Domingo, Setembro 5
[nosso lar]



Num mundo democrático feito o nosso estava faltando um filme como Nosso Lar. O longa-metragem de Wagner de Assis é uma corajosa adaptação de um livro de ficção-científica de Chico Xavier que tem a função clara e objetiva de divulgar uma doutrina. E, com uma proposta tão honesta assim, o cineasta merece respeito por dar a cara a tapa e tentar reproduzir, além do cenário da megalópole celeste que batiza o filme, os conceitos, preceitos e regras de uma religião comumente perseguida por defender a existência de, entre outras coisas, "fantasmas", "zumbis", "viagens espaciais" e "superpoderes".
Enquanto filme-propaganda, Nosso Lar cumpre sua função: dissemina sua doutrina de forma didática e até engraçadinha - tirando um sarro leve, mas sem ofensas - de incrédulos e da Ciência - e procura apostar na emoção simples, quase rasteira e imediata, para conquistar com facilidade seu público, completamente disposto a enxergar o filme como um belo testemunho de fé. Ora, e quem é alguém para questionar a fé dos outros? Vai, o Espiritismo pode parecer bem simpático para leitores de HQs e fãs do George A. Romero.
O que talvez seja o maior problema do filme é que ele não funciona para quem não está disposto a comprar seu discurso e somente assim seria possível perdoar a dramaturgia raquítica. Mesmo em filmes com mensagem dá pra ser menos óbvio no texto e na interpretação. Praticamente todos os diálogos ganham um tom professoral incômodo, sobretudo quando o protagonista, que tenta parecer sério o tempo inteiro, está envolvido. Desencarnei de vergonha alheia.
É preciso ainda ter bastante disposição para digerir o desenho de produção do filme, farta de paisagens coloridas, tranqüilas e serenas, com aves-do-paraíso e cometas humanos que cruzam os céus. No entanto, essa afirmação pode ser totalmente ignorada caso o leitor seja fã do banco de imagens do Windows Vista. Não lembro de ter visto um filme que se arriscasse tanto neste pacote visual. O Purgatório é cenografado como no clássico Super Xuxa contra o Baixo Astral, com bastante gelo seco – opção, né? Ou será que contou o fato de o diretor ter escrito quatro filmes da Xuxa? – e tem arruaceiros maltrapilhos como em qualquer clássico kitsch que se preze, desta vez encarnados com uma trupe teatral interiorana com preparação corporal intensa.
O que deve gerar mais comentários – contrários ou favoráveis -, no entanto é a concepção visual da cidade flutuante, que transforma o filme numa ficção-científica B setentista sem tirar nem por. Tem muito de Fuga do Século 23 ali, inclusive o uso e abuso de conceitos plásticos e de tecnologia, que celebram o futuro e a harmonia, e que perderam o sentido algumas décadas depois da publicação do livro em que o filme se baseou, em 1944. No entanto, está claro que o cineasta usou todos os recursos possíveis para reproduzir as ideias para a tela. Mesmo que não tenham sido tantos assim.
Mas tudo bem. Esses detalhes passarão batidos para os espectadores de Nosso Lar, muito mais interessados em ver suas crenças reproduzidas com tanta fidelidade no cinema. E eles serão milhões, está escrito. Ops, psicografado. Pena que este filme, embora genuinamente corajoso, seja tão diferente da cinebiografia de Chico Xavier dirigida por Daniel Filho. Este, sim, um retrato sóbrio da vida do personagem, um trabalho eficaz e sem segundas intenções.
Nosso Lar 
Nosso Lar, Wagner de Assis, 2010
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Comentários
Guga, eu acho que a trilha foi um caldeirão de várias coisas que o Philip Glass já fez. Não me chamou a atenção não.
Ainda não vi o filme, mas se isso está lá, reduza a pura ficção.
Afirmo categoricamente. A religião pode ser ridicularizada por alguns justamente por isso: falta de informação.
Não quero ser ofensivo, longe de mim. Mas não poderia deixar isso passar..
Espíritos de pessoas mortas que visitam a Terra: fantasmas
Pessoas vagando sem rumo, andando tortas e devagar no Umbrel: zumbis
Pessoas que viram cometas e viajam até fora da Terra, onde fica Nosso Lar: viagens espaciais
Pessoas que lançam energias verdes para e curam feridas: superpoderes.
Eu não quis dizer que eu acho eu uso estes argumentos para ridicularizar, mas que outros fazem isso. Eu até acho alguns conceitos bem simpáticos.
Quanto à adaptação e a comparação que você fez com o filme do próprio Chico, discordo um pouco, pois esta história, do começo ao fim, não tem como ser sóbria, uma vez que é contada por um espírito e psicografada. Não creio que seria possível contá-la sem trazer esta "carga", pois sem ela simplesmente não haveria história. Sem ela a trama não faz sentido - e não convenceria nem céticos nem crentes na religião.
Não sou espírita e tenho até um certo pé atrás com algumas coisas, mas respeitei o filme porque acho a crença interessante e tentei focar nas "explicações" da religião, não tanto no roteiro falho. Enquanto isso, "Chico" ganha até o mais cético simplesmente porque existiu e suas histórias se tornaram realmente conhecidas - fora o fato de funcionar muito melhor como produto audiovisual.
Concordo com as falhas apontadas no filme - que deixa o cinema de lado para funcionar como aula - mas você começa errando ao tratar do tema como piada.
Ao meu ver no entanto, faz juízo de valor da mensagem do filme obedecendo os princípios filosóficos que norteiam sua personalidade.
E isso é previsível.
O livro NOSSO LAR é um fenômeno.
Foi traduzido para diversos idiomas, continua vendendo como água, desde sua primeira edição.
Assim merece ser explorado.
Pessoalmente, acho que não é um livro para iniciantes, haja vista a necessidade de informações básicas acerca dos fatos ali relatados.
Há milhares de informações como pré requisitos lastreadas em fatos provocados por Espíritos.
Tais fatos são estudados por meio da mediunidade.
Muitos parecem desconhecer.
João, talvez não seja um livro para iniciantes, concordo, mas o filme é para um público amplo. E eu tentei escrever sobre ele.
Carlos, eu nunca tratei o tema como piada. Se você fala isso por causa dos "fantasmas" e "zumbis", eu não acho esses temas risíveis. Pelo contrário.
porque eu gosto de boa parte das temáticas
2- Pessoas que viajam para fora da Terra. Isso não existe, é humana-mente impossível. O que pode viajar é o espírito.
3- Superpoderes: se aparece uma luz verde, é meramente ilustrativo. O que se acredita é na troca de energia. (similar a benção, no catolicismo)
Obs.: Acredito que para escrever sobre um tema polêmico, como você mesmo disse, deve-se ter conhecimento de causa. Caso contrário, cai na mesmice e no fraco senso-comum.
Para o sr que não tem um conhecimento espiritual, pode soar como bobagem ou besteira, mas não se iluda que isto possa ser uma irrealidade. Aliás é uma realidade que pode ser alcançada por todos nós, nem mesmo o sr com seu cetismo barato pode garantir o contrário.
Hoje o sr pode estar zombando, mas quando passar vários anos na condição de um ovócito e após longos anos cair em si, duvido que ache a mesma graça.
O livro não é uma leitura para leigos como o sr. precisa-se ler a obra doutrinária, para ao menos saber o que se passa.
Os homens cometa que fala de certa forma irônica, são pessoas que já alçaram a condição de luz, coisa que pelo visto não te acontecerá tão cedo.
Lamento que o IG tenha um crítico tão parco e sem cultura, espero que consigam achar algum mais instruído em cultura geral.
Fala Brainiac. Nunca imaginei que alguém de sua ilustre família passasse por aqui.
Olha, não me interprete mal, mas pelo texto que, repito, não critica a doutrina. Eu não tenho nada contra o Espiritismo. Vou repetir mais uma vez: sou simpático a muitos conceitos. Se fui sarcástico e irônico, foi com o filme, que tem vários problemas.
Sobre o IG, não o culpe. Não tenho qualquer relação com o portal. E também não sou crítico de cinema. Apenas dei minha opinião, isenta sobre o trabalho.
Espíritos atormentados podem dar histórias ótimas, de Hamlet a Os Outros. Para apreciar essas narrativas não é preciso acreditar no além.
Agora, essa visão kitsch de cidade transcendental da paz é, no meu entender, a imagem mais próxima que alguém poderia pintar do inferno. Tremo só de pensar na possibilidade de ir para lá... mas para meu conforto duvido muito que alguém sobreviva a si mesmo.
PS: Esse post foi psicografado!
Agora, talvez não seja a intenção, mas o post parece criticar incessantemente o espiritismo; culpa talvez das ideias fracas e errôneas difundidas pelo filme -- de novo nessa tecla, mas o que foi o Umbral? E nem exploraram a história da mãe dele, nem explicaram que Nosso Lar não é tudo que há... E vários pontos que eu poderia continuar a criticar, mas só faz sentido para quem leu o livro, e acho que aqui foram poucos.
Mas bem, não posso dizer que discordo da crítica; a trilha sonora, forçadíssima; as atuações, fracas. Achei que o filme seria melhor -- o livro é cheio de cenas boas. Mas a escolha das cenas, o modo que a história foi contada, infelizmente foi reduzido e mal-adaptado às duas horas de filme.
Ricardo, eu não quis em momento algum criticar o Espiritismo. Se há sarcasmo no texto, ele se dirige ao modo como os conceitos são apresentados e não a eles.
Adriano, não há intenção minha em criticar a doutrina.
Em bom italiano: MAIS OU MENOS
Gente, eu sou espírita e li o livro ´´ NOSSO LAR ´´ quando tinha 16 pra 17 anos . Na época, achei muito louco conceber a ideia de que há matéria no mundo espiritual, mas depois, lendo uma coisa e outra sobre física quântica, passei a acreditar.
Dito isto, eu e mais alguns amigos fomos assistir ao filme Nosso Lar, hoje! Passamos mais de duas horas na fila. Não fosse a enorrrrme vontade....
Tudo bem, vencida a primeira etapa, pensei: agora vou poder dar uma volta no shopping e comer alguma coisa até a sessão começar! LEDO ENGANO!Tive que entra noutra fila para pode entrar no saguão e em mais outra para entrar na sala de projeção. Ou seja, mais uma hora na fila. TOTAL: MAIS DE 3 HORAS , QUASE 3½......REPITO: NÃO FOSSE A ENORRRRME VONTADE.....
Finalmente entramos , nos acomodamos e pudemos assistir em paz nosso filme ( aliás, eita povo educado esse do movimento espírita. Não se ouvia um ´´ai´´ durante a projeção. Silêncio total.)
Acontece, que eu não estava gostando e sabia que no final da sessão viria aquela fatídica pergunta: "E AÍ, GOSTOU? PORQUE, EU ADOREI!"
E assim foi! E eu respondi: Não!
Todos os olhares se voltaram para mim. ( DETALHE: todos os meus amigos ali presentes SÃO espíritas)
E eu tive que explicar.
Mas como explicar que eu não gostei foi do ROTEIRO e não dá estória? Além disso, A INTERPRETAÇÃO DOS ATORES ESTÁ MUITO FRACA, INCLUSIVE DOS VETERANOS; A DIREÇÃO TAMBÉM DEIXOU A DESEJAR E, COMO BEM DISSE A FENANDA, ´´ O DESIGNE É ABSOLUTAMENTE ANTIGO´´, NO QUE COMPLEOT EU : imprimindo um visual à la ´´FLASH GORDON´´ ao cenário!
Minha preocupação era dizer tudo isto, sem parecer arrogante e passar a ideia errada de que estava querendo dar uma de grande entendedor, pois, não por coincidência, mas por fato, EU SOU ROTEIRISTA e, sendo assim, tenho a obrigação atentar para esses detalhes e não deixar que passem desapercebidos” !
Aliás,foi justamente esse o meu comentário: ÀS VEZES, É MELHOR A GENTE NÃO APRENDER AS COISAS, PORQUE PASSA A PERCEBER MAIS FACILMENTE OS DEFEITOS!
CONCLUINDO: Eu não sei até que ponto o filme ajuda E/OU prejudica a visão da doutrina pelos não adeptos; pois, assim como o CHICO , não tendo conhecimento de alguns fatos mencionados no filme, foi procurar referências no que vivenciou até aquela época (no caso zumbis, superpoderes , etc e tal ), outros assim o farão e, tal qual a mim, nos idos de minha adolescência, podem não levar a sério a obra e, por conseguinte, toda a doutrina, por achá-la fantasiosa demais; embora a base da mesma deva continuar sendo Pentateuca, no caso, as cinco obras da codificação: ´´ LIVRO DOS ESPÍRITOS ´´; O ´´ EVANGELHO , SEGUNDO O ESPIRITISMO ´´; ´´ A GÊNESE ´´; ´´ O CÉU E INFERNO ´´ e o ´´ LIVRO DOS MÉ
IUNS ´´.SAUDAÇÕES A TODOS!
FIQUEM COM DEUS!
Concordo com muitas coisas do texto.
Simpatizo com as teses espíritas, embora tenha algumas sérias reservas que nõa cabe discutir aqui
Confesso que, quando vbi o trailer do filme Nosso lar no cinema, fiquei com uma enorme expectativa quanto ao filme
Entretanto, também de certa forma me decepcionei,,,o livro "Nosso Lar" nem é daqueles espíritas que mais gosto e este livro é superior ao filme
para quem leu o livro, soa estranho os "enxertos' de estórias feitos para inserir alguns temas espíritas que não são centrais no livro(ex: a menina "revoltada", a espera da mulher que Andre Luiz atendia em vida pelo seu marido e outras mais) e o corte de algumas "estórias' do livro que a meu ver são importantes( ex: a do pai do Andre Luiz e suas duas amantes, que teriam ficado no "Abismo", uma espécie de Umbral do Umbral; a do marido atual da mulher de Andre luiz em vida, que estaria rodeado de obssesores, doente na cama...)
quanto a narrativa, penso que o filme oscila muito...no início, na estada de Andre LUiz no umbral e sua chegada ao "hospital espiritual" a narrativa é mais coesa....fica frouxa, quase desleixada, na estada de andre luiz em nosso lar, e volta a ficar mais coesa no fim do filme...os dramas do filme aparecem excessivamente verbalizados e ilustrativos, deixando pouco espaço à interpretação
quanto aos efeitos especiais, considero-os paradoxais...vc tem bons efeitos, por exemplo, na construção do umbral ao mesmo tempo que os umbralinos parecem saídos de uma peça de teatro de um grupo amador...vc tem efeitos razoáveis na concepção da cidade espírita e ao mesmo tempo um portão de entrada que parece um carro alegórico de escola de samba
Acho que o filme merecia um melhor roteirista e um diretor de verdade...quanto aos atores Renato Prieto até "vai"(pelo fato de sua carreira encenando peças espíritas)...entretanto é patente no filme a falta de atores mais experientes e taentosos
Em suma, esperava muito mais do que uma obra de divulgação "para todos os públicos"
Em momento algum, eu senti que ele estivesse menosprezando o filme, muito menos a doutrina. Pelo contrário, o que eu percebi é que não só ele, mas todos nós que fizemos críticas ao filme, FOMOS AO CINEMA TORCENDO PARA QUE O FILME RESPONDESSE ÀS EXPECTATIVAS. Infelizmente, o que vimos foi um trabalho meia bomba, com roteiro mal desenvolvido/
; atores mal escalados e dirigidos; efeitos especiais de um futurismo ultrapassado e uma direção geral equivocada.
Se cinema para vc é apenas diversão, não tem a visão técnica dos profissionais da área e, por isso, não consegue identificar essas falhas, não deve ficar brava com quem é e consegue. Deveria ser humilde, apreender e, no máximo, procurar destacar e realçar outros pontos sutis que, geralmente, só são percebidos por pessoas sensíveis como vc.
Um conselho, se me permite: Procure por em prática o que se ensina nos meios doutrinários, a começar por respeitar o livre abítrio dos outros, como po exemplo, decidir se gosta ou não gosta de algo. Pode ser, vc nos daria esse direito?.......FIQUE EM PAZ!
Talvez se a interpretação tivesse sido menos sofrível, desse para salvar alguma coisa, mas é tão ruim que eu ficava me contorcendo na poltrona do cinema.
O chico não tem obrigação nenhuma de conhecer a doutrina para criticar o filme, enquanto técnica. Talvez, esta tenha sido a razão pela qual ele não tenha entrado no mérito da estória, como a INGRID cobrou. Procurou ser isento.
O que eu noto aqui é que os espíritas mais apaixonados não admitem as críticas, como se reclamar mais profissionalismo de quem criou o filme fosse ofensa pessoal ou direta à doutrina.
Vamos separar as coisas. O FILME É RUIM SIM E DEIXARAM DE MOSTRAR MUITAS COISAS QUE TEM NO LIVRO PARA CRIAR OUTRAS QUE NÃO EXISTIAM.
PQ NÃO MOSTRARAM A PARTE DA MULHER QUE FAZIA ABORTOS. PQ A MÍ
IA NUNCA MOSTRA ISSO? SERÁ PORQUE SÃO A FAVOR? ESSA PARTE FEZ MUITA FALTA, NÃO ACHAM?FIQUEM EM PAZ!
Não sou espírita e nem lí o livro, mas creio que o filme conseguiu transmitir a mensagem do livro.
O Filme nos faz refletir e nos emocionar em alguns momentos.
Chega de temas como favela, sertão, drogas e violência no cinema brasileiro. É para esse tipo de filme que existe o cinema e merece inclusive uma indicação para concorrer ao melhor filme estrangeiro.
Quanto ao filme, realmente o ar didático acredito eu tenha sido intencional. Tarefa ardua do roteirista transformar um livro, não de ficção cientifica, como falou o nobre colunista. Reconheço que quando lí nosso lar pela 1ª vez me pareceu fantasioso, pois nunca devemos ler um livro desse teor como primeiro livro de uma doutrina, foi o meu erro. Depois que estudei a codificação, ví que meus conceitos a ser fantasioso caiu por terra.
O filme atingiu o seu públic e o seu alvo. Emoncionante, boa trilha musical, bons atores. No tempo de pouco mais de 1 hora seria dificil descrever o livro todo, portanto longe eu de ser critico, gostei como espírita desde os 19 anos (lá se vão duas décadas) e me fez bem sentir as emoções e ver o público emocionando-se também, confesso que são poucas as coisas que vejo na tv ou no cinema que me fazem chorar. Abraços a todos
Paz e Luz
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