Quinta, Junho 17
[cinema filipino - post dois]

Adela 


Adela, Adolfo Alix Jr., 2008
Poucos filmes acertam na composição do mundo de solidão e isolamento dos idosos. O filme de Adolfo Alix Jr. é um belo exemplo de retrato do ocaso de uma vida. Adela acompanha uma mulher no seu aniversário de 80 anos. A protagonista, a ótima Anita Linda, uma veterana com mais de 200 títulos no currículo, carrega em suas expressões as dores da vida que escolheu: de famosa atriz do rádio virou esposa, dona de casa e mãe de família. Alix acompanha essa dia na vida da personagem de forma sentimental, mas nunca peca pelo excesso como acontece na maioria dos filmes do tipo. É a ausência que move o filme e envolve o espectador.

Borboletas Não Têm Memória 

Walang alaala ang mga paru-paro, Lav Diaz, 2009
Lav Diaz é o diretor dos filmes de longuíssima duração que eu evitei no festival. Esse aqui tinha 40 minutos (era parte de um longa em episódios) e o cineasta espcihou para 59 minutos em seu segundo corte. O filme é uma espécie de crítica ao status quo, retratando a miséria em que vive a população, que para o diretor pode ser a responsável por uma mudança de comportamento. Diaz, no entanto, evita o tom político e prefere imprimir um tom entre o vazio e o onírico para seu filme. O resultado é, no mínimo, curioso.

A Ilha no Fim do Mundo 

No pongso do tedted no mondo: Ang isla sa dulo ng mundo, Raya Martin, 2004
Este documentário foi o primeiro longa-metragem do cultuado Raya Martin. Sua principal temática (a identidade cultural) parece já ter germinado aqui, mas de uma forma ainda muito insipiente. O filme faz aquela linha doc-câmera-na-mão-quero-parecer-real, mas não faz muito diferente do que qualquer documentário sobre lugares ermos. Essa
"espontaneidade" às vezes encontra objetos interessantes, mas uma edição mais bem cuidada tornaria tudo muito mais amarrado. Como "cria o bicho solto", Martin fica entre o amadorismo (câmera trêmula muitas vezes sem necessidade) e o pretensioso (longos takes de imagens cotidianas), como se a ilha-objeto falasse por si mesma. Não é bem assim. As peculiaridades somem na condução que não se resolve. Vale como curiosidade.

Manila 



Manila, Adolfo Alix Jr. e Raya Martin, 2009
Este filme faz uma releitura de dois longas clássicos do cinema filipino: Manila by Night, dirigido por Lino Brocka em 1976, e Jaguar, feito três anos depois por Ishmael Bernal. A estrutura é curiosa: o filme é dividido em dois episódios, um assinado por Raya Martin e o outro por Adolfo Alix Jr. Cada epoisódio reconstrói a história de um dos longas citados. Mas entre os dois episódios, há uma sequência de créditos que mostra os bastidores de uma gravação do diretor Lav Diaz, que será retomada numa cena escondida depois dos créditos finais.
Manila tem uma cuidadosa fotografia em preto e branco. Lindíssima mesmo. O filme, exibido em 35 milímetros, mostra cenas cotidianas da metrópole filipina. O ator Piolo Pascual, um galã requisitado do país, interpreta os protagonistas das duas histórias. Na primeira, Raya Martin em sua narrativa mais convencional, mas quase sem usar falas, segue o junkie vivido por Pascual pelas ruas da cidade. O diretor traduz a "perdição" do personagem num trajeto sem direção em que ele simplesmente vaga: foge da polícia, tenta reconquistar a namorada, tem um encontro desastroso com a mãe. Martin encerra esse trajeto num movimento circular, no único lugar onde o persongem consegue o alento que procura. Para logo perdê-lo?
Já a metade de Alix Jr. é mais convencional: um drama triste e melancólico sobre lealdade, obrigações e sobre como são tênues as relações. Enquanto Martin traz a trama para um tempo mais próximo, Alix, mesmo mantendo a narrativa nos dias atuais, é mais fiel ao espírito da época do filme original. A cena que encerra sua história tem um quê do fatalismo que impregnava filmes norte-americanos dos anos 70. A sequência, que carrega um tom desiludido, é aliviada pela já citada cena surpresa, que recupera o "longa" de Lav Diaz e reverte o clima com bom humor numa bela história de amor.

Manila nas Entranhas da Escuridão 

Maynila sa mga pangil ng dilim, Khavn, 2008
Khavn é um diretor mais "rude", digamos. Seu cinema parece rústico na forma, mas doce nas intenções. É como um poema cheio de palavrões. Manila nas Entranhas da Escuridão também é um filme-homenagem, retoma um personagem de um filme de Lino Brocka e o faz, mais velho, reviver seu drama de ter se transformado num assassino e tentar, em mais uma opotunidade, salvar sua paixão juvenil. Khavn utiliza trechos inteiros do filme homenageado (e de outros dois, segundo o IMDB), para mover a narrativa, mas a edição truncada, o que não deixa de ter seu charme, não faz as coisas fluírem tão bem assim.
curtas-metragens
Coisas Muito Específicas à Noite 
(2008), de John Torres
Projeções de Vida 
(2006), de Raya Martin
Salat 

(2005), de John Torres
Vida Longa ao Cinema Filipino 

(2007), de Raya Martin
Dois curtas de John Torres. O primeiro, Coisas Muito Específicas à Noite, é um filme conceitual que se apega mais às imagens noturnas para mostrar uma revolta popular para tirar o presidente do poder. Já Salat é bem interessante, quase um filme-poesia, intercalando passagens da vida urbana (meninos de rua incluídos) à experimentações poéticas sobre o amor. O garoto-prodígio, Raya Martin, também teve dois curtas apresentados. Projeções da Vida é um vídeo-experimento em protesto a um vazamento de petróleo na costa filipina. Não chega muito a lugar nenhum. Vida Longa ao Cinema Filipino!, por sua vez, é um peça sarcástica contra a indústria de cinema do país, personificada pela produtora Lily Monteverde, a qual Martin radicalmente se opõe. Apesar do resultado ser interessante, o filme revela muito da imaturidade do cineasta, que "mata" o inimigo para se vingar.
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Comentários
É a mesma mostra, Roberto. Comentei dois filmes do Mendoza no post abaixo.
Pedro, eu adoro "Kinatay", mas ele tem muitos detratores. Vá com calma.
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péssimo 







