssino com poderes telecinéticos e sede de vingança. Merecia muito mais do que uma coleção de clichês de bizarrices dignas de colegiais com uma superoito na mão. A intenção do diretor parecia fazer um cultzinho esquisito para escrever seu nome por aí. Conseguiu fazer, escrever já é outra história.

The Killer Inside Me 
The Killer Inside Me, Michael Winterbottom, 2010
Michael Winterbottom se supera. Quando a gente imagina que ele não pode fazer mais nada tão ruim, ele surge com um filme como este que, sob o pretexto de recriar o filme noir, eleva todos os elementos do gênero à enésima potência não deixando brechas para alguém conseguir defender o resultado, no mínimo, ridículo. Casey Affleck até que é bom ator, mas aquela vozinha de criança manhosa merece umas belas porradas.

Armadillo 

Armadillo, Janus Metz Pedersen, 2010
Armadillo convenceu a quase todo mundo, mas não a mim. Documentário que acompanha soldados dinamarqueses no Afeganistão, premiado em Cannes, que aposta num estilo meio Guerra ao Terror de usar o realismo da Guerra, mostrando o cotidiano dos protagonistas, mas que não faz grandes reflexões sobre motivações e termina parecendo mais do mesmo. Algumas cenas de "ação" parecem encenadas - mas não sei se isso é totalmente verdade.

O Louco Amor de Yves Saint-Laurent 

L'Amour Fou, Pierre Thoretton, 2010
Convencional, mas lotado de material de arquivo. Parece uma biografia oficialesca do estilista, mas se foca muito mais na vida em comum dele com o empresário Pierre Bergé, passando ao largo de sua obra. No entanto, é um registro válido.

Lope 


Lope, Andrucha Waddington, 2010
Convencional do começo ao fim, Lope é um dos filmes mais redondos de Andrucha Waddington. O brasileiro teve que ir para a Espanha para encaretar seu cinema, aprendeu as regras de uma cinebio hollywoodiana e, para a minha surpresa, fez tudo direitinho. O filme conta, da maneira mais clássica possível, a história do poeta Lope de Vega, que no final do século XVI chacoalhou a cena teatral de Madrid com sua reinvenção da comédia. Waddington põe tudo no lugar certo: personagem que não se enquadra, historinha de amor, interpretações, fotografia, trilha épica. É mais do mesmo, mas só não convence quando Selton Mello aparece sem ter porque.

Stones in Exile 

Stones in Exile, Stephen Kijak, 2010
Entre coleção de registros sobre a gravação do álbum Exile on Main St. e documentário oportunista para dar mais uma graninha para a turma de Mick e Keith, eu fico com os dois. Em 64 minutos de imagens de arquivo e depoimentos sobrepostos por estas imagens, o diretor recompõe a mudança dos Stones para o Sul da França, onde fizeram um de seus discos mais icônicos em meio ao improviso e à tetralogia sexo-drogas-rock-vidaemcomunidade. Vale o registro, mas funciona mais para fãs.
Posts similares:
festival do rio, post 6
festival do rio 2010, post 5
festival do rio 2010, post 3
Comentários
Sem Comentários para esse post ainda...
Deixe aqui seu comentário:


péssimo 







