Terça, Junho 8
[príncipe da pérsia: as areias do tempo]



Filmes baseados em games são coisa rara. Mais raros ainda são os filmes baeados em games que são realmente bons. Fui tentar listar os cinco melhores e fiquei de queixo caído porque eu acho minimamente interessantes apenas dois: Final Fantasy e Terror em Silent Hill. E o "minimamente" tem peso dois aí. Dito isto, fui ao cinema para assistir Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo, mais nova incursão hollywoodiana no mundo dos jogos eletrônicos. E fui esperando um filme ruim. Para minha surpresa, ele é um pouco melhor do que eu imaginava, mas isso não quer dizer muita coisa.
Na minha humilde opinião, o maior pecado das adaptações de game é como os roteiristas apostam que a relação entre espectador e filme é a mesma que a de jogador e jogo. Como se as cenas de ação ou as tramas importadas dos telinhas fossem suficientes para dar corpo a um roteiro. Falta entender que existe uma diferença fundamental entre plataformas. Um filme, pelo menos nos modelos de hoje, jamais criará o mesmo tipo de interação que um game proporciona para quem está no comando do joystick (desculpem, sou um homem saudoso). A experiência, mesmo nos mais rebuscados trabalhos em 3D, é completamente outra.
Pelo menos, o estúdio teve o bom senso de não converter Príncipe da Pérsia, um filme concebido em duas dimensões, para o formato "do momento" e não pagou o mico de Fúria de Titãs, em que nenhuma cena justifica a mudança. No entanto, essa decisão não justifica os efeitos digitais pobres do filme de Mike Newell (agora ele só faz esse tipo de coisa, né?). Há momentos vergonhosos, como o clímax na ampulheta em que a dúvida que surge é "como eles conseguiram gastar US$ 200 milhões nesta porcaria mal feita?".
Tudo bem, relevando o visual "série B", o filme até tem bons momentos, sobretudo quando desenvolve o namorinho entre os personagens de Jake Gyllenhaal, escolha estranha, mas que não compromete, e Gemma Artherton, que evoca aqui e ali os romances de capa-e-espada ou os Simbads que passavam na Sessão da Tarde. Mas os nostálgicos que não fiquem animados porque isso é bem rapidinho e não se sustenta. Principalmente porque faltou o roteiro dar algum cinismo ao herói. No meio desta falta de investimento em nuances, Alfred Molina é, de longe, a melhor coisa do filme. O ator entendeu tudo, abraçou a caricatura e está hilário na maior parte de suas cenas. Inclusive, é o autor da melhor piada do longa.
Parece que os roteiristas - e eles eram três! - gastaram todo seu estoque de inspiração para a participação do ator e esqueceram de quase todo o resto (eu acho a cena do "porque nós somos irmãos" bonitinha). Então, fica a pergunta: não seria interessante além de investir nas sequências de ação, gastar alguns neurônios substanciando a trama ou deixando os diálogos mais inteligentes do que "você tinha tudo; amor, respeito, família" ou "nosso pai mandou você ouvir seu coração", pérolas ouvidas neste novo petardo? Talvez assim, quem sabe, Lara Crofts, Resident Evils e príncipes da Pérsia soem um pouquinho menos ocos.
Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo 

Prince of Persia: The Sands of Time, Mike Newell, 2010
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Comentários
Renato, o longa de animação ou o filme do Van Damme?
a mocinha guerreira a la a mumia; o anti-heroi engraçadinho; o suposto vilão que na verdade é só mais um injustiçado...
eu achei silent hill tosco p carilho, e resident evil 3 até q ficou bem divertido: zumbis + caminhões = impossível dar errado
e o filme do super mario de tão trash que é chega a ser legal =x
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péssimo 







