Domingo, Abril 4
[clássicos do terror - parte 2]

Aniversário Macabro 


The Last House on the Left, Wes Craven, 1972
"To avoid fainting, keep repeating... it's only a movie, only a movie, only a movie". O trailer de Aniversário Macabro já brincava com a natureza do filme, que foi censurado e virou polêmica por anos nos EUA e na Europa (onde demorou trinta anos para ser liberado). O longa de estreia de Wes Craven é o terror de tortura mais delicioso que eu vi na vida. O subgênero, que ganhou fôlego novo na década passada com filmes ruins, está representado em sua essência aqui, principalmente porque tudo é criado em tom de piada. Nesse sentido, a trilha sonora - irônica, debochada e muito boa - composta pelo ator David Hess, que faz o líder do grupo de psicopatas, é fundamental para estabelecer o clima. Tecnicamente, o trabalho é artesanal - parece muito ruim no começo - mas cresce aos poucos e termina uma sequência de vingança sangrenta deliciosa.

Incubus 


Incubus, Leslie Stevens, 1965
O Sergio Alpendre, do Chip Hazard, me recomendou este filme, que é um dos filmes de terror mais excêntricos e particulares dos anos 60. Para começar, Incubus, é um filme sobre satanismo totalmente falado em esperanto, o que lhe confere um tom solene esquisito. A história se passa numa ilha onde um poço dos desejos enfeitiçado atrai pessoas - e demônios. Mas o filme de Leslie Stevens é mais complexo do que parece. Em vez de apostar numa narrativa direta que favoreceria seu poder de susto, em teoria pelo menos, o longa é narrado do ponto de vista de uma demônia, que resolve deixar de lado os alvos fáceis que procuram o poço e tentar cooptar uma alma pura.
Essa inversão, por um lado, deixa o filme com um tom anti-climático, quase teatral, bem interessante ao mesmo tempo que abre espaço para investigar simbologias e elementos mitológicos com mais liberdade. A trilha é assustadora e a fotografia, linda. Incubus tem um extrafilme pesado: um ano depois de ser lançado, o ator Milos Milos, que interpreta um demônio, matou a esposa do também ator Mickey Rooney e se suicidou; outra atriz foi assassinada e William Shatner se transformou no capitão Kirk.

Monstros 


Freaks, Tod Browning, 1932
Monstros é um dos filmes mais ousados da história. Imagino o choque que deve ter sido, em 1932, a plateia encontrar um longa estrelado, quase que unicamente, por um elenco de pessoas com alguma deficiência ou deformidade física. Eu mesmo relutei bastante em ver o filme, confesso, porque achei que ele seria pouco confortável de assistir. E é. Mas é inegável sua coragem. A intenção de Browning parece boa: a trama é simples, estereotipada, mas sua força reside no impacto que o visual de seus personagens traz. No entanto, o longa é facilmente questionável porque, no fim, termina sendo um filme de vingança. Mas isso não afasta o pioneirismo de Monstros, que lança um olhar sobre a questão pela primeira vez. O filme tem cenas tristíssimas e expõe o drama de seus personagens sem medo. Tod Browning pagou caro por isso. Depois deste, só conseguiu fazer quatro filmes apenas, dois deles sem assinar. Tudo isso por ter feito um dos filmes mais incômodos da história do cinema.

A Noite do Demônio 



Night of the Demon, Jacques Tourneur, 1957
O demônio do título, que o diretor Jacques Tourneur não queria que aparecesse no filme, hoje pode parecer primário para quem assiste a essa pérola do cinema de horror dos anos 50, mas é inegável como esse filme trabalha bem o medo pela sugestão. O invisível assusta muito mais do que quando há perigo real na tela. Tourneur entende isso muito bem e cria várias cenas em que o desconhecido é o grande vilão, seja na abertura na estrada no meio da floresta, na revolta da natureza ou na fuga do protagonista da mansão do vilão.

Prelúdio para Matar 



Profondo Rosso, Dario Argento, 1975
Talvez este seja o melhor exemplo do giallo, o gênero policial com violência explícita que Dario Argento ajudou a fundar. A força do filme reside muito mais no impacto visual imposto pelo diretor do que na trama em si. Argento cria sequências impressionantes, sobretudo por causa da composição dos quadros e movimentação de câmera. O cuidado para detalhes está por toda parte, como, por exemplo, no banco do carro rebaixado para criar certo humor irônico, que, por sinal, existe de sobra na obra de Argento. A atriz Daria Nicolodi é quem assume esta função aqui, com um personagem delicioso. Mas é a veterana Clara Calamai a figura mais interessante em cena. Sua personagem aparece pouco, mas evoca grandes divas de outrora. Tipo uma Gloria Swanson do outro lado do Atlântico.

A Sétima Vítima 



The Seventh Victim, Mark Robson, 1943
O produtor Val Lewton foi o responsável por alguns dos melhores filmes de terror dos anos 40, como o impecável A Sétima Vítima, longa de estreia de Mark Robson, que foi uma das inspirações para Martin Scorsese em Ilha do Medo. Tom Conway reprisa o psiquiatra que interpretou em Sangue de Pantera, também produzido por Lewton. O longa assume a forma de filme noir para abordar o envolvimento da irmã da protagonista com uma sociedade secreta de adoradores do demônio. Robson foi muito feliz em criar uma atmosfera séria para o filme, comandando a trilha e a fotografia com muita habilidade. A maior prova disto é a lindíssima cena do banheiro, com uma conversa brilhantemente filmada através da cortina, que, como o Ailton Monteiro, já havia apontado pode ter servido de inspiração para o momento mais clássico de Psicose.

A Troca 



The Changeling, Peter Medak, 1980
O título é o mesmo do filme dirigido por Clint Eastwood em 2008, mas o longa feito quase três décadas antes pelo húngaro Peter Medak no Canadá não tem qualquer relação com ele. A Troca é um clássico filme sobre uma casa mal assombrada. Um dos melhores que eu já vi na vida. George C. Scott é um compositor que perde a família num acidente, que se tornou uma das cenas de abertura mais fortes da época, e vai morar numa mansão abandonada. Pra variar, descobre que não está sozinho. Medak comanda essa história como um maestro, coordenando as cenas de aparição do fantasma com uma habilidade rara. Mesmo quando é explícito, o filme tem um extremo bom gosto visual. A trilha sonora e a sonoplastia também são classudas, mas o que deixa este filme diferenciado é como Medak desenvolve o mistério sobre a identidade do fantasma com um thriller impecável.
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Comentários
Faz tempo que vi A TROCA. Preciso rever.
E tenho INCUBUS pra ver há tempos. Falta só o momento ideal.
Gostei demais tb, Fer. Mas gosto ainda mais de "Suspiria".
Moisés, é o primeiro que vejo falar mal.
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péssimo 







