Quarta, Abril 21
[alice no país das maravilhas]



Muito barulho por nada? É mais ou menos isso. Mas é difícil estabelecer o porquê de Alice no País das Maravilhas não funcionar tão bem assim já que todos os elementos do cinema de Tim Burton estão no filme. A verdade é que é meio inevitável se sentir frustrado ao sair de uma sessão da nova empreitada do cineasta. Sobretudo porque Burton já nos ofereceu banquetes fartos vindos de seu universo fantástico, como nos ótimos Os Fantasmas se Divertem, Edward Mãos de Tesoura e A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça.
Este último, revisto recentemente, é um bom exemplo de como o trabalho do diretor pode ser impecável. Além de dominar o visual extravagante da história de Ichabod Crane, Burton controla a afetação de Johnny Depp, que está inspiradíssimo, e imprime um ritmo delicioso de mistério policial à fábula. Já no novo filme, o cineasta parece ter perdido a mão. O longa, que funde os livros As Aventuras de Alice no País das Maravilhas e Através do Espelho, de Lewis Carroll, peca literalmente pelo excesso. O filme parece longo demais, afetado demais e, sobretudo, virtual demais.
Isso não quer dizer que o visual não seja menos do que espetacular, mas a quantidade de elementos em cena é tanta - e tudo é tão absolutamente interessante e colorido e se mexe - que depois de meia hora de filme o espectador já começa a ficar cansado com tanta informação. Parece estranho, mas esse excesso de preocupação com a forma, marca do diretor, é o que mais prejudica o ritmo do filme, que não raras vezes fica enfadonho, chato mesmo. Quer uma dica? Não vá para o cinema com sono para evitar dar uma cochilada. Eu, confesso, dei umas piscadas.



Mas não dá pra reclamar de tudo: Burton acerta no visual dos personagens individualmente, sobretudo no sensacional Gato, mas mesmo as rainhas, a lagarta ou os gêmeos são visualmente impecáveis. O problema é que não dá pra pensar nos personagens isoladamente. E o roteiro, cansativo, deixa tudo meio aborrecido. A sequência da batalha, por exemplo, é quase insuportável. Parece cena de ação de filme ruim de ação. Sem graça, sem sal. Um bloco de filme que deixa visível a mão pesada de Burton em Alice.
O desacerto da direção parece se refletir no desempenho dos atores. Todos estão excessivos, em maior ou menor grau. À exceção da protagonista Mia Wasikowska, quase apática. Anne Hathaway é a que conseguiu equilibrar melhor a afetação da personagem, com seus movimentos quase musicais. Johnny Depp reprisa seus momentos além do tom e Helena Bonham-Carter parece uma metralhadora descontrolada. Impressionante como estes dois últimos funcionaram tão bem em Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet e perderam o prumo aqui.
É uma pena porque Alice no País das Maravilhas e Tim Burton pareciam ter sido feitos um para o outro. E mesmo que ele seja um cineasta irregular, com filmes que não cumprem seus projetos completamente, como Peixe Grande, não há nome melhor para nos contar uma história fantástica. Eu até penso em assistir ao filme mais uma vez para tentar mudar de ideia. Tudo para ver se, desta vez, quando Alice cair naquele buraco, eu mergulho junto com ela.
Alice no País das Maravilhas 

Alice in Wonderland
Tim Burton, 2010
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Comentários
Concordo que Depp errou a mão, mas gostei da histeria de Helena Bonham-Carter. Já os passos musicais de Anne Hathaway não me convenceram. O melhor personagem para mim é o coelho branco. Uma figura.
Forte abraço.
Vamos combinar, Mari.
Depois me conta o que vc achou, Bruna.
Amanda, acho que vc pode ter razão quanto ao encontro de mundo psicodélicos.
Não acho exatamente medíocre.
Na minha humilde opinião: a rainha de copas era uma mal comida; o valete uma bichooonaaa querendo provar pra si o contrário; a rainha branca outra bichona, só que assumida e vestida de mulher; o chapeleiro tinha uma tara e meia pela Alice (que deve ter ficado lesada por conta dos abusos do mesmo, em sua visitinha anterior ou mundo subterrâneo, e isso tb explica sua amnésia...); a lagarta era uma maconheira môito lôca; Tweddledee e seu irmão duas crianças com déficit cromossômico e nariz entupido. A lebre era claramente esquizofrênica, o coelho um cagão, a ratinha era como toda gente pequena (esquentadinha, mas num guenta um peteleco), e o gato um malandro arrependido.
Enfim, os personagens fizeram isoladamente boas e divertidas releituras de figuras que encontramos (e muitas vezes somos!) na vida real.
Só por isso, e pelos efeitos estonteantes de animação digital, valeu a pena ter visto o filme.
O Valete ficou um lixo de personagem, dava pra ter explorado muito mais.
Outra coisa, o filme é enfadonho o tempo todo e aí Alice decide virar guerreira e vem uma cena de ação murcha, rápida, quase um "ei, temos que terminar o filme, corta logo a cabeça do bicho!"... Alguns personagens geniais como a Lebre mal foram vistos... Aliás, no lance do "acaba logo o filme", o Tim Burton acha MESMO que a sociedade da época ia aceitar uma menina dizer não ao noivo e sair velejando assim, fácil? Outro pecado...
Olha, pra ver uma Alice de verdade, recomento uma "série" de dois capítulos que saiu para televisão, essa: http://www.imdb.com/title/tt1461312/
Beijo e desculpa o comentário ENORME.
A maioria das pessoas que criticaram o filme não leram os livros ou pelo menos não sacaram a história de lewis carroll, o filme não me deu sono, eu dormi umas dez vezes tentando assistir Código da vinci que pra mim é uma babaquice e sua sequência tambem.Até funcionaram bem como livros, apesar de serem apenas romances montados com diversas teorias alheias a Dan Brown mas "Alice no pais das maravilhas" para mim foi exatamente o que eu esperava, esta todo em boa medida, sem ação excessiva, bom censo e bizarrice necessária.Muito "crítico de cinema" gosta de colocar defeitos intangíveis em filmes.. Só não gostei da dança/música do chapeleiro pois não se encaixa a época.
Mas dicutir cinema é uma bobagem, há pessoas que assistiram "fim dos tempos" e não conseguiram entender que o filme é uma sátira a norte americanisse de holywood, até na escolha dos atores e na aceitação dos mesmos esta sátira é nítida, não era para ser levado a sério..
Enfim, perda de tempo discutir isso.
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