Sábado, Abril 24
[filmografia: tim burton]
Vou inaugurar aqui uma seção nova do meu blogue. "Filmografia" vai acompanhar com estrelas, links para textos e eventuais comentários curtinhos a carreira de um determinado cineasta - podendo ser estendida para atores também. Começo com o Tim Burton, de quem eu vi todos os longa-metragens.



Pee-wee Great Adventures, 1985
O primeiro longa de Tim Burton é o que menos tem da sua assinatura. Serve apenas para veículo para o personagem. A estrutura é uma sequência de gags on the road, nada muito engraçado. Seria mais simpático se o personagem não fosse tão chato. Pee Wee Herman é uma mistura de Jerry Lewis, Jacques Tati, Mr. Bean e Jim Carrey com o mode gay ligado no máximo. Afetação total.





Beetlejuice, 1988
O universo de Tim Burton versão longa começa realmente aqui, mas o filme mais maluco do diretor é quase uma obra-prima da anarquia, com umas das melhores concepções visuais do cinema fantástico nos anos 80. Michael Keaton, em seu melhor papel, está genial. Numa das melhores cenas, Winona Ryder canta a música que seria o melô do Babaloo Banana.



Batman, 1989
A revisão fez Batman afundar no meu conceito. Burton se inspira sem nenhum pudor no seriado dos anos 60 e realiza uma versão estendida de um episódio sem o crash/boom/pow e com uma direção de arte excelente. Mas, cá entre nós, isso não é um vigésimo do que o personagem é ou merece. Jack Nicholson está caricato, ótimo, mas no filme errado.





Edward Scissorhands, 1990
Um dos melhores filmes de Burton sem dúvidas. Aqui ele une seu universo bizarro com uma delicadeza que poucas vezes ganha tanto destaque em sua obra. O início da parceria com Johnny Depp acerta em tudo: roteiro redondo, atores adoráveis e uma direção de arte escandalosamente inteligente e divertida.





Batman Returns, 1992
Com menos afetação (já que Jack Nicholson não aparece), Burton faz um filme mais sóbrio (não muito) - e muito melhor, embora Michael Keaton ainda seja um problema. Michelle Pfeiffer está soberba, deliciosa, e valoriza cada fotograma em que aparece e Danny De Vito funciona bem como o Pingüim. Ainda é o melhor filme do Batman para os cinemas.





Ed Wood, 1994
Provavelmente é o melhor filme de Tim Burton, embora seja o que menos explore seu universo fantástico. O cineasta cria uma declaração de amor a Ed Wood, apoiado em grandes performances de Johnny Depp e, sobretudo, Martin Landau como Bela Lugosi. A fotografia em preto e branco e a trilha genial de Howard Shore compõem o ambiente perfeito para contar a história do pior de todos.




Mars Attacks!, 1996
Um dos filmes mais despretensiosos de Burton é um dos maiores guilty pleasures dos anos 90. Inspirado nas ficções-científicas B de quarenta anos antes, o cineasta mostra a mais divertida invasão alienígena dos últimos tempos, com Jack Nicholson, Glenn Close e Sarah Jessica Parker perturbadíssimos.





Sleepy Hollow, 1999
Este filmaço é um dos melhores filmes do diretor. Tudo é bom: direção, roteiro (uma história policial-fantasmagórica muito bem contada), atores (Johnny Depp afetado na medida exata), cenografia e fotografia (que juntas formam um conjunto lindíssimo), trilha. Perto da perfeição.




Planet of the Apes, 2000
Costumam detonar este filme aqui, mas eu achei ele bem interessante, embora perca muito em relação ao original. Mau eu só digo duas palavras pra vocês: Tim Roth. O ator mostra que é um monstro, conseguindo uma interpretação absurda daquelas debaixo de tanta maquiagem.



Big Fish, 2003
Pra mim, um filme que promete muito e não se cumpre totalmente. Talvez por ter elementos autobiográficos em sua narrativa e por ser assumidamente um filme mais sério, Tim Burton parece meio receoso e não corre riscos. Ewan McGregor é um bom ator, mas está claro que o papel renderia muito mais nas mãos de Johnny Depp. Tem uma canção bem bonita de Eddie Vedder.




Charlie and the Chocolate Factory, 2005
O tom mais duro adotado por Burton nessa recriação do texto de Roald Dahl, apoiado no psicótico criado por Johnny Depp, é o grande trunfo dessa versão. É quase um "pague para entrar, reze para sair". Com um diretor mais perverso (do que Mel Stuart, que fez o original em 1971), o material parece funcionar melhor.



Corpse-Bride, 2005
Embora seja encantador boa parta do tempo, sofre bastante na concepção de suas personagens e da história banal. Mas há muitas qualidades cinematográficas, como o impressionante trabalho de fotografia, que consegue efeitos óticos belíssimos e ainda é extremamente coerente com o cinema de Burton, em sua defesa do mágico.





Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street, 2008
A fotografia preta se revela um suporte óbvio para a incursão de Tim Burton no universo musical de Stephen Sondheim. Incrível como dois autores tão à parte conseguiram encontrar tantos pontos em comum em suas obras. Num filme quase 100% musical, Tim, pouco amigo do realismo, do naturalismo e da verossimilhança, encontrou seu mundo fantástico mais uma vez. Ou o ajustou para algo próximo a isso. E aqui ele deita e rola.



Alice in Wonderland, 2010
Peca literalmente pelo excesso. O filme parece longo demais, afetado demais e, sobretudo, virtual demais. Isso não quer dizer que o visual não seja menos do que espetacular, mas a quantidade de elementos em cena é tanta - e tudo é tão absolutamente interessante e colorido e se mexe - que depois de meia hora de filme o espectador já começa a ficar cansado com tanta informação.
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Comentários
Nossa, nunca pensei nesses termos... Mas tem sentido...
E nenhuma nota máxima? Nem mesmo para Ed Wood?
Mesmo assim, gosto de alguns:
Ed Wood - grande trabalho, melhor do Burton e um dos melhores do Depp
Edward Mão de Tesoura - idem
Sweeney Todd - ganha mais nas revisões
Lenda do Cavaleiro - gosto bastante (até tenho em dvd) mas eu definitivamente não me convenço com o final.
Beetlejuice - já gostei mais, hoje ainda me diverte.
O visual realmente atrapalha, Alexandre.
Luiz, eu não acho nada medíocre, mas reconheço que ele tem altos e baixos.
Então eu devo ver "Operazione Paurã", Laurindo?
-e vicent que tb é bem legal
-tb adoro a atuação do De Vito em Batman
- o melhor do Burton p mim ainda é Edward, acho genial, desde o enquadramento das casinha padronizadas a cena da Winona dançando no gelo
Gib Fish é um filme diferente dentro do que é o T Burton, só isso. E é espetacular em vários sentidos. Não fode, Chico! hahaha
Se eu tivesse que escolher um favorito, seria "Edward Mãos de Tesoura". Já o vi diversas vezes e ainda assim o filme exerce enorme fascínio sobre mim.
Chico, faltou "Nightmare before Christmas" (O Estranho Mundo de Jack), que se não me engano foi o primeiro stop motion do Tim Burton. A história é de uma delicadeza mórbida sem tamanho!
Beijo
Kakah, na verdade o Burton só produziu e escreveu o argumento de "O Estranho Mundo de Jack". A direção é do Henry Selick.
Begins e Cavaleiro das Trevas juntos não chegam aos pés de Batman-O Retorno.
E Michelle Pfeiffer, putz,o que é a Mulher-Gato ? Uma loucura de perfeição.
Para mim os melhores do Burton são :
1- Edward Mãos de Tesoura
2- Ed Wood
3- A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça
4- Os Fantasmas Se Divertem
5- Batman-O Retorno
Esse curta é muito legal, Ailton. E o "Vincent" é uma obra-prima.
Não, Maurício. Ele que fez o argumento e produziu. O diretor é o Henry Selick de "Coraline".
Planeta dos Macacos foi um que a primeira vez que assisti (no cinema) quase chorei de tanto rir. Achei um fiasco completo. Mas com o tempo, tendo o revisto algumas vezes, tenho muito mais simpatia por ele. Ah, e nunca assisti ao original.
Concordo praticamente com 100% de seu texto. Estou ficando cada vez mais sua fã.
"o Estranho Mundo de Jack", Burton é o autor da historia, e produtor do filme, não foi ele que dirigiu, mas certamente esse é o filme que mais marcou a carreira de Burton.
Tem muitas informações neste site aqui (www.oestranhomundodetimburton.com)
É extremamente clássico... sem contar que foi uma das primeiras adaptações de quadrinhos para o cinema, ouso dizer que sem esse filme nós não teríamos muitos outros do gênero hoje em dia.
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péssimo 







