Segunda, Junho 21
[toy story 3]



Eu, que adoro uma nostalgia, confesso que não sinto muitas saudades da minha infância. Mas acho que isso tem uma explicação: provavelmente eu nunca saí dela. As provas são as HQs espalhadas pela casa e minha estante cheia de action figures. Os meus ídolos ainda são os mesmos: os X-Men e os Titãs. E vez por outra eu me pego imaginando onde foram parar todos os meus brinquedos. O Aquaplay, o Pogobol e o Cubo Mágico, tudo bem, não dá pra guardar pra sempre, mas eu colecionava carrinhos de ferro, tinha um monte de Comandos em Ação e praticamente uma civilização de Playmobiles. Em algum momento, eu parei de brincar e eles saíram de cena. Hoje, lembrando disso tudo, dá um aperto no coração, mas no fundo eu sei despedidas fazem parte da vida.
Toy Story 3 é um filme sobre despedidas. É o adeus de Andy a sua infância e o adeus da Pixar aos personagens que escreveram a história do estúdio que mudou a animação para sempre. E a trupe de Woody e Buzz Lightyear ganhou de Andy e da Pixar a despedida mais bonita que alguém pode receber, uma despedida que deixa a certeza do amor embora a vida sempre teime em nos afastar para lados diferentes. Os minutos finais do filme, dessa vez dirigido apenas por Lee Unkrich, são uma das sequências mais simples, sinceras e lindas da história do cinema feito para crianças. Eu, aquele que nunca abandonou a infância, morri um pouquinho mesmo sabendo que o que conta a gente guarda escondido para visitar sempre que pode, sempre que dá, sempre que precisa.
O mais bonito nesse Toy Story 3 talvez seja o fato de que ele nunca pareça ser uma daquelas continuações oportunistas para fazer dinheiro. Do começo a fim, ele parece ser um filme feito exclusivamente para encontrar um lugar bom para seus personagens. E isso é feito em forma de uma comédia de ação tradicional que muitas vezes encontra a pureza do melodrama e aí cresce, se espalha e fica gigante. Essa série, que completa 15 anos, não tem apenas o pioneirismo da animação digital. O primeiro longa também foi revolucionário por trocar contos de fadas pela vida real porque não existe nada mais real do que ver uma criança sentar no chão e imaginar aventuras para seus brinquedos.
E no novo filme, a Pixar convida o espectador a, mais uma vez, brincar junto, delirando nas sequências de ação perfeitas e gargalhando dos personagens divertidíssimos, como a caracterização de Michael Keaton para o Ken, o namorado da Barbie, que finalmente encontrou sua mais exata tradução. Mas esse modo feliz se transforma várias vezes ao longo do filme, quase sempre sem avisar. Algumas cenas chegam a ser cruéis, como o final da sequência do lixão, mas valem cada segundo quando percebemos detalhes tão pequenos quanto o momento em que Buzz olha demoradamente para Jessie. Não segurei as lágrimas ali. E passei o resto do filme prendendo tão forte o choro que saí com a garganta doendo. Mas feliz. É bem fácil fazer um filme nostálgico. O difícil é fazer um filme para se ter saudade. E mesmo completamente satisfeito, eu, que ainda não saí da infância, não me incomodaria se esse adeus que eu vi hoje se transformasse num até logo.
Toy Story 3 



Toy Story 3, Lee Unkrich, 2010
P.S.: Bonnie, você é uma gracinha, mas meu Totoro é muito mais bonito do que o seu.
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Comentários
Rafael, eu ainda acho que "Wall-E" é a obra-prima da Pixar, mas "Toy Story 3" tem a auto-referência, que é um diferencial que conta pontos.
Thiago, o filme é belíssimo, sem dúvida. Para guardar na memória.
Valeu, Pedro. Delirei com a pontinha do Totoro.
ah, e bom post como sempre.
Li tbém seu post anterior sobre A Centopéia Humana, eu vi esse trailer já faz um tempinho, achei tão terrivel que na hora até baixou minha pressão rs, mas.. acho que não me arrisco a ver o filme.
Beijos
Paulinha, querida, manda ver no "Toy Story". Vc vai amar.
Alice, todo Totoro é lindo, né?
a unica coisa ruim desse filme é que depois que ele acabou eu fiquei pensando no destino que dei aos meus brinquedos e fiquei um pouco triste por não lembrar o que tinha feito com eles =/.... Ao menos os meus preferidos eu ainda tenho =~~
totoro \o/
Ouvi melhor trilogia de todos os tempos?
Meu comentário é mais emocional do que crítico. E é claro, o filme me fez lembrar vc e o Tom!!! Meus brinquedos maiores... KKKK. Te amo!
Adriano, os filmes que mais me emocionam geralmente têm a infância como tema comum.
Rebeca, também fiquei imaginando onde meus brinquedos foram parar. Deu saudade.
Flavia, eu não sei se é a melhor trilogia, mas certamente é a que teve o final mais bonito.
Drica, acho que este filme une todos os tipos de diferenças.
Irmãzinha, que lindo você escrevendo aqui. Ri muito com "os brinquedos maiores" e lembrei de você e do Thomaz o tempo todo. Acho que a gente teve uma infância maravilhosa, né?
Adorei o texto e concordo com tudo que você disse sobre o filme! xD~ Chorei na despedida deles! *_* e também ficava cutucando meu namorado toda vez que o Totoro aparecia! ~.~
Amei Toy Story 3! e gostei tanto do seu texto que voltarei pra vê-los mais vezes ^^7
Viva a infância! ^^/
O Totoro que vc me deu foi o melhor presente que eu recebi nos últimos tempos, sério!
Obrigado pelos elogios, mas nesse filme era impossível não escrever em primeira pessoa. E, sim, vi a matéria de vocês, estava perfeita!
Sobre sua 'irritação', a gente bem que poderia tentar resolver isso, né?
Um forte abraço.
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