Sexta, Maio 28
[sex and the city 2]



Casamento é um exercício de tolerância, mas também pode ser muito legal. É mais ou menos essa a "mensagem" que Sex and the City 2 passa ao longo de seus longos 146 minutos. É, o segundo spin off cinematográfico da série mais "mulherzinha" dos anos 90/2000 é um minuto maior do que a primeira incursão da turma de Carrie Bradshaw em tela grande. E como o primeiro, este também é um filme de "mensagem", com o casamento, mais uma vez, está no centro da trama mais uma vez. Mais "mulherzinha", impossível.
Mas seria reducionismo demais afirmar que (a série e) os filmes são apenas isso. Eles são isso e mais uma visão pop e sarcástica dos clichês do universo que celebra. O grande diferencial de Sex and the City sempre foi rir do que qualquer homem costuma classificar como futilidade sem depreciá-la. É a futilidade levada cabo, seja na moda, seja na vida, mas com consciência. Neste segundo filme, isto está claro desde o começo, quando as quatro amigas se reúnem para ir às compras. E com o casamento gay que acontece na sequência seguinte.
É lá que surgem algumas das melhores piadas do filme, com destaque para a particípação de Liza Minnelli: "como eles conseguiram a Liza?", pergunta Carrie. Eis que Miranda responde: "toda vez que um lugar emana uma energia muito gay, ela dá um jeito de se materializar". Futilidade + consciência, entendeu? Essa sequência ainda rende outro momento hilariante, o da "jude law". Pena que a leveza dos primeiros momentos esbarre numa tentative de estabelecer uma trama dramática, que passa basicamente por como Carrie lida com o casamento. Aí, a tal consciência fica mais de lado para o lado "mulherzinha" a aflorar.
As coisas ficam chatas de verdade quando as protagonistas viajam para Abu Dhabi. Aí o colorido das roupas, comentado por Cris Massuyama no post abaixo, cresce à mesma medida que a exploração do exotismo da maneira mais reacionária possível. As primeiras cenas nos Emirados Árabes parecem vídeo institucional do megacomplexo hoteleiro onde as moças ficaram hospedadas e, fora uma cena ou outra, como a do karaokê, onde as quatro cantam "I Am Womam", pouca coisa se salva. Nem a tentativa de transformar um beijo num problema intergalático.
Por sorte, existe a Samantha Jones de Kim Cattrall. Sua amoralidade, sobretudo em relação a sexo (embora o filme tente vulgarizar a personagem em vários momentos), é a coisa mais interessante desde que a série surgiu. Samantha vai de encontro ao filme, mais careta e conservador do que o primeiro longa. Talvez seja a prova de que qualquer um pode se divertir com 20 minutos semanais de futilidade, mas mais de duas horas de um mais do mesmo que não leva a lugar nenhum não são pra todo mundo. Ainda bem.
Sex and the City 2 

Sex and the City 2, Michael Patrick King, 2010
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Comentários
Não acho que o seriado era só sobre coisas fúteis, como vc diz, mas talvez o filme seja, sim.
eu só não entendi uma coisa: o que você achou careta?
chico, mulheres podem ser muito loucas nas suas questões mulherzinhas! rs...
e boa parte é, dada a identificação de grande parte do público feminino que fez o sucesso da "marca" sex and the city.
eu também adoro a samantha, acho a personagem mais legal. mas também gosto da carrie. bastante.
beeeijo.
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