Quinta, Março 25
[insolação]



Paulo José. Leonardo Medeiros. Simone Spoladore. Três dos atores mais talentosos que o Brasil já produziu. Mas do que adianta ter um time destes no mesmo filme quando o que se entrega para eles é oco? Insolação, que marca a estreia no cinema da parceria entre Daniela Thomas e Felipe Hirsch, parece ter a intenção de falar sobre solidão e sobre a busca pelo par, mas é um dos filmes mais vazios e pretensiosos que o cinema brasileiro cometeu ná última década.
Thomas, pela primeira vez sem Walter Salles, e Felipe Hirsch, em seu primeiro trabalho no9 cinema, levam para a tela toda sua herança do palco sem fazer tradução alguma de linguagem. O resultado é uma massa disforme. Há uma fotografia esperta que explora a estranheza das imagens que Brasília produz - mas faz isso ora bem, ora por puro virtuosismo estético. O texto é ruim, com quilos e quilos de frases de efeito supostamente inteligentes e um imenso vazio discursivo.
A dupla definitivamente não foi feliz. Thomas tem talento como cenógrafa, mas faltou a ela um colega que oferece substância cinematográfica para suas aventuras estéticas, que é o papel que Salles desempenha nas parcerias anteriores da diretora. A inexperiência de Hirsch com o cinema não ajudou. Se Thomas veio com a beleza, Hirsch, que teoricamente traria o conteúdo, se limitou a oferecer a embalagem visual de seus trabalhos no palco. Ficou bonito. Demais. E parou por aí. Os bons atores que o digam. Mal dirigidos, eles vagam constragidos, sem direção.
Insolação
Insolação, Daniela Thomas e Felipe Hirsch, 2009
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Comentários
Também acho que um espetáculo funcionaria melhor.
1. Ser cenógrafo, roteirista, continuista, contra-regra, publicitário, diretor teatral ou filho de alguém famoso nãso te qualifica a dirigir um filme.
2. Filmes precisam de UM DIRETOR APENAS.
Aliás, Chico, eu não acompanho o blog há muito tempo, por isso só li agora o texto sobre Apenas o Fim, que foi lançado neste final de semana, e devo parabenizá-lo por ter sido um dos poucos a ter tido colhões para dar uma nota baixa. Parece que virou consenso falar bem do filme! Na contracapa do filme o Rodrigo Fonseca diz que este filme fala por uma geração. Tá bom...
Um forte abraço!
Saí da cabine desse filme até irritada com tanta pretensão. Que filme aborrecido...
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