Quarta, Junho 9
[antes da lua cheia]

Este ano está cheio de surpresas em nosso circuito de cinema. Vários filmes que pareciam ter sido ignorados pelos exibidores - e que passaram anos no limbo depois de suas exibições em festivais - começaram a estrear. À Prova de Morte, de Quentin Tarantino, inédito desde 2007, depois de anos de promessas e uma pá de datas, mudou de distribuidora e está prometido para o mês que vem, com cartazes espalhados pelos cinemas. O finlandês Aki Kaurismaki e o português Manoel de Oliveira, cineastas importantes, viram filmes estrear em circuito depois de anos. Agora, a bola da vez é o iraniano Bahman Ghobadi, um dos mais célebres da recente produção de seu país chega às salas exibidoras com Antes da Lua Cheia.
O cineasta é um habitué nos festivais brasileiros, onde lançou Tempo de Embebedar Cavalos, Exílio no Iraque, Tartarugas Podem Voar e sua mais recente incursão no mundo do rock indie de seus país, o ótimo Ninguém Sabe dos Gatos Persas. Os primeiros, todos invariavelmente, são exemplos de um cinema étnico, que destaca cenários e costumes de seus compatriotas, mas sempre se inserindo num contexto atual, assumindo uma postura de observador da política, da organização social e dos efeitos da guerra sobre seus compatriotas.
Antes da Lua Cheia, exibido no já distante ano de 2006 na Mostra de Cinema de São Paulo, é, durante boa parte de sua projeção, uma comédia com excelentes momentos de crítica às instituições. O filme se passa após a queda de Saddam e acompanha a história de Hussein, um conceituado músico curdo que viaja com os filhos para um concerto no Iraque. Parecia ser o melhor filme de Ghobadi, que, à épóca, simpaticíssimo, apresentou a sessão do longa na Mostra. Parecia justamente porque até era seu filme com menos trejeitos de pequenas e belas histórias tristes. Mas o tom do longa muda bastante com o passar do tempo, alternando alguns momentos inspiradíssimos e outros em que o diretor parece apenas se repetir. Mesmo assim, um filme que merece ser visto porque as obras de Ghobadi, mesmo quando parecem maniqueístas, sempre estão acima da média. E esta aqui tem um final surpreendente.
Antes da Lua Cheia 


Niwemang, Bahman Ghobadi, 2006
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